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30/07/2026 05:00· 4 min de leitura· Reforma tributária
Atualizado há 2 horas

Como CEOs Estão Preparando Empresas para a Reforma Tributária

Como CEOs Estão Preparando Empresas para a Reforma Tributária
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A reforma tributária entrou numa fase que exige decisão de quem comanda o negócio, não só da equipe fiscal ou de tecnologia. Empresas de diversos portes já começaram a revisar contratos de longo prazo, critérios de escolha de fornecedores, política de preços, projeções de caixa e até cláusulas de operações de compra e venda de empresas. O motivo é simples: o novo sistema de IBS e CBS muda a forma como o dinheiro entra e sai do caixa, como o crédito tributário é aproveitado e como a cadeia de fornecimento precisa ser gerenciada.

O calendário de adaptação técnica das notas fiscais eletrônicas, que previa exigência de preenchimento dos campos de IBS e CBS a partir de agosto, com alíquota-teste de 1%, está sendo revisto pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS. Um novo cronograma, com prazos específicos para cada tipo de documento fiscal, ainda será divulgado. Até lá, o calendário anterior perde força como referência. Mas isso não significa que sua empresa possa esperar para se preparar: a mudança de fundo, que envolve muito mais que emitir nota fiscal corretamente, já está em curso.

O que muda na prática

O IBS, administrado por estados e municípios, e a CBS, de competência federal, vão formar um modelo de imposto sobre valor agregado. Em 2026, a apuração desses tributos terá caráter apenas informativo: quem cumprir as obrigações acessórias fica dispensado de recolher valores nesse período de testes. Mas o impacto financeiro mais forte chega nas etapas seguintes da transição, e é por isso que as empresas já estão se movimentando agora.

Um dos pontos mais sensíveis é o aproveitamento de créditos tributários. Pela nova legislação, o crédito de IBS e CBS depende, em regra, de o fornecedor ter efetivamente recolhido o tributo da etapa anterior. Isso significa que receber uma nota fiscal preenchida corretamente pode não ser mais garantia de crédito imediato. Na prática, a saúde fiscal do seu fornecedor passa a interferir diretamente no seu próprio caixa. Por isso, critérios como regularidade fiscal, capacidade financeira e histórico de cumprimento de obrigações tributárias tendem a pesar tanto quanto preço e prazo de entrega na hora de fechar contrato com um fornecedor.

Outra mudança relevante é o chamado split payment, mecanismo pelo qual a parcela de IBS e CBS pode ser separada no momento do pagamento e enviada diretamente ao Fisco, sem passar pelo caixa da empresa. A implementação será gradual, mas o efeito já preocupa quem trabalha com margens apertadas ou usa temporariamente esse dinheiro em caixa para pagar folha, fornecedores e outras despesas do dia a dia. O risco é um descompasso: o valor do tributo sai do caixa mais rápido, enquanto o crédito da compra correspondente pode demorar mais para ser liberado.

Quem sente o impacto primeiro

Empresas de pequeno e médio porte que fornecem para grandes companhias podem sentir o efeito mais cedo. A exigência de comprovar regularidade fiscal e financeira tende a ganhar peso nos processos de homologação de fornecedores, o que pode elevar o custo de continuar dentro de cadeias de fornecimento maiores. Negócios com contratos de longo prazo, como fornecimento, distribuição, construção, infraestrutura, locação e prestação contínua de serviços, também precisam rever cláusulas de preço fechado, reajuste, repasse de tributos e reequilíbrio econômico-financeiro, já que esses instrumentos costumam ter sido redigidos pensando em PIS/Cofins, ICMS e ISS, tributos que serão substituídos.

Operações de fusão e aquisição também mudaram de escopo. A análise de uma empresa que está sendo comprada não pode mais olhar só para passivos tributários do passado: agora entra na conta a capacidade dessa empresa de operar no novo sistema, incluindo qualidade dos créditos, dependência de benefícios fiscais, regularidade dos fornecedores e o efeito do split payment sobre o capital de giro. Isso pode alterar o valor atribuído ao negócio e as condições da transação, incluindo cláusulas de ajuste de preço, garantias e indenizações.

Como se preparar

O primeiro passo é simular cenários de caixa considerando a nova dinâmica de recebimento e pagamento de tributos, incluindo o efeito gradual do split payment. Também vale renegociar prazos com clientes e fornecedores e avaliar se será necessário contratar novas linhas de crédito para cobrir o período de ajuste. Rever contratos de longo prazo antes que eles se tornem um problema é outra medida recomendada, assim como recalcular preços considerando que IBS e CBS serão cobrados "por fora", sem ficar embutidos no valor como acontece hoje com parte dos tributos atuais.

Vale também revisar os critérios usados para homologar fornecedores, incluindo comprovações periódicas de recolhimento de tributos, auditorias e garantias contratuais que protejam sua empresa contra eventual perda de crédito. Se você está envolvido em processo de compra ou venda de empresa, é hora de incluir na diligência pontos específicos sobre a exposição da empresa-alvo ao novo modelo de crédito tributário. O mais importante é entender que a reforma não termina quando o sistema de emissão de nota fiscal estiver ajustado: contratos, política de preços, relação com fornecedores e projeções de caixa também precisam ser repensados para a nova realidade tributária.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.

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