Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Lucro Real, atualizado a cada mudança de norma.
Se você tem clientes que investem ou movimentam criptoativos, como Bitcoin e stablecoins, sabe que essa é uma área ainda pouco dominada por muitos escritórios contábeis. Operações em corretoras internacionais, carteiras digitais e transações descentralizadas trazem um nível de complexidade que as ferramentas tradicionais de contabilidade não foram feitas para resolver. É justamente esse problema que motivou duas contadoras brasileiras a desenvolver uma tecnologia própria voltada para esse mercado.
Ana Paula Rabello, conhecida nas redes sociais como a Contadora das Baleias do Bitcoin, e Helen Gomes, especialista em processos e governança corporativa, são as fundadoras do Núcleo CriptoCalc. A proposta da dupla é simples de entender, mas ambiciosa na prática: criar uma solução que combine conhecimento contábil, tecnologia e inteligência artificial para tornar o trabalho com criptoativos algo acessível no dia a dia dos escritórios, e não apenas uma atividade restrita a especialistas.
Por que isso importa para o seu negócio
Ana Paula construiu sua trajetória na contabilidade e na perícia ao longo de mais de 30 anos, até migrar integralmente para a área de tributação de criptoativos. Hoje atende algumas das maiores contas de investidores de criptoativos do país por meio de sua boutique contábil, o Declarando Bitcoin, e acumula mais de meio milhão de seguidores em redes como Instagram, TikTok e YouTube. Já Helen trouxe duas décadas de experiência em gestão, auditoria, planejamento tributário e governança corporativa, construída à frente da Valorem Empresarial e Contabilidade, em Sorocaba (SP).
As duas se conheceram quando Helen ingressou, em 2023, em uma formação sobre criptoativos oferecida por Ana Paula. A relação entre professora e aluna evoluiu para uma parceria profissional em 2025, unindo o conhecimento técnico sobre operações com criptomoedas à experiência em processos e controles. Dessa combinação nasceu o Núcleo CriptoCalc.
O principal desafio que a ferramenta busca resolver não é a falta de tecnologia, mas o fato de que as soluções já existentes no mercado foram construídas para atender operações internas altamente especializadas, difíceis de reproduzir em outros escritórios. Para driblar isso, as fundadoras recorreram à inteligência artificial como apoio no desenvolvimento, traduzindo anos de experiência prática em funcionalidades que podem ser usadas por profissionais que ainda estão começando a lidar com esse tipo de operação.
Organiza transações entre diferentes corretoras e carteiras digitais.
Verifica se as informações apresentadas correspondem à realidade patrimonial do cliente.
Acompanha a origem e o destino dos ativos ao longo do tempo.
Aponta divergências para que o contador possa investigá-las com mais segurança.
O que muda na rotina dos escritórios
Para as fundadoras, a lógica é a mesma que já existe em outras frentes da contabilidade: assim como um escritório usa sistemas para escrituração, apuração de tributos e folha de pagamento, também vai precisar de ferramentas específicas para atender clientes que possuem ou movimentam criptoativos. A ideia não é que o CriptoCalc substitua o contador, mas que ofereça recursos para que ele trabalhe com mais eficiência e segurança diante de um tipo de informação patrimonial que exige investigação, e não apenas importação de extratos.
O sistema já está em uso interno pelas fundadoras e segue em fase de aprimoramento. A previsão é que seja disponibilizado pela primeira vez a contadores de fora do Declarando Bitcoin no início de 2027. O projeto também prevê uma proposta de formação profissional, já que, na visão das criadoras, tecnologia e conhecimento técnico precisam caminhar juntos para que o escritório consiga, de fato, atender esse tipo de cliente com segurança.
Como se preparar
Se o seu escritório já atende ou pretende atender clientes com criptoativos, vale começar a se organizar antes que essa demanda cresça ainda mais. Isso inclui entender melhor como funcionam as movimentações entre corretoras e carteiras, buscar capacitação específica sobre tributação de criptoativos e acompanhar o surgimento de ferramentas como o CriptoCalc, que prometem facilitar esse trabalho sem exigir que você desenvolva uma estrutura técnica própria do zero. Para as fundadoras, o contador que não se preparar para essa nova realidade patrimonial corre o risco de perder espaço profissional à medida que o mercado de criptoativos continua crescendo.
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