Compras feitas por IA: bancos alertam para risco maior de golpes
22/09/2026 17:353 min de leituraAtualizado há 8 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um grupo de grandes bancos internacionais, incluindo NatWest, Bank of America, ING, Capital One e Commonwealth Bank of Australia, alertou que o uso crescente de assistentes de inteligência artificial para fazer compras online pode abrir brechas para golpes, fraudes e problemas de privacidade. O alerta foi feito enquanto essas instituições definem princípios para orientar o desenvolvimento dessa tecnologia, que já é promovida por empresas como OpenAI, Google, Meta e Anthropic como o futuro das compras digitais.
Se você vende online ou depende de canais digitais para atrair clientes, esse movimento merece atenção. A ideia por trás dos chamados "agentes de IA" é que o próprio consumidor delegue ao robô a tarefa de pesquisar, escolher e até pagar por produtos em seu nome. Isso muda a forma como o cliente chega até o seu negócio, e também abre novas portas para fraudadores.
O que muda
Segundo o relatório dos bancos, os consumidores estão animados com a praticidade prometida pelos agentes de IA, mas ainda não confiam totalmente na tecnologia. O medo é que o assistente compre o produto errado, gaste mais do que deveria ou, em casos mais graves, seja usado por golpistas para desviar dinheiro ou dados. Muita gente também não sabe se terá proteção nem a quem recorrer caso algo dê errado durante uma compra feita por um robô.
Um dos pontos mais delicados apontados pelos bancos é o risco de esses agentes solicitarem dados de cartão do cliente e os digitarem diretamente em sites, ou até direcionarem o pagamento para formas menos seguras, com menos proteção contra fraude. Ou seja, o problema não é só golpe externo: a própria ferramenta pode, sem querer, expor o consumidor a mais risco.
Quem é afetado
O movimento já é real: a varejista britânica John Lewis relatou que a fatia de buscas originadas por agentes de IA saltou de 0,3% para 2,5% em um ano, e a tendência é de aceleração. Isso mostra que empresas de todos os portes que vendem pela internet, inclusive no Brasil, podem passar a receber uma parcela crescente de "clientes" que na verdade são robôs comprando em nome de pessoas reais.
Para o empresário brasileiro, isso significa repensar a experiência de venda: seu site, sua loja virtual e seus canais de atendimento precisam estar preparados não só para pessoas, mas também para interações automatizadas feitas por esses assistentes. Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade de garantir que os dados de pagamento dos clientes estejam protegidos, já que qualquer falha de segurança pode ser explorada por um agente mal configurado ou por golpistas que se aproveitem dessa nova porta de entrada.
Como se preparar
Os bancos vão levar aos formuladores de políticas públicas uma série de propostas para reduzir esses riscos. Entre elas estão a exigência de que fique claro quando uma compra envolve um agente de IA, mais transparência sobre como essas ferramentas tomam decisões e regras de segurança para proteger dados dos clientes. Também defendem que consumidores e comerciantes tenham liberdade para escolher quais sistemas de IA usar, e que essas plataformas consigam conversar entre si.
Enquanto essas regras ainda não existem no Brasil, o caminho mais seguro para o seu negócio é reforçar desde já os processos de segurança digital, revisar como seu sistema de pagamentos trata dados sensíveis e ficar atento a sinais de comportamento automatizado suspeito nos canais de venda. Antecipar-se a essa discussão pode evitar dor de cabeça mais à frente, tanto com fraudes quanto com a confiança do seu cliente.
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