Pular para o conteúdo
VoltarFiscal

CNAE de software errado: veja o impacto no imposto da sua empresa

01/10/2026 07:094 min de leituraAtualizado há 53 minutos

Vale para: Simples Nacional

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Simples Nacional, atualizado a cada mudança de norma.

Se a sua empresa é de tecnologia, o código CNAE que consta no cadastro não é um mero detalhe burocrático. Ele determina em qual anexo do Simples Nacional sua receita é tributada, influencia a alíquota de ISS cobrada pelo município e pode até comprometer a própria possibilidade de permanecer no regime simplificado. Muitas empresas escolhem o código rapidamente na abertura do negócio, pelo nome que parece mais parecido com a atividade, e nunca mais revisam essa decisão, mesmo quando o modelo de negócio muda completamente.

O que muda na prática

O desenvolvimento de software costuma se enquadrar no Anexo V do Simples Nacional, que normalmente tem uma carga tributária maior. Mas há uma possibilidade de migrar para o Anexo III, mais vantajoso, quando o chamado Fator R (relação entre folha de pagamento e receita) atinge 28%. Outras atividades de tecnologia têm regras próprias de enquadramento, que não dependem do Fator R. Ou seja: declarar a atividade errada pode significar pagar mais imposto do que seria necessário, ou, pior, cair em uma classificação que nem sequer permite a opção pelo Simples.

O ISS também é afetado diretamente pelo CNAE. O item da lista de serviços vinculado à atividade declarada influencia a alíquota cobrada pela prefeitura e o entendimento sobre em qual município o imposto deve ser recolhido. Esse é um ponto especialmente sensível para quem presta serviço para clientes em diferentes cidades, já que a definição errada pode gerar cobrança em duplicidade ou autuação.

Quem é afetado

Existem atividades que impedem a opção pelo Simples Nacional. Por isso, incluir uma atividade secundária "por precaução", sem necessidade real, pode acabar gerando um problema de enquadramento que a empresa nunca imaginou ter. Além disso, o CNAE precisa estar alinhado com o objeto social da empresa, a descrição que aparece na nota fiscal e o que está escrito nos contratos. Quando essas informações não combinam, qualquer questionamento do fisco já começa com a empresa em desvantagem.

O problema mais comum acontece quando o negócio evolui, mas o cadastro fica parado no tempo. Imagine uma empresa que abriu em 2021 para fazer desenvolvimento sob encomenda. Em 2024, ela lança um produto por assinatura (SaaS). Em 2026, 70% da receita já vem desse modelo, mas o cadastro continua sendo o mesmo de 2021. Durante todo esse período, a receita foi tributada com base em uma classificação que não tem mais nada a ver com a operação real da empresa. A mesma situação ocorre com empresas que passaram a vender suporte técnico sem declarar essa atividade, a revender licenças de terceiros ou a exportar serviços, sem atualizar o CNAE correspondente.

O que fazer
01
Mapeie a receita

Liste as fontes de receita dos últimos 12 meses e o peso de cada uma: desenvolvimento sob demanda, assinatura, implantação, suporte, licenciamento, treinamento.

02
Defina a atividade principal pelo peso real

Use a receita atual como referência, e não a origem histórica da empresa.

03
Revise as atividades secundárias

Declare apenas as que são efetivamente exercidas no negócio.

04
Alinhe toda a documentação

Objeto social, descrição da nota fiscal e contrato precisam contar a mesma história.

05
Atualize sempre que o modelo mudar

Revise o cadastro toda vez que a empresa passar a oferecer um novo tipo de serviço ou produto.

Como se preparar

Outro erro comum acontece dentro de um único contrato. É frequente que uma empresa reúna, na mesma negociação, licenciamento, implantação, suporte e desenvolvimento adicional, mas fature tudo isso em uma única nota com descrição genérica. Ao fazer isso, a empresa perde a chance de tratar cada parcela da receita conforme sua natureza específica, e, em caso de questionamento do fisco, tende a prevalecer a interpretação mais onerosa para o negócio.

Separar corretamente cada parcela, tanto no contrato quanto na emissão da nota fiscal, exige atenção contábil e jurídica ao mesmo tempo. Vale lembrar que este é um tema que depende das particularidades de cada empresa, e o entendimento pode variar conforme o caso.

Se o seu negócio de tecnologia cresceu, mudou de modelo ou passou a oferecer novos serviços nos últimos anos, vale a pena parar e revisar o CNAE, o objeto social e a forma como os contratos e notas fiscais são emitidos. Essa revisão evita pagar imposto a mais, reduz o risco de autuação e garante que a empresa esteja, de fato, enquadrada da forma mais vantajosa e segura possível.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.