Fisco planeja concluir etapas da DERE até o fim do ano

A Receita Federal está correndo contra o tempo para deixar pronta, ainda este ano, a Declaração de Regimes Específicos, a DeRe. Trata-se de uma nova obrigação criada dentro da Reforma Tributária, que vai valer para empresas que não se encaixam na regra padrão de cobrança do IBS e da CBS, os novos tributos que substituirão PIS, Cofins, ICMS e ISS. O cronograma interno do órgão prevê a liberação de todos os módulos em ambiente de testes até novembro, com entregas escalonadas ao longo dos próximos meses.
Se a sua empresa atua em um setor com tratamento tributário diferenciado, seja por ter margens específicas de cálculo, deduções previstas em lei ou outra forma de apuração fora do padrão, é hora de prestar atenção. A DeRe não é só mais uma declaração burocrática: ela vai ser a peça central para calcular corretamente quanto sua empresa deve pagar de IBS e CBS nesses casos especiais, além de alimentar o sistema de Apuração Assistida da Receita.
O que é a DeRe e por que ela existe
A cobrança padrão do IBS e da CBS incide diretamente sobre o valor da transação. Mas nem todo negócio funciona assim. Alguns setores têm regras próprias, com cálculos baseados em margens operacionais ou deduções específicas autorizadas por lei. Para esses casos, a Receita criou a DeRe, prevista nas Leis Complementares nº 214/2025 e nº 227/2026, justamente para captar essas particularidades e garantir que o cálculo do imposto seja feito de forma correta.
Além de servir para a apuração do imposto devido, a declaração também vai sustentar dois mecanismos importantes do novo sistema: a não cumulatividade, que evita a cobrança de imposto em cascata ao longo da cadeia produtiva, e o Cashback, programa de devolução de tributos para famílias de baixa renda. Ou seja, a qualidade das informações prestadas na DeRe tem efeito direto tanto na carga tributária da sua empresa quanto no funcionamento de políticas sociais ligadas à reforma.
Como está o cronograma
Por enquanto, o acesso ao ambiente de testes está restrito às empresas que participam do projeto-piloto, e mesmo para esse grupo a liberação começou apenas com as rotinas de tabelas, a parte mais simples do sistema. A expectativa da Receita é iniciar a segunda fase na segunda metade de julho, liberando módulos que já passaram pela validação técnica, como balancetes, identificação financeira, procedimentos de fechamento mensal e registro de débitos usados na totalização dos valores.
A partir de agosto, a ideia é ampliar ainda mais a integração de módulos no ambiente beta, sempre condicionando a liberação de cada ferramenta à sua aprovação prévia nos testes. O ponto mais delicado do projeto, no entanto, ainda está por vir: as chamadas rotinas transacionais, que lidam com um volume grande de dados e regras de checagem bem mais rigorosas. Cerca de dez modelos desse tipo ainda estão em ajuste de leiaute antes mesmo de entrarem na fase de testes práticos.
| Etapa | Conteúdo | Previsão |
|---|---|---|
| Fase atual | Rotinas de tabelas (projeto-piloto) | Em andamento |
| Segunda fase | Balancetes, fechamento mensal, registro de débitos | Segunda metade de julho |
| Terceira fase | Expansão de novos módulos no ambiente beta | A partir de agosto |
| Módulos transacionais | Cerca de dez modelos, ainda em ajuste de leiaute | Sem data definida |
| Meta geral | Todos os módulos disponíveis em ambiente beta | Até novembro |
Como se preparar desde já
Mesmo que sua empresa não esteja no grupo do projeto-piloto agora, o momento é de organização interna. Vale mapear se o seu negócio se enquadra em algum regime específico de IBS ou CBS e, se sim, começar a entender quais informações a DeRe vai exigir, como dados de margens operacionais, deduções aplicáveis e o detalhamento das apurações periódicas. Quanto mais estruturados estiverem seus controles internos, menor o risco de retrabalho quando a obrigação se tornar efetiva.
É importante lembrar que essa é uma etapa de testes, e ajustes no cronograma e nas exigências ainda podem acontecer conforme a Receita avança nas homologações. Por isso, manter um acompanhamento próximo do assunto junto à contabilidade é essencial para não ser pego de surpresa quando os módulos finais forem liberados. Aqui na GL Inteligência Contábil, estamos monitorando cada etapa dessa implementação para orientar você sobre o que efetivamente vai impactar a rotina fiscal da sua empresa.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.



