Fifa desiste de vender participação: o que isso ensina sobre governança
01/08/2026 12:243 min de leituraAtualizado há 32 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
A Fifa anunciou que não vai mais seguir com o plano de vender uma fatia de seu negócio a investidores externos. A entidade que comanda o futebol mundial pretendia levantar até US$ 4,2 bilhões com a venda de cerca de 20% de uma nova empresa criada para administrar eventos como a Copa do Mundo, avaliada em US$ 20 bilhões. O projeto foi anunciado na terça-feira e derrubado apenas três dias depois, diante da reação forte de federações-membro, com destaque para a Uefa, órgão que comanda o futebol europeu.
Embora o caso envolva futebol, ele traz um ensinamento direto para qualquer empresário ou gestor: decisões estratégicas de grande porte, como a venda de participação societária, precisam ter respaldo interno antes de serem anunciadas publicamente. Quando isso não acontece, o risco de reputação e de ruptura na gestão pode ser maior do que o ganho financeiro esperado.
O que aconteceu
A proposta da Fifa previa a criação de uma subsidiária chamada Fifa Forward Enterprise, que ficaria responsável por administrar a Copa do Mundo e outros eventos da entidade. Um fundo ligado à Thrive Capital, gestora fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner (genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump), lideraria o grupo de investidores interessados na compra.
A reação foi imediata. A Uefa acusou a Fifa de colocar em risco a essência do esporte ao abrir mão de parte do controle de seus eventos para investidores externos. Internamente, também houve ruído: Carlos Cordeiro, assessor sênior do presidente da Fifa, Gianni Infantino, pediu demissão em protesto contra o plano. Já o diretor de operações da entidade, Kevin Lamour, chegou a dizer que a equipe foi surpreendida pela proposta, chamando-a de uma decisão tomada de forma isolada, sem alinhamento com os demais dirigentes.
Por que isso interessa a quem gere um negócio
O episódio mostra, na prática, como falta de alinhamento entre sócios, diretoria e demais interessados pode inviabilizar até os planos mais ambiciosos, mesmo quando existe potencial financeiro relevante em jogo. A Fifa já havia declarado, antes do anúncio, que só levaria o plano adiante com apoio da maioria de suas federações associadas. Ainda assim, o projeto foi divulgado sem esse consenso construído, o que abriu espaço para a resistência que motivou o recuo.
Para empresas de qualquer porte, a lição é clara: antes de anunciar mudanças estruturais, como venda de participação societária, entrada de novos sócios ou reestruturação de negócios, é fundamental mapear os impactos internos e externos e buscar consenso com quem tem poder de influenciar ou travar a decisão. Isso vale tanto para empresas familiares quanto para negócios com sócios estratégicos ou investidores externos.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, justificou o recuo afirmando que o projeto gerou divisões incompatíveis com o objetivo inicial da proposta, que era unir e fortalecer a entidade. A frase resume bem um princípio de gestão que vale para qualquer negócio: uma decisão só é boa se sustenta a coesão da organização, não se ela cria rachaduras que comprometem a operação no médio prazo.
O que levar para o seu negócio
Se você é empresário ou gestor e está avaliando movimentos como venda de participação, entrada de sócios investidores ou reestruturação societária, vale usar este caso como referência de cuidado. Antes de qualquer anúncio público ou formalização, construa o consenso necessário entre sócios, diretoria e demais stakeholders relevantes. Avalie os impactos de reputação e de clima interno, não apenas o retorno financeiro previsto. E, principalmente, tenha um plano de comunicação que evite surpresas para quem precisa estar alinhado com a decisão, sob risco de perder apoio justamente quando mais precisa dele.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
