Pular para o conteúdo
Quero ser cliente
Voltar
29/07/2026 05:00· 3 min de leitura· Tecnologia
Atualizado há 1 hora

Ex-Rabobank, Rafael Pilla Quer Levar Farmtech A R$ 25 Bilhões Em Crédito Agrícola

Ex-Rabobank, Rafael Pilla Quer Levar Farmtech A R$ 25 Bilhões Em Crédito Agrícola
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você depende de crédito para tocar a lavoura, comprar insumos ou vender para o produtor rural, vale prestar atenção no que está acontecendo no mercado de financiamento agrícola. A Farmtech, empresa fundada em 2017 por Rafael Pilla, ex-executivo do Rabobank, deixou de ser apenas uma provedora de tecnologia e virou uma peça relevante no crédito privado do agronegócio. Hoje com carteira ativa de cerca de R$ 6 bilhões, a empresa projeta chegar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em operações nos próximos cinco anos, um salto que diz muito sobre para onde o financiamento rural está caminhando.

O momento não é qualquer um. Dados da Serasa Experian mostram que a inadimplência entre produtores rurais chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, reflexo do endividamento acumulado depois do ciclo de forte expansão entre 2021 e 2022, somado a juros altos e menos oferta de crédito no mercado. Para Pilla, esse cenário pede cautela, mas não deve ser confundido com uma crise generalizada de capacidade de pagamento. Segundo ele, o produtor pode estar endividado num momento específico sem que isso signifique que deixou de ser um bom pagador no longo prazo.

O que está mudando no crédito agrícola

A Farmtech nasceu observando um gargalo que passava longe dos holofotes: o financiamento de insumos agrícolas, mercado avaliado em cerca de R$ 400 bilhões e historicamente sustentado pelo crédito que as próprias indústrias e revendas concediam ao produtor. Em vez de repetir modelos que analisam imagem de satélite e área plantada, a empresa construiu sua avaliação de risco a partir do histórico real de compras e pagamentos do produtor dentro da cadeia de insumos: o que ele comprou, quando, onde e como pagou. Esse tipo de dado, segundo a empresa, não está disponível em nenhuma base pública, só no sistema dos clientes que ela atende.

Na prática, isso muda a forma como o crédito chega até quem produz. A Farmtech atua hoje como Sociedade de Crédito Direto autorizada pelo Banco Central e administra mais de 50 fundos, entre FIDCs e Fiagros, funcionando como ponte entre capital de mercado e o financiamento direto ao produtor. O resultado declarado é uma inadimplência histórica de cerca de 1%, podendo subir para até 1,5% em cenários mais adversos, um número bem distante da média do setor.

IndicadorValor
Inadimplência do setor rural (Serasa Experian, 1º tri 2026)8,8%
Inadimplência histórica da Farmtechcerca de 1%
Inadimplência da Farmtech em cenário adversoaté 1,5%
Carteira ativa atual da Farmtechcerca de R$ 6 bilhões
Meta de operações em 5 anosR$ 20 bi a R$ 25 bi

Quem sente esse impacto

Se você é dono de revenda de insumos ou trabalha com distribuição para indústrias como as que já usam a estrutura da Farmtech, vale entender que essa mudança separa dois papéis que costumavam andar juntos: vender e conceder crédito. Segundo Pilla, misturar a operação de varejo com a concessão de crédito é arriscado justamente porque a margem do varejo, historicamente apertada, não cobre perdas quando a inadimplência sobe. Foi um problema que atingiu de forma dura outras grandes revendas do setor, com casos de recuperação judicial e dívidas bilionárias. A proposta da Farmtech é justamente tirar esse risco das mãos de quem vende e concentrar a análise de crédito em quem tem estrutura e dados para fazer isso com mais segurança.

Para o produtor rural, o efeito prático é acesso a crédito privado com análise mais rápida e baseada em comportamento real de pagamento, não apenas em garantias tradicionais. Já para indústrias e instituições financeiras, a empresa passou a oferecer sua infraestrutura tecnológica como serviço, o que amplia o alcance do modelo para além da própria carteira.

Por que isso importa agora

O pano de fundo dessa expansão é uma mudança de rota no financiamento do agronegócio brasileiro. Segundo Pilla, o orçamento do Plano Safra já não acompanha o ritmo de crescimento do setor, o que empurra cada vez mais operações para o capital privado. Os números do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento reforçam esse movimento: as fontes privadas de financiamento, somando instrumentos como CPR, LCA, CDCA, CRA e Fi

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.

Leia também