Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você ainda enxerga o contador apenas como quem entrega guias e cumpre prazos, é hora de rever esse conceito. A digitalização está mudando o papel da contabilidade nas empresas, e ferramentas de Business Intelligence (BI) têm um peso importante nessa transformação. O caso da Gumz Contabilidade, escritório catarinense com quase 50 anos de história, mostra na prática como isso funciona e por que pode interessar diretamente ao seu negócio.
A Gumz atende cerca de 1,1 mil empresas com aproximadamente 100 colaboradores. Ao adotar o BI, o escritório passou a transformar dados contábeis, antes espalhados em planilhas e relatórios em PDF, em painéis visuais e indicadores que facilitam o acompanhamento do desempenho do negócio. Na prática, isso significa que você, empresário, pode enxergar com mais clareza para onde está indo o seu dinheiro e tomar decisões com base em informações organizadas, não apenas em números soltos.
O que muda para quem contrata contabilidade
Durante muito tempo, o trabalho contábil ficou concentrado em cumprir obrigações fiscais, trabalhistas e legais, atividades essenciais, mas que não necessariamente ajudavam o empresário a entender o rumo do negócio. Com a chegada do BI, essa lógica começa a mudar. Os dados que antes serviam apenas para compor um balanço passam a ser organizados em painéis que permitem detalhar contas, comparar o que foi planejado com o que realmente aconteceu e acompanhar indicadores ao longo do tempo.
Isso quer dizer que a contabilidade deixa de ser vista só como uma obrigação a ser cumprida e passa a funcionar como uma ferramenta de gestão. Na Gumz, o BI já integra os pacotes comerciais oferecidos aos clientes, junto com análise de indicadores e reuniões de acompanhamento. Ou seja, o serviço contratado passa a incluir não só a execução de rotinas contábeis, mas também apoio direto na tomada de decisão.
Ganho de tempo e de escala para os escritórios
Um dos efeitos mais concretos dessa mudança está na produção de relatórios. Segundo Gabriel Ferrari, coordenador de consultoria da Gumz, um relatório que antes podia levar até cinco horas para ser montado manualmente passou a ser feito em cerca de uma hora em determinadas situações. Essa economia de tempo não ficou só no papel: a área de consultoria do escritório passou a atender aproximadamente o dobro de clientes em relação ao período anterior, sem precisar aumentar a equipe na mesma proporção.
Para Gabriel Capano, CEO da HubCount, empresa cuja tecnologia é usada pela Gumz, essa mudança reflete uma nova expectativa dos empresários em relação ao contador. Segundo ele, não basta mais informar que uma obrigação foi cumprida: o cliente quer entender o que os números revelam sobre o negócio e quais decisões pode tomar a partir deles. Na visão de Capano, o contador que consegue traduzir dados em orientação estratégica passa a ocupar um espaço mais relevante dentro da empresa.
Vale destacar que o cumprimento das obrigações fiscais e trabalhistas continua sendo a base do trabalho contábil, isso não muda. O que se transforma é o que vem além disso: a capacidade de usar os mesmos dados que já existiam para gerar análises mais rápidas e úteis para quem administra o negócio.
Por que isso tende a ganhar ainda mais força
Esse movimento deve se intensificar com mudanças como a Reforma Tributária, que exigem das empresas mais capacidade de interpretação e planejamento. Nesse contexto, escritórios que usam tecnologia apenas para automatizar tarefas internas aproveitam só parte do potencial disponível. O diferencial está em transformar dados em informação e informação em orientação prática para o dia a dia da empresa.
Se você é empresário ou gestor, o recado prático é este: vale a pena conversar com seu contador sobre como os dados da sua empresa estão sendo usados hoje. Relatórios organizados, indicadores acompanhados de perto e reuniões de análise periódicas podem fazer diferença real na forma como você enxerga o negócio e decide os próximos passos, sem abrir mão de nada do que já é obrigatório entregar ao Fisco.
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