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Denza B5: como o SUV chinês virou líder do mercado premium no Brasil

08/09/2026 05:005 min de leituraAtualizado há 4 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você acompanha o mercado de carros de luxo no Brasil, um dado chama atenção: pelo terceiro mês seguido, o modelo mais vendido do segmento premium não é europeu, é chinês. O Denza B5, SUV da marca de luxo do grupo BYD, fechou agosto na liderança, mesmo com o mercado premium como um todo em retração. Para empresários e gestores de concessionárias, frotas ou negócios ligados ao setor automotivo, esse movimento é um sinal de que o mapa da concorrência no segmento de luxo está mudando mais rápido do que parecia.

O que mudou no mercado premium

Em agosto, o Denza B5 somou 677 unidades emplacadas e ficou com 18% de participação entre os modelos premium, superando o BMW X1, que vendeu 509 unidades. Olhando por marca, a BMW ainda é a líder isolada do segmento, com 1.255 veículos emplacados no mês e 33,4% de participação, além de quatro modelos entre os dez mais vendidos. Mas a Denza aparece logo atrás, na segunda posição entre as fabricantes, com 683 unidades e 18,2% do mercado. O detalhe mais relevante é o avanço das marcas chinesas como grupo: elas já respondem por 20,1% do mercado premium brasileiro, o maior porcentual já registrado. Um ano antes, essa participação era de apenas 1,3%.

Esse crescimento chinês acontece justamente em um mês difícil para o segmento de luxo. O mercado premium encerrou agosto com 3.757 emplacamentos, queda de 7% em relação a julho e de 16% frente a agosto de 2025. No acumulado do ano, a retração é de 6,4%, somando 31.601 unidades. O contraste é ainda mais evidente quando se compara com o mercado de carros em geral, que cresceu 22% em agosto e 19,3% no ano. Ou seja, enquanto o mercado total de veículos avança, o premium recua, e é dentro dessa retração que a Denza consegue crescer.

Mercado premium em agosto
3.757unidades vendidasQueda de 16% em relação a agosto de 2025.
677unidades do Denza B5Modelo líder do segmento, com 18% de participação.
20,1%participação das marcas chinesasAnte apenas 1,3% um ano antes.

O canal de venda também mudou de perfil. As vendas diretas, que costumam incluir frotas e negociações corporativas, representaram 22,5% do mercado premium em agosto, abaixo dos 26,1% de julho e dos 27,6% de agosto do ano passado. Foram 844 unidades por esse canal, uma queda de 19,8% frente a julho. Já o showroom, ou seja, a venda direta ao consumidor final na loja, somou 2.913 emplacamentos no mês. Para quem vende ou compra veículos premium em volume, esse dado indica que o comprador de frota está mais retraído do que o consumidor final neste momento.

Por que a Denza está ganhando espaço

Segundo Werner Schaal, diretor comercial da Denza no Brasil, o resultado não é fruto apenas do produto em si. Ele afirma que houve um trabalho de expansão de rede, estratégia de marketing, eventos de experiência para o cliente e trabalho junto aos concessionários. Para ele, a sequência de três meses na liderança confirma que a marca conseguiu se firmar em um território historicamente dominado por marcas europeias tradicionais.

A estratégia da marca passa por dois pontos que ajudam a explicar o avanço: tecnologia como diferencial e o peso do grupo BYD por trás da marca. Como a Denza é nova no Brasil e não tem décadas de reputação como as concorrentes europeias, ela aposta em recursos tecnológicos e eletrificação para chamar atenção, em vez de disputar apenas pela tradição de marca. Fazer parte de um grupo grande e conhecido, segundo Schaal, ajuda a reduzir a resistência inicial do consumidor mais tradicional, que costuma preferir marcas já estabelecidas. O boca a boca também tem peso relevante nesse mercado, que é relativamente pequeno: uma experiência positiva de um cliente se espalha rápido entre outros compradores do mesmo perfil.

O avanço do B5 também está ligado a duas tendências que já vinham se consolidando no premium brasileiro: a preferência por SUVs e o crescimento da eletrificação. Em agosto, os SUVs representaram 74,2% do mercado premium, contra 58% um ano antes. Os veículos eletrificados somaram 53,7% do segmento, e dentro deles os híbridos plug-in lideraram, com 54,6% de participação entre os eletrificados premium. A Denza domina essa tecnologia especificamente: o B5 respondeu por 61,5% de todos os híbridos plug-in de luxo vendidos no mês.

O que vem a seguir

Até pouco tempo, a Denza dependia praticamente de um único modelo no Brasil, o B5, vendido por R$ 436.000. Agora a marca amplia o portfólio: o Z9 GT já começou a ser vendido, ainda com emplacamentos graduais, e o D9 entrou em fase de pré-venda, com primeiras entregas previstas para o mês seguinte. O Z9 GT traz um posicionamento mais alto e estreia no Brasil a tecnologia Flash Charge, que promete carregar até 97% da bateria em 9 minutos. A marca planeja instalar 1.000 carregadores ultrarrápidos até o fim de 2027, distribuídos entre concessionárias e locais frequentados pelo público de alto poder aquisitivo, como condomínios de campo e trajetos entre capitais no Nordeste.

Também está prevista a chegada, ainda no segundo semestre, do Denza Z, um esportivo elétrico de alto desempenho apresentado no Goodwood Festival of Speed, no Reino Unido, com preço estimado em cerca de R$ 1,5 milhão. Para quem observa o setor, esse movimento de expansão de portfólio sugere que a Denza não pretende depender de um único modelo por muito tempo, e que a disputa pelo mercado premium brasileiro deve se intensificar nos próximos meses, com mais concorrência tecnológica entre marcas chinesas e europeias.

Para gestores e empresários ligados ao setor automotivo, o recado prático é

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