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VoltarReforma tributária

Combustíveis sem CBS, PIS ou Cofins por uma semana em janeiro de 2027

21/10/2026 06:414 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Uma falha de prazo dentro do próprio governo federal vai gerar, sem querer, uma semana inteira sem cobrança da maior parte dos tributos federais sobre combustíveis em janeiro de 2027. A situação afeta diretamente quem vende, compra ou revende gasolina, etanol, diesel e biodiesel, e pode se refletir, ainda que por pouco tempo, no preço final ao consumidor e na rotina fiscal das empresas do setor.

O problema nasceu de um descompasso de datas. PIS e Cofins, os tributos federais que hoje incidem sobre combustíveis, serão extintos em 1º de janeiro de 2027, por causa da reforma tributária. No lugar deles entra a CBS, a nova Contribuição sobre Bens e Serviços. Só que a portaria que fixou as alíquotas de CBS para o setor de combustíveis foi publicada em 9 de outubro de 2026, quando já deveria ter saído antes, no fim de setembro ou início de outubro. Esse atraso da equipe técnica do Ministério da Fazenda empurrou o início da cobrança da CBS para 8 de janeiro de 2027, por causa de uma regra chamada noventena, que obriga a esperar 91 dias entre a publicação da norma e sua efetiva cobrança.

O que muda na prática

Na prática, entre 1º e 7 de janeiro de 2027, os combustíveis ficam sem PIS, sem Cofins (já extintos) e sem CBS (ainda não exigível). A regra da noventena está prevista na lei complementar que regulamenta a reforma tributária e também na Constituição, e o próprio texto da portaria reconhece esse prazo. Ou seja, não é uma interpretação forçada: é o que a legislação determina.

Isso não significa, porém, que o combustível ficará completamente livre de tributos federais nesses dias. Um ponto importante, levantado por especialistas ouvidos pela reportagem original, é que a Cide-Combustíveis não foi extinta pela reforma tributária. Então essa contribuição pode continuar incidindo normalmente, mesmo durante a semana sem CBS, PIS e Cofins.

A linha do tempo do problema
9/10/2026publicação da portariaData em que o Ministério da Fazenda divulgou as alíquotas de CBS sobre combustíveis.
1/1/2027fim de PIS e CofinsTributos federais atuais deixam de existir sobre combustíveis.
8/1/2027início da cobrança de CBSData em que a noventena de 91 dias se encerra e a nova contribuição passa a valer.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que o tema dos combustíveis esbarra em decisões de calendário político. Os tributos federais que hoje incidem sobre a gasolina (PIS, Cofins e Cide) já estão zerados até novembro de 2026, por uma medida tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pouco antes do segundo turno das eleições.

O governo pode antecipar a cobrança?

Em tese, o governo poderia tentar cobrar a CBS antes do fim da noventena, mas especialistas tributários consultados pela reportagem original avaliam que essa seria uma estratégia arriscada e provavelmente derrotada na Justiça. A avaliação é de que, caso a Fazenda tente antecipar os efeitos por meio de nova portaria, ou argumente que a alíquota apenas reproduz a carga dos tributos extintos, qualquer uma dessas saídas teria boas chances de ser contestada com sucesso pelos contribuintes nos tribunais.

Questionado diretamente sobre se vai respeitar a noventena à risca e qual é o impacto fiscal estimado da renúncia de arrecadação nessa semana, o Ministério da Fazenda respondeu apenas de forma genérica, citando o dispositivo legal que obriga o respeito ao prazo, sem apresentar números sobre o impacto financeiro da medida nem confirmar de forma objetiva como vai agir.

Como isso afeta o seu negócio

Se a sua empresa atua na cadeia de combustíveis, seja na distribuição, revenda ou transporte, vale ficar atento ao fechamento fiscal de dezembro de 2026 e à apuração da primeira semana de janeiro de 2027. É um período curto, mas com regras tributárias diferentes do restante do mês, o que pode gerar dúvidas na emissão de notas, no cálculo de preços e na apuração de créditos e débitos tributários. Mesmo quem não trabalha diretamente com combustíveis pode sentir reflexos indiretos, já que oscilações de custo no setor tendem a se espalhar pela cadeia de logística e transporte.

O mais recomendável é acompanhar de perto qualquer posicionamento oficial adicional do Ministério da Fazenda nas próximas semanas e manter a contabilidade alinhada com o calendário correto de extinção de PIS e Cofins e início da CBS. Como o tema ainda pode gerar disputas judiciais, especialmente se o governo tentar alguma forma de cobrança antecipada, contar com orientação contábil e tributária especializada nesse período de transição é a forma mais segura de evitar erros de apuração e surpresas fiscais.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.