Como calcular o lucro real da sua empresa (e não só o faturamento)
14/10/2026 11:004 min de leituraAtualizado há 7 horas
Vale para: Lucro Real
Fonte: IOB Notícias · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Você já fechou o mês com a sensação de que vendeu bem, mas o dinheiro no caixa não bateu com essa impressão? Isso acontece porque muito empresário confunde faturamento com lucro. Olhar só para o valor que entra nas vendas, sem descontar impostos, custos e despesas, pode esconder um prejuízo real. Saber calcular o lucro de forma correta é o que evita essa surpresa no fim do mês.
Lucro não é a mesma coisa que faturamento
Faturamento é a soma de tudo o que sua empresa vendeu em um período, o valor que aparece nas notas fiscais emitidas, antes de qualquer desconto. Já o lucro é o que sobra depois de pagar os impostos sobre as vendas, o custo do que foi vendido e todas as despesas para manter o negócio funcionando, como aluguel, energia, salários e seu próprio pró-labore.
Na prática, uma empresa pode faturar R$ 30 mil em um mês e lucrar apenas R$ 2,4 mil, ou até fechar no vermelho. Por isso, acompanhar só o faturamento passa uma falsa sensação de que o negócio vai bem, quando na verdade a margem pode estar muito apertada ou até negativa.
O passo a passo para calcular o lucro
A forma mais organizada de chegar ao lucro real é montar o que se chama de DRE simplificado, a Demonstração do Resultado do Exercício. É uma conta em cadeia: de cada linha você tira um custo ou despesa, até sobrar o que realmente é seu. O processo tem cinco etapas:
Some todas as vendas do mês usando as notas fiscais emitidas como fonte, para nenhuma venda ficar de fora.
Tire os impostos sobre as vendas e eventuais devoluções. O resultado é a receita líquida.
Para quem revende, é o valor pago pelas mercadorias; para quem fabrica, é matéria-prima e produção. Sobra o lucro bruto.
Entram aqui despesas fixas, como aluguel, internet, contador, salários e pró-labore, e variáveis, como frete, combustível e taxa da maquininha. O resultado é o lucro líquido.
Divida o lucro líquido pela receita bruta e multiplique por 100 para saber o percentual que realmente fica com você.
Um exemplo ajuda a entender na prática. Imagine uma pequena loja que revende peças de automóvel e fatura R$ 30 mil em um mês. Depois de descontar impostos, custo das mercadorias e todas as despesas fixas e variáveis, sobra um lucro líquido de R$ 2.400. A margem de lucro, nesse caso, é de 8%: de cada R$ 100 vendidos, apenas R$ 8 ficam de fato com a empresa.
Esse exemplo explica também por que uma venda que parece lucrativa pode não ser. Comprar uma peça por R$ 50 e vendê-la por R$ 75 dá a impressão de um ganho de R$ 25. Mas se o deslocamento para buscar a peça custou R$ 30 em combustível, o resultado já é um prejuízo de R$ 5. Deslocamento, tempo de trabalho e contas fixas também saem do caixa, e cada um desses gastos precisa entrar na conta.
Como usar a margem de lucro para definir o preço de venda
A margem de lucro é o percentual do preço de venda que você quer que vire lucro de verdade. Para chegar ao preço certo, primeiro descubra o custo real do produto, somando o valor de compra e a parte das despesas que cabe a ele. No exemplo da peça, o custo de compra é R$ 50, mais R$ 30 de combustível e R$ 10 de despesas fixas rateadas, totalizando R$ 90 de custo real.
Um erro comum nessa hora é simplesmente somar o percentual de margem desejado ao custo, em vez de calculá-lo sobre o preço de venda. Se a meta é 10% de margem e você soma R$ 9 aos R$ 90 de custo, o preço final fica em R$ 99, mas esses R$ 9 representam pouco mais de 9% do preço, não os 10% planejados. É R$ 1 a menos por peça vendida, e em 500 peças por mês isso significa R$ 500 a menos no caixa.
Não existe uma margem de lucro ideal única, porque ela depende do segmento, do volume de vendas e da concorrência. Mas vale uma regra para qualquer negócio: quando a margem está apertada, revise o preço antes de tentar vender mais, porque aumentar o volume com margem baixa multiplica o trabalho, não o lucro. Comece comparando com o preço do concorrente, já que cobrar muito acima do mercado afasta o cliente, e depois faça a conta item por item, pois uma margem média boa pode esconder um produto que vende bastante e dá prejuízo em cada unidade.
Para que esse cálculo reflita a realidade, a receita precisa estar completa e organizada. Quando todas as vendas saem com nota fiscal, o faturamento do mês fica registrado automaticamente e pronto para entrar no DRE, sem depender de anotações soltas ou de memória. Ter esse controle facilita a vida na hora de montar a demonstração de resultado e tomar decisões sobre preços com mais segurança.
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