Exposição imersiva de Tarsila do Amaral abre em SP: veja o que esperar
13/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 22 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Uma exposição dedicada à obra de Tarsila do Amaral estreia no dia 15 de agosto em São Paulo, marcando a inauguração do Nubank Art Lab, no Conjunto Nacional. A mostra "O Brasil de Tarsila" celebra os 140 anos da artista com uma proposta pouco convencional: em vez de exibir quadros originais, recria o universo da pintora por meio de tecnologia, cenografia e recursos sensoriais como sons, aromas e texturas.
Ao todo, são 70 obras, desenhos, fotografias e documentos distribuídos em 14 ambientes. Nenhuma peça é original: todas são reproduções de alta qualidade, impressas em tecidos, projetadas em telas ou transformadas em instalações interativas. Essa escolha, segundo a curadoria, é intencional e busca driblar um obstáculo prático conhecido de quem trabalha com arte: o custo elevado de transportar e segurar obras originais, que pode chegar a meio milhão de reais só de apólice de seguro para uma única peça.
O que você vai encontrar na exposição
O percurso passa por diferentes fases da vida e da obra de Tarsila, incluindo aspectos pouco explorados, como sua relação com a fé e a proximidade com o médium Chico Xavier. Há também uma reprodução da obra "Altar (Reza)", desaparecida há anos e vista pela última vez em um catálogo de 2008, o que dá à mostra um papel de divulgar um trabalho que o público geral nunca teve acesso.
Entre os ambientes mais elaborados estão a "Floresta Tarsiliana", que reproduz a infância da artista com aromas e texturas, e a sala "Roteiro de Viagem", que simula vagões de trem, cada um dedicado a uma viagem importante da pintora. Já a instalação da obra "Operários" exige que o visitante gire uma manivela para revelar os rostos da pintura, numa referência direta ao tema da tela. A sala "Travessia", inspirada em "Figura Só", cria um corredor onde é preciso caminhar contra o vento de um ventilador, remetendo a um momento de ruptura pessoal da artista.
O ponto alto da mostra é um vídeo de oito minutos que expande e transforma 25 obras de Tarsila em novas paisagens, produzido manualmente por 32 artistas. A peça revela, por exemplo, uma favela construída na estética da pintora a partir de "Morro da Favela". Há ainda um Abaporu em tamanho gigante, pensado para interação e fotos do público.
Por que isso importa para além da arte
O projeto foi construído em dois anos e envolveu mais de 100 profissionais, entre pesquisadores, cenógrafos e artistas digitais. A iniciativa é conduzida pela TALE, empresa responsável pela gestão do legado de Tarsila do Amaral, e reflete uma estratégia clara de ampliar o acesso à obra da artista para públicos e regiões que normalmente não teriam contato com uma exposição tradicional, além de atrair um público mais jovem, mais acostumado a formatos interativos e digitais.
A mostra integra um calendário mais amplo de homenagens aos 140 anos de Tarsila, que incluiu também uma exposição em Brasília e uma turnê teatral. Para setembro está previsto o lançamento de um filme inédito sobre a artista, e para o final do ano uma exposição com obras originais em São Paulo, em local ainda a ser confirmado.
Para empresários e gestores ligados a cultura, entretenimento ou turismo, o caso ilustra um modelo de negócio que pode servir de referência: usar tecnologia e experiência imersiva para reduzir custos logísticos e de seguro, ao mesmo tempo em que se amplia o alcance geográfico e demográfico de um produto cultural. A expectativa da curadoria é que o formato itinerante permita, no futuro, levar a exposição a outras cidades do país.
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