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Economia de Minas Gerais: por que o estado não cresce mais rápido

28/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você tem negócio em Minas Gerais, já deve sentir na prática um paradoxo conhecido: o estado é rico, diverso e cresce, mas as coisas custam mais para acontecer do que deveriam. Os números confirmam essa percepção. Minas fechou 2023 com PIB de R$ 971,98 bilhões, mantendo-se como a terceira maior economia do país, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Estimativas mais recentes da Fundação João Pinheiro mostram que, em 2025, a economia mineira já soma R$ 1,157 trilhão, o maior valor da série histórica estadual, com crescimento real de 1,4% no ano. Por trás desse resultado, porém, especialistas identificam gargalos que limitam um crescimento mais forte, algo que interessa diretamente a quem produz, vende ou transporta mercadorias dentro do estado.

O que sustenta a economia mineira

Os serviços são o motor principal, respondendo por quase dois terços da economia estadual, com R$ 635,6 bilhões em valor gerado em 2025. A indústria vem em seguida, com R$ 278,1 bilhões, e a agropecuária somou R$ 98,2 bilhões, com crescimento real de 3,2% no período. Essa diversidade é uma das forças de Minas: o estado combina mineração, agronegócio, indústria, energia, tecnologia e serviços em uma única base econômica, o que reduz a dependência de um único setor.

O agronegócio, em especial, teve um ano de recorde. O valor bruto da produção agropecuária chegou a R$ 167,8 bilhões, alta de 13,5% frente ao ano anterior. As lavouras responderam por R$ 112,7 bilhões e a pecuária, por R$ 55,1 bilhões. O café segue como carro-chefe, com R$ 58,7 bilhões em valor produzido, confirmando Minas como o maior produtor do país. Soja, milho, leite e carne bovina completam a lista de produtos que movimentam a economia rural do estado. Na mineração, a extração cresceu 3,1% em 2025, puxada principalmente pelo minério de ferro, e especialistas já enxergam na transição energética, com lítio, nióbio e energia solar, uma nova frente de oportunidade para o estado se inserir em cadeias globais de valor.

Onde a infraestrutura trava o crescimento

A posição geográfica de Minas, entre Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, deveria transformar o estado em um grande centro logístico do país. Na prática, isso esbarra em rodovias e ferrovias que não acompanham essa vocação. Minas tem a maior malha rodoviária do Brasil, com 272.062,9 quilômetros, mas a maior parte é formada por vias municipais não pavimentadas. Uma pesquisa recente mostrou que 65,4% das rodovias avaliadas no estado estão em condição regular, ruim ou péssima, o que encarece o transporte e reduz a competitividade de tudo que é produzido ali, seja café, minério ou produtos industriais.

Minas Gerais em números (2025)
R$ 1,157 triPIB estadualmaior valor nominal da série histórica, com alta real de 1,4%.
US$ 45,6 biexportaçõesalta de 8,6% sobre 2024, maior valor desde 1997.
4,6%taxa de desempregomenor índice da série histórica da PNAD Contínua.
65,4%rodovias ruinsparcela das estradas avaliadas como regular, ruim ou péssima.

A malha ferroviária é apontada por especialistas como parte da solução, já que o trem costuma ser mais barato e eficiente para transportar grandes volumes de carga do que o caminhão. Minas tem cerca de 5 mil quilômetros de ferrovias, passando por aproximadamente 180 municípios, o que representa 16,3% da malha ferroviária nacional e coloca o estado em primeiro lugar em extensão nesse tipo de transporte. Ainda assim, essa vantagem não está sendo aproveitada em todo o seu potencial, segundo economistas ouvidos pela reportagem original.

Commodities, burocracia e o desafio de agregar valor

Além da logística, os especialistas apontam outros dois entraves relevantes para quem empreende em Minas: a complexidade tributária e a dificuldade de transformar recursos naturais em produtos de maior valor agregado. O estado exportou US$ 45,6 bilhões em 2025, recorde histórico, terminando o ano como o terceiro maior exportador do Brasil. Só que café e minério de ferro responderam por quase metade desse valor no primeiro semestre, o que expõe a economia mineira aos ciclos de preço das commodities. Quando os preços internacionais sobem, o estado se beneficia com mais exportações e arrecadação; quando caem, o impacto é sentido com força, especialmente em municípios cuja economia depende quase exclusivamente da mineração.

Para os especialistas, o caminho para reduzir essa vulnerabilidade passa por investir em inovação, tecnologia e processos que agreguem valor à produção mineira, em vez de vender apenas a matéria-prima. Isso vale tanto para grandes indústrias quanto para negócios menores que fazem parte dessas cadeias produtivas. Outro ponto sensível é o ambiente regulatório: para atrair investimentos de longo prazo, o estado precisaria oferecer mais previsibilidade, segurança jurídica e processos administrativos mais ágeis, reduzindo a burocracia que hoje pesa sobre quem quer expandir ou abrir empresa em Minas.

Do lado positivo, o mercado de trabalho mineiro vive um momento favorável, com taxa de desemprego de 4,6% em 2025, a menor da série histórica da pesquisa que mede o indicador desde 2012. Isso mostra que, apesar dos gargalos estruturais, a economia do estado segue gerando ocupação, o que é um sinal relevante para quem planeja contratar ou expandir operações na região.

Na prática, para empresas que atuam ou pretendem atuar em Minas Gerais, o recado é claro: o estado oferece escala, diversidade produtiva e um mercado de trabalho aquecido, mas exige planejam

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