Chuvas derrubam produção de açúcar no centro-sul: veja o impacto
24/09/2026 15:313 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
As chuvas fora do padrão atrapalharam a colheita de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil e provocaram uma queda expressiva na produção de açúcar. Segundo pesquisa com dez analistas divulgada pela equipe da Platts, da S&P Global Energy, a produção caiu 42,5% na primeira quinzena de setembro, alcançando 2,09 milhões de toneladas, contra 3,6 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior. Para empresários que dependem dessa cadeia, seja no fornecimento, na indústria ou no comércio, o momento pede atenção redobrada aos contratos e aos preços.
O que os números mostram
A queda na produção de açúcar acompanha um recuo ainda mais amplo na atividade das usinas. A moagem total de cana caiu 35,4%, chegando a 29,8 milhões de toneladas, ante 46,1 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. Ou seja, menos cana foi colhida e processada, o que reduz a oferta de matéria-prima para toda a cadeia produtiva, do açúcar ao etanol.
Vale notar que a queda não foi uniforme entre os produtos derivados da cana. Enquanto o açúcar teve retração mais forte, a produção de etanol, que inclui também o etanol de milho, recuou de forma mais moderada: 18,7%, totalizando 1,89 bilhão de litros, ante 2,33 bilhões de litros no ano passado. Isso aconteceu porque as usinas destinaram uma fatia maior da cana disponível para a produção do biocombustível: 50,15% do total foi para etanol, contra 49,85% para açúcar.
Outro indicador que reforça o cenário de safra mais fraca é o total de açúcares recuperáveis (ATR), medida que indica a qualidade e o rendimento da cana em termos de produção de açúcar e etanol. O ATR esperado para o período caiu para 147,53 kg por tonelada, ante 154,59 kg por tonelada no ano anterior. Isso significa que, além de menos cana moída, cada tonelada rendeu proporcionalmente menos produto final.
Quem sente o impacto no dia a dia
Esse cenário afeta diretamente empresas que compram açúcar como insumo, como indústrias de alimentos, bebidas e panificação, que podem enfrentar oscilações de preço e disponibilidade no curto prazo. Também impacta distribuidores de combustíveis e postos, já que o etanol é parte relevante da matriz energética nacional. Produtores rurais e usinas, por sua vez, precisam reavaliar planejamento de safra e contratos futuros diante de um cenário climático que já comprometeu parte da colheita.
Para negócios que dependem de matéria-prima agrícola, o episódio reforça a importância de acompanhar de perto indicadores de safra e de negociar contratos com cláusulas que considerem variações de oferta. Empresas que trabalham com estoques de açúcar ou etanol podem avaliar antecipação de compras ou renegociação de prazos com fornecedores, especialmente se a tendência de queda na produção se confirmar nas próximas quinzenas.
Do ponto de vista de gestão, o momento é oportuno para revisar projeções financeiras que dependam do preço de commodities agrícolas, já que reduções na oferta tendem a pressionar custos. Empresários do setor alimentício, de bebidas e de combustíveis devem manter contato próximo com fornecedores e distribuidores para entender como essa quebra na produção pode afetar prazos de entrega e valores negociados nos próximos meses.
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