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Data centers na Patagônia: por que a Argentina virou alvo de gigantes de tecnologia

07/09/2026 10:414 min de leituraAtualizado há 5 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A Patagônia, região no extremo sul da Argentina, virou destino cobiçado por empresas de tecnologia que precisam construir data centers, as estruturas que armazenam e processam dados para serviços digitais e inteligência artificial. O interesse é resultado de uma combinação pouco comum: temperaturas baixas que reduzem custos de refrigeração, energia renovável disponível, gás de xisto abundante e grandes extensões de terra ainda desocupadas. Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, onde projetos desse tipo enfrentam resistência de comunidades preocupadas com sobrecarga na rede elétrica e aumento nas contas de energia, os projetos argentinos avançam sem grande reação pública, já que o país ainda não tem experiência com instalações desse porte.

Para você que empreende ou acompanha o cenário de investimentos, esse movimento importa porque sinaliza uma mudança de percepção sobre a Argentina como destino de capital estrangeiro. O país, historicamente marcado pela instabilidade econômica, começou a atrair grandes investimentos em petróleo e mineração depois que o governo de Javier Milei criou o regime de incentivos RIGI, que oferece benefícios fiscais e mais previsibilidade regulatória. Agora, esse mesmo ambiente está sendo testado pelo setor de tecnologia.

O que está em jogo

Na província de Neuquén, a geradora de eletricidade Pampa Energia estuda construir um data center perto de uma usina termelétrica que já opera, aproveitando a proximidade com Vaca Muerta, uma das maiores reservas de gás de xisto do mundo. O projeto poderia consumir até 500 megawatts de energia. Segundo a empresa, o interesse de investidores surgiu de forma mais concreta neste ano, e a companhia já negocia preços de energia com possíveis parceiros, com expectativa de fechar acordos iniciais até o final de 2026. Antes de qualquer expansão maior, o plano é começar com um projeto piloto entre 20MW e 40MW.

A OpenAI já anunciou parceria com a empresa argentina Sur Energy para construir um data center movido a energia limpa, com investimento previsto de até US$ 25 bilhões e capacidade de até 500MW. Outras iniciativas também avançam: a FlexDomes, empresa americana especializada em data centers sustentáveis, avalia uma primeira etapa de 120MW em Neuquén, com custo estimado em US$ 1,4 bilhão. Já na província de Chubut, a polonesa Green Capital planeja um projeto que começaria em 300MW, custando US$ 3 bilhões, mas que poderia crescer até 3.000MW no futuro, usando energia eólica e solar própria para não depender da rede nacional.

Projetos de data centers em análise na Argentina
US$ 25 biOpenAI e Sur Energyprojeto de até 500MW com energia limpa.
US$ 1,4 biFlexDomes em Neuquénprimeira etapa com 120MW, usando gás de Vaca Muerta.
US$ 3 biGreen Capital em Chubutfase inicial de 300MW, com potencial de chegar a 3.000MW.

Quem pode ser afetado

O movimento não fica restrito à Patagônia. Na província de Buenos Aires, a Pampa Energia já se comprometeu a fornecer 30MW para a primeira fase de um data center em uma zona de livre comércio na cidade de Bahía Blanca, região conhecida pela energia eólica, com expectativa de acordos finais de investimento até o final de 2026. Empresas que já alugam espaço em data centers na Argentina também estão avaliando expansão, diante de possibilidades que antes não eram viáveis economicamente.

Vale lembrar que a Argentina ainda está atrás de vizinhos como Chile, onde a Amazon avança com um megadata center, e Uruguai, onde a Alphabet constrói uma instalação própria. O Paraguai também anunciou planos de data center com apoio de Taiwan. Por isso, especialistas do setor apontam que ter energia disponível não é suficiente: é preciso infraestrutura de conectividade, estabilidade regulatória e confiança de longo prazo para atrair esse tipo de investimento pesado.

O que observar daqui para frente

Um ponto de atenção é a eleição presidencial argentina de 2027. Parte dos investidores prefere aguardar esse momento antes de assumir compromissos maiores, de olho em uma proposta do governo Milei chamada Super RIGI, que ampliaria ainda mais os benefícios fiscais para grandes projetos. Se essa segurança jurídica se confirmar, a expectativa é que mais capital estrangeiro se sinta confortável para investir no país.

Para empresários brasileiros que atuam em setores ligados a energia, infraestrutura, tecnologia ou consultoria internacional, esse cenário argentino é um sinal de que a região está se reposicionando no mapa de investimentos globais em tecnologia. Ainda que os projetos estejam em fase inicial e concentrados na Argentina, o movimento reforça uma tendência mais ampla na América do Sul: a disputa por energia limpa e barata como diferencial competitivo para atrair grandes investimentos digitais, algo que pode gerar oportunidades de negócio, parcerias comerciais e novos fluxos de capital na região como um todo.

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