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Construção civil: juros sobem, mas vendas e empregos seguem em alta

15/09/2026 18:474 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

Se você atua na construção civil ou depende desse setor no seu negócio, vale ficar de olho em um cenário de contrastes: os juros do financiamento imobiliário atingiram o maior nível do ano, mas isso ainda não freou as vendas nem a geração de empregos. É o que mostra o relatório setorial do BB-BI, braço de investimentos do Banco do Brasil, divulgado nesta terça-feira (15).

Segundo o Banco Central, a taxa média de juros para financiamento imobiliário de pessoa física, considerando todas as operações, chegou a 11,3% ao ano em julho, alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,8 ponto no ano. Quando o cálculo considera apenas operações com taxas de mercado, a taxa ficou em 14,3% ao ano. Já para pessoas jurídicas, a taxa subiu para 12,6% ao ano, alta de 0,4 ponto tanto no mês quanto no ano. A inadimplência também deu sinais de piora: 1,3% entre pessoas físicas e 1,2% entre pessoas jurídicas, ambas em leve alta.

O que está sustentando o setor

Apesar do custo mais alto para financiar um imóvel, o volume de vendas de unidades residenciais de médio e alto padrão continua superior ao de lançamentos nos últimos 12 meses. Isso fez o estoque desse tipo de imóvel cair quase 10% na comparação com o ano anterior, sinal de que a demanda nesse público, mais sensível aos juros, ainda resiste.

Já no segmento econômico, impulsionado principalmente pelo programa Minha Casa Minha Vida, o ritmo é ainda mais forte: segundo a Abrainc, foram 191,4 mil unidades lançadas nos últimos 12 meses, alta de 10,7% ante o mesmo período de 2025, e esse segmento respondeu por 85,4% de todos os lançamentos residenciais do país. As vendas totais somaram 198,5 mil unidades, crescimento de 3,3% na base anual.

Construção civil em números
11,3% a.a.juros PF em julhomaior patamar do ano no financiamento imobiliário.
9,8%queda no estoqueunidades de médio e alto padrão em relação ao ano anterior.
21,7%dos empregos líquidosvieram da construção civil no Caged de julho.

Os custos de construção também merecem atenção de quem gerencia obras ou orçamentos no setor: depois de pressões relacionadas a materiais em razão de fatores geopolíticos que afetaram os preços do petróleo, o índice que mede esses custos (INCC-M) mostrou desaceleração nessa frente, mas a mão de obra segue puxando o índice para cima, com custos consistentemente acima da inflação ao consumidor. Na prática, isso significa que, mesmo com alívio parcial em materiais, construir continua ficando mais caro por causa do custo de contratação e manutenção de equipes.

Confiança oscila, mas emprego resiste

O Índice de Confiança da Construção, medido pela FGV Ibre, recuou para 91,7 pontos em julho, uma leve queda de 0,6 ponto ante o mês anterior, embora estável na comparação com agosto de 2025. Já o Nível de Utilização da Capacidade da Construção interrompeu três meses seguidos de queda e subiu para 78,8%, o maior patamar desde outubro de 2025. Na sondagem da CNI, o Nível de Atividade avançou levemente, e as expectativas para os próximos seis meses voltaram a ficar acima da linha neutra de 50 pontos, depois de terem caído abaixo dela pela primeira vez desde dezembro de 2023.

No mercado de trabalho, o setor segue como um dos principais motores de geração de vagas no país. Segundo o Caged, a construção civil respondeu por 12,7 mil dos 58,6 mil postos líquidos criados no Brasil em julho, o equivalente a 21,7% do saldo nacional do mês. Na janela de 12 meses, o setor respondeu por 10,65% de todos os empregos formais gerados no país, a maior participação desde abril de 2024.

Para quem administra empresas ligadas à construção, seja como incorporador, fornecedor, prestador de serviço ou empregador do setor, o cenário pede atenção redobrada ao planejamento financeiro. O crédito mais caro pode afetar o ritmo de novos projetos e o poder de compra do cliente final, especialmente no segmento de médio e alto padrão. Ao mesmo tempo, a geração de empregos ainda aquecida e o estoque baixo de imóveis prontos indicam que a demanda não desapareceu, apenas ficou mais seletiva. Monitorar de perto os custos de mão de obra e as condições de financiamento oferecidas aos seus clientes pode ser o diferencial para manter o fôlego do negócio nos próximos meses.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.