Cibersegurança: empresa no Brasil investe pouco e demora a reagir a ataques
30/10/2026 16:004 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se o seu negócio depende de sistemas, dados de clientes ou operações online, vale prestar atenção a um número: as empresas brasileiras gastam, em média, apenas 6,4% do orçamento de Tecnologia da Informação com segurança digital. É um percentual 36% menor do que o praticado internacionalmente, onde o investimento costuma ficar entre 8% e 12%. Os dados são do Relatório de Cibersegurança 2026, divulgado pela Brasscom, entidade que representa o setor de tecnologia no país.
Mesmo com essa defasagem, o mercado brasileiro deve movimentar R$ 126,9 bilhões em investimentos de cibersegurança entre 2026 e 2029, um crescimento de 49% no período. A previsão é que os gastos saiam de R$ 25,6 bilhões neste ano e cheguem a R$ 38,2 bilhões em 2029. Entre 2023 e 2025, o investimento já havia saltado de R$ 13,4 bilhões para R$ 22,2 bilhões, alta de 66%. Ou seja: o dinheiro está entrando no setor, mas ainda em ritmo insuficiente diante do avanço das ameaças digitais.
Para onde vai esse dinheiro
A maior fatia dos investimentos previstos para os próximos anos será em softwares de segurança, que devem responder por 48% do total. Os serviços de TI vêm em seguida, com 44%, enquanto hardwares de segurança ficam com 6% e consultoria ou terceirização de processos absorvem os 2% restantes. Na prática, isso mostra que as empresas estão priorizando ferramentas e suporte técnico, mas ainda investem pouco em consultoria especializada, algo que pode ajudar a identificar falhas antes que se tornem problemas sérios.
O que acontece quando o ataque já aconteceu
Aqui está o ponto mais sensível para quem gerencia um negócio: não basta pensar em prevenção, é preciso estar preparado para o depois. Segundo o levantamento, 76% das empresas atingidas por um ataque cibernético levam mais de 100 dias para retomar as operações normalmente. E o problema não termina aí: 65% das organizações continuam sentindo os efeitos do incidente mesmo depois de considerarem o processo de recuperação concluído. Apenas 5% conseguem se recuperar em um prazo de 51 a 76 dias.
Para um empresário, esse dado tem peso direto no caixa: um ataque não é só uma questão de TI, é um risco que pode travar vendas, atrasar entregas, comprometer dados de clientes e gerar prejuízo que se arrasta por meses. Quanto maior o tempo de recuperação, maior o impacto financeiro e também o risco à reputação do negócio junto a clientes e parceiros.
Onde o Brasil está no cenário mundial
O relatório também mostra avanço na maturidade do país em cibersegurança: houve crescimento de 41% entre 2023 e 2025, de acordo com o National Cyber Security Index, índice que avalia política de segurança, capacidade de resposta a incidentes, gestão de crises e combate ao cibercrime. Ainda assim, o Brasil ocupa apenas a 55ª posição no ranking internacional, com 71,67 pontos, bem distante da República Tcheca, líder da lista com 98,33 pontos. O recado da Brasscom é claro: o avanço existe, mas precisa ser mais rápido para acompanhar a evolução das ameaças digitais.
Para o presidente executivo da entidade, Affonso Nina, os recursos destinados à proteção digital ainda precisam crescer, e o caminho passa por três frentes: investimento em tecnologia, fortalecimento da governança interna e formação de profissionais especializados em segurança da informação.
Na prática, isso significa que não adianta só comprar um software de proteção: é preciso ter processos bem definidos de resposta a incidentes e pessoas preparadas para agir rapidamente quando algo sai do controle. Empresas de todos os portes, inclusive pequenas e médias, estão expostas a esse risco e podem ser afetadas por longos períodos de instabilidade caso não tenham um plano de ação estruturado.
Se o seu negócio ainda não tem uma rotina clara de segurança digital, vale rever o orçamento de TI e considerar reforçar essa área antes que um incidente force essa decisão em condições muito piores. Avaliar fornecedores, treinar equipes e montar um plano de resposta a incidentes são passos que custam menos do que lidar com meses de operação parada.
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