Franquias brasileiras miram a Argentina: o que isso significa para o seu negócio
02/11/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você tem uma empresa com potencial de franquia ou pensa em se tornar franqueado, vale observar o que está acontecendo na Argentina. Marcas brasileiras como Casa do Construtor e Lavateria começaram a expandir suas operações para o país vizinho, enquanto a rede peruana Rustica também busca um parceiro argentino para entrar no mercado. O movimento mostra uma mudança importante na forma como as empresas estão pensando a expansão internacional: menos abertura em massa de lojas e mais aposta em parceiros estratégicos capazes de construir uma operação sólida e replicável.
O que muda no modelo de expansão
Historicamente, expandir uma franquia para outro país significava buscar qualquer interessado com capital disponível para abrir uma unidade. Esse cenário está mudando. As marcas analisadas priorizam parceiros que já conheçam o mercado local, tenham capacidade financeira robusta e experiência prática em operação de negócios. Mais do que um investidor isolado, o que essas empresas buscam é alguém capaz de desenvolver uma rede inteira, com múltiplas unidades, em uma região específica.
Isso faz sentido num cenário de consumo mais cauteloso, como é o caso argentino atualmente. Nessas condições, modelos de negócio com operação padronizada, custos controlados e possibilidade de crescimento gradual se tornam mais atrativos tanto para quem franqueia quanto para quem compra a franquia.
Três estratégias, um mesmo objetivo
A Casa do Construtor, especializada em aluguel de máquinas e ferramentas para construção e reformas, está desenvolvendo na Argentina um modelo em que cada parceiro pode administrar de quatro a seis lojas em uma mesma região, aproveitando ganhos de escala. A meta é sair de cinco a sete lojas no início para cerca de 20 unidades em 2027, chegando a 100 pontos de venda até 2035, com uma rede de 15 a 20 franqueados multiplicadores. O investimento varia entre US$ 50 mil e US$ 200 mil, dependendo do formato, e a empresa estima retorno entre 36 e 48 meses, com rentabilidade operacional de 35% a 40% em unidades já maduras.
Já a Lavateria aposta em um formato enxuto: lavanderias de autosserviço totalmente automatizadas, sem funcionários no ponto de venda. Esse modelo reduz os custos fixos da operação e simplifica a rotina de quem administra a franquia. O investimento gira em torno de US$ 54 mil, com retorno estimado em cerca de 15 meses, prazo bem mais curto que o dos outros dois casos. A empresa, que já tem mais de 600 unidades no Brasil, pretende ultrapassar 100 franquias na Argentina até 2027.
A Rustica segue outro caminho, com investimento mais alto e prazo mais longo. A rede peruana de gastronomia e entretenimento busca um parceiro na modalidade de franquia master, ou seja, alguém com experiência empresarial consolidada para desenvolver toda a operação em um território, incluindo a possibilidade de abrir unidades próprias e conceder novas franquias. O plano é chegar a 30 restaurantes em dez anos, começando por Buenos Aires.
Apesar das diferenças de valores e de segmento, as três empresas seguem a mesma lógica: não se trata apenas de vender uma franquia, mas de formar um parceiro capaz de sustentar e multiplicar uma operação inteira. Isso exige do candidato a franqueado mais do que dinheiro disponível: conhecimento do território, rede de contatos, acesso a fornecedores e, em alguns casos, experiência prévia com outros negócios ou franquias.
O que isso significa para quem pensa em franquear ou ser franqueado
Para empresários brasileiros que avaliam expandir para mercados vizinhos, o recado é claro: a exigência por parceiros qualificados tende a crescer, especialmente em cenários econômicos mais sensíveis. Isso pode significar processos de seleção mais rigorosos, contratos que priorizam quem já tem histórico de gestão e modelos de negócio desenhados para crescer aos poucos, sem grandes riscos financeiros logo de início.
Já para quem pensa em se tornar franqueado, vale entender que ter capital para abrir uma loja não é mais suficiente nos modelos mais disputados. Conhecimento de mercado, capacidade de gestão e, em alguns casos, histórico empresarial consolidado passam a pesar tanto quanto o investimento financeiro na hora de fechar uma parceria.
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