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Como a rede argentina de sorvetes Lucciano's expande no Brasil e no mundo

08/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Uma rede de sorvetes artesanais nascida na Argentina virou referência internacional em expansão de franquias, e o modelo por trás desse crescimento traz lições práticas para quem pensa em investir ou já atua no setor de alimentação no Brasil. A Lucciano's, criada por Christian Otero, saiu de duas lojas em Mar del Plata para 123 unidades em três continentes, faturando cerca de US$ 100 milhões (R$ 560 milhões) por ano. A meta agora é chegar a 154 lojas até o fim do ano, com foco especial de expansão no Brasil, no México e no Oriente Médio.

O que sustenta esse crescimento

O caso chama atenção porque foge da lógica comum em momentos de aperto no consumo: em vez de baixar preços ou cortar qualidade para competir, a empresa optou por manter o padrão do produto e do atendimento. Segundo Otero, quando o poder de compra do consumidor diminui, ele não deixa de gastar totalmente, mas corta as compras automáticas e passa a escolher com mais critério onde gastar seu dinheiro em pequenos prazeres do dia a dia. Essa leitura de comportamento ajudou a rede a crescer mesmo em um cenário econômico instável na Argentina, com faturamento das mesmas lojas 13,6% acima da inflação entre janeiro e julho, e crescimento total de 52% ao somar as novas unidades abertas.

Para empresários brasileiros, a lição prática é clara: em cenários de retração, cortar investimento em qualidade pode ser um erro estratégico. Elevar o padrão do serviço, mesmo custando mais no curto prazo, pode ser o que diferencia um negócio que sobrevive de um que cresce, especialmente em segmentos ligados a pequenos prazeres de consumo, como alimentação, café e sobremesas.

Quem pode se tornar franqueado

A Lucciano's opera com um modelo misto: metade das lojas fora da Argentina são próprias, metade são franquias, proporção parecida com a que a empresa mantém dentro do próprio país. Para quem tem interesse em entrar como franqueado, o investimento inicial médio gira em torno de US$ 250 mil (R$ 1,4 milhão), variando conforme o tamanho do imóvel escolhido. Existe ainda uma taxa de adesão à rede de US$ 35 mil (R$ 196 mil). A escolha do ponto comercial é do franqueado, mas precisa passar pela aprovação da empresa antes de ser fechada.

Números da expansão internacional
US$ 100 milhõesfaturamento anualreceita global da rede em dólares, cerca de R$ 560 milhões.
154 lojasmeta até o fim do anocrescimento a partir das atuais 123 unidades em três continentes.
US$ 250 milinvestimento médio por franquiavalor inicial, variável conforme o tamanho do imóvel.
10 a 16 mesesretorno do investimento na Argentinaprazo bem mais curto do que em mercados como os Estados Unidos.

O que muda ao operar fora do país de origem

A experiência da rede nos Estados Unidos mostra um alerta importante para qualquer negócio brasileiro que sonhe em internacionalizar operações: a burocracia local pode custar muito mais caro do que o esperado. Segundo Otero, montar uma unidade no país custa entre oito e dez vezes mais do que na Argentina, e até três vezes mais do que na Europa, podendo exigir entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões por loja principal. Boa parte desse custo vem de exigências invisíveis ao consumidor final, como adequações estruturais em encanamento e instalação de caixas de gordura industriais, além de processos de licenciamento que podem travar a obra por meses.

Em Nova Jersey, por exemplo, a empresa enfrentou entraves do sindicato local da construção civil, que exigia autorizações sucessivas para cada mudança no projeto, dobrando o prazo da obra e elevando os custos. Como resultado, o retorno do investimento nos Estados Unidos passou a ser projetado entre três e quatro anos, enquanto na Argentina esse prazo é de apenas 10 a 16 meses. A diferença mostra como o ambiente regulatório de cada país pode ser tão decisivo para o sucesso de um negócio quanto a qualidade do produto em si.

O que isso significa para quem pensa em expandir

Para gestores de pequenos e médios negócios, o caso da Lucciano's reforça um ponto central: crescer para fora do país de origem exige planejamento de custos muito além do óbvio, incluindo licenças, adequações estruturais e prazos de aprovação que variam enormemente entre cidades e países. Antes de embarcar em qualquer plano de expansão, seja para outro estado ou para o exterior, mapear essas exigências regulatórias com antecedência pode evitar surpresas financeiras e atrasos que comprometem o retorno do investimento.

A rede também aposta em parcerias com investidores locais que conheçam bem o mercado onde vão atuar, como fez no Marrocos e no Oriente Médio. Para quem avalia se tornar franqueado ou parceiro de uma marca internacional, vale observar se a empresa oferece suporte técnico contínuo, treinamento e fornecimento estruturado de produtos, elementos que, segundo a Lucciano's, são garantidos por uma equipe corporativa dedicada a apoiar cada unidade da rede.

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