Crise na Fifa: o que a gestão de crise ensina para empresas
03/08/2026 13:573 min de leituraAtualizado há 31 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Uma crise institucional está tomando conta da Fifa. Federações de futebol de Sérvia, Suécia e País de Gales retiraram publicamente o apoio à reeleição do presidente Gianni Infantino, e a Inglaterra deve seguir o mesmo caminho. O motivo é o fracasso de um plano ambicioso: a entidade pretendia vender cerca de 20% de participação em uma nova organização responsável pela Copa do Mundo e outras competições, buscando arrecadar até US$ 4,2 bilhões junto a investidores privados. O projeto foi abandonado diante da forte resistência de federações, confederações e outros stakeholders do futebol mundial.
Embora o caso envolva o universo esportivo, ele traz lições valiosas para qualquer empresário ou gestor. O que está em jogo não é apenas dinheiro, mas a confiança que sócios, parceiros e representantes depositam na liderança de uma organização. Quando decisões estratégicas são tomadas sem alinhamento adequado com as partes interessadas, o risco de reação negativa é grande, mesmo que a intenção inicial pareça positiva para o caixa da instituição.
O que aconteceu
O plano de venda de participação foi engavetado após pressão de confederações regionais e federações nacionais, que consideraram o processo mal conduzido. Pouco depois, a Uefa (que representa o futebol europeu) e a Concacaf (América do Norte e Central) declararam publicamente ter perdido a confiança na liderança de Infantino. Na sequência, federações nacionais começaram a retirar o apoio formal à sua candidatura para um novo mandato à frente da Fifa, previsto para o período de 2027 a 2031.
A Federação de Futebol do País de Gales foi a primeira a se posicionar oficialmente, citando falhas em governança, processos internos, comunicação e gestão de relacionamento com as partes interessadas como motivos para a perda de confiança. A Federação Inglesa também sinalizou que fará o mesmo. O caso ainda pode ganhar contornos jurídicos: a Uefa enviou uma ordem de preservação de documentos, medida que impede a destruição de e-mails e arquivos diante da possibilidade de uma investigação futura.
Por que isso importa para o seu negócio
Se você administra uma empresa, participa de um conselho ou lidera uma associação, o episódio ilustra um risco que vai muito além do futebol: decisões estratégicas tomadas sem transparência e sem escuta adequada dos sócios ou parceiros podem custar caro, mesmo quando o objetivo é gerar receita ou fortalecer o caixa. A perda de confiança na liderança costuma ser mais difícil de reverter do que um prejuízo financeiro pontual.
Outro ponto relevante é a comunicação de crise. A forma como a Fifa conduziu o anúncio e o recuo do plano parece ter agravado a insatisfação, em vez de contê-la. Para empresas de qualquer porte, isso reforça a importância de ter processos claros de governança, prestação de contas e diálogo constante com sócios, investidores, clientes e colaboradores, especialmente antes de decisões que envolvam mudanças estruturais ou entrada de novos capitais.
Como se preparar
Vale usar o caso como um espelho para revisar práticas internas. Antes de propor mudanças relevantes, como venda de participação societária, entrada de investidores ou reestruturações, é fundamental mapear os interesses de todas as partes envolvidas e construir consenso, não apenas anunciar decisões já fechadas. Documentar processos, manter comunicação transparente e ter um plano de contingência para lidar com resistências são atitudes que reduzem o risco de crises de confiança dentro da própria organização.
O desfecho do caso Infantino ainda está em aberto, com o Congresso da Fifa marcado para março, no Marrocos, quando a disputa pela reeleição deve ficar mais clara. Independentemente do resultado esportivo, a lição de gestão já está dada: governança sólida e comunicação transparente não são detalhes burocráticos, são a base que sustenta a confiança de quem decide continuar (ou não) ao seu lado.
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