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Eleições 2026: o que propõem Lula e Flávio para economia e impostos

16/10/2026 15:504 min de leituraAtualizado há 51 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Você, como empresário, já deve estar de olho nas propostas econômicas que vêm sendo apresentadas pelos pré-candidatos à Presidência. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) defendem caminhos bem diferentes para lidar com as contas públicas, os impostos e as regras de contratação. Entender essas diferenças ajuda você a avaliar riscos e oportunidades para o seu negócio, independentemente de quem vencer a disputa.

O ponto em comum entre as duas propostas é o reconhecimento de que a dívida pública está crescendo e precisa de algum tipo de controle. A diferença está nos instrumentos escolhidos para isso: um aposta na continuidade do modelo atual, com investimentos públicos e programas sociais; o outro propõe reduzir o tamanho do Estado e cortar despesas administrativas.

O que muda em cada proposta

Lula pretende manter o arcabouço fiscal, regra que hoje limita o crescimento das despesas públicas, combinando controle de gastos com aumento de arrecadação e crescimento econômico. A ideia é que a economia crescendo gere mais recursos para sustentar investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável, além de programas sociais como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, defende uma nova regra fiscal atrelada à trajetória da dívida, com redução de ministérios, cargos comissionados e despesas administrativas. A coordenadora de sua equipe econômica mencionou um ajuste equivalente a 1,5% do PIB, algo próximo de R$ 190 bilhões, considerando o PIB de 2025. Ainda não está claro, porém, como esse corte seria distribuído nem quais serviços públicos seriam afetados.

Lula: continuidade e investimento

Flávio: redução do Estado

  • Cria nova regra fiscal ligada à dívida pública
  • Reduz ministérios e cargos comissionados
  • Propõe menos impostos e mais simplificação
  • Cria contratação mais barata para alguns grupos etários

Na área tributária, Lula quer aprofundar a progressividade, fazendo com que rendas mais altas paguem proporcionalmente mais, enquanto mantém investimentos do Novo PAC e incentivos à indústria nacional. Já Flávio prioriza reduzir impostos e custos para as empresas, com desburocratização e medidas voltadas ao agronegócio, como melhorias na logística, mais capacidade de armazenamento de safras, seguro rural e estímulo à produção de fertilizantes.

Essas escolhas têm efeito direto sobre o seu caixa. Se você é empresário, menos impostos e menos burocracia podem significar redução de custos operacionais, mas dependem de os cortes de gastos públicos serem suficientes para compensar a perda de arrecadação. Já um cenário de tributação mais progressiva tende a preservar investimentos públicos e programas sociais, mas pode significar maior carga para quem está nas faixas de renda mais altas.

Impacto nas relações de trabalho

As propostas também divergem na política trabalhista. Lula defende manter a valorização real do salário mínimo e reduzir a jornada semanal para 40 horas sem corte de salário, além de ampliar direitos trabalhistas e proteção social. Flávio aposta em reduzir custos de contratação e criar modalidades de trabalho mais flexíveis para determinados grupos etários, buscando estimular a formalização com menor custo para o empregador.

Para você que contrata funcionários, essas diferenças podem significar cenários bem distintos: de um lado, mais encargos e jornadas menores, mas potencialmente mais estabilidade e previsibilidade; do outro, custos de contratação mais baixos, mas regras ainda a serem detalhadas sobre quais grupos seriam beneficiados e como isso afetaria a folha de pagamento.

Vale lembrar que ambas as campanhas afirmam pretender manter programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular. A diferença real está em como cada um pretende financiar essas iniciativas diante das metas de ajuste fiscal propostas, o que só ficará mais claro com o avanço do debate eleitoral e o detalhamento dos planos de governo.

Diante desse cenário, o mais prático para você é acompanhar de perto o detalhamento das propostas nos próximos meses, sem tomar decisões de investimento ou contratação baseadas apenas em promessas de campanha. Converse com seu contador para simular cenários de carga tributária e custo de mão de obra conforme as propostas forem ganhando contornos mais concretos, principalmente se seu negócio depende de crédito, câmbio ou setores sensíveis à política fiscal, como agronegócio e indústria.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.