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Doações corporativas a moradia acessível: como empresas usam isso na reputação

01/08/2026 05:002 min de leituraAtualizado há 32 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Nos Estados Unidos, o custo da moradia subiu tão rápido nos últimos anos que passou a comprometer o orçamento de famílias que, mesmo empregadas, não conseguem cobrir despesas básicas. Diante desse cenário, organizações sem fins lucrativos e grandes corporações começaram a estruturar parcerias financeiras para tentar reverter a escassez de imóveis acessíveis. Em Jacksonville, na Flórida, o JPMorgan Chase destinou quase US$ 650 mil (cerca de R$ 3,3 milhões) para duas entidades locais, a Ability Housing e a United Way of Northeast Florida, que atuam diretamente na construção e preservação de moradias para famílias de baixa renda.

O caso chama atenção não apenas pelo valor investido, mas pelo que ele revela sobre a lógica por trás desse tipo de aporte: empresas grandes têm percebido que problemas sociais recorrentes, como a falta de moradia acessível, afetam a estabilidade das comunidades onde operam e, por consequência, também os próprios negócios. Segundo Melanie Patz, presidente da United Way of Northeast Florida, o aumento desses investimentos corporativos reflete uma realidade que comunidades locais já sentem há anos: o custo de vida, sobretudo a moradia, cresce muito mais rápido do que os salários.

O tamanho do problema por trás das doações

Para entender por que empresas estão colocando dinheiro nesse tipo de causa, vale olhar os números que embasam a decisão. Um levantamento da rede United for ALICE mostra que quase 76% dos inquilinos de baixa renda e proprietários com financiamento imobiliário nos Estados Unidos comprometem mais de 30% da renda só com moradia, o que os classifica como financeiramente pressionados. No total, 41% das famílias americanas estão abaixo do que a pesquisa chama de limite de sobrevivência financeira. Na Flórida, a situação é ainda mais grave: 55% dos inquilinos do estado gastam mais do que deveriam com aluguel, o segundo maior percentual do país, atrás apenas do Havaí.

Outro estudo, da National Low Income Housing Coalition, reforça o descompasso entre salário e custo de moradia: em 2025, seria necessário ganhar o equivalente a cerca de R$ 172 por hora para arcar com o aluguel de um imóvel modesto de dois quartos, e cerca de R$ 144 por hora para um de um quarto. São valores muito acima do que recebem profissões comuns, como cuidadores, assistentes administrativos e trabalhadores da área de alimentação. Órgãos oficiais americanos, como o Census Bureau e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano, classificam como "severamente comprometidas" as famílias que gastam metade ou mais da renda com moradia, categoria que já reúne mais de 21 milhões de famílias no país.

Quem mais está investindo nesse tipo de causa

O JPMorgan Chase não está sozinho nesse movimento. Outras grandes companhias também destinaram recursos filantrópicos relevantes para projetos habitacionais na Flórida, o que dá uma dimensão de como esse tipo de investimento social vem se tornando estratégico para empresas de grande porte.

EmpresaValor

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