Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A China voltou a comprar canola da Austrália por meio de empresas privadas, algo que não acontecia desde 2020. Uma processadora chinesa fechou a compra de 68 mil toneladas da nova safra australiana, com embarque previsto para março, pouco depois de outra carga da safra anterior ter chegado ao país no início de setembro. São os primeiros negócios desse tipo desde que o comércio foi praticamente interrompido cinco anos atrás.
Para quem acompanha o mercado de grãos e insumos agrícolas, essa reabertura importa porque a China é o maior comprador mundial de canola, e a Austrália é a segunda maior fornecedora global do produto, atrás apenas do Canadá. Qualquer mudança nesse fluxo comercial tende a afetar preços e demanda em escala internacional, com reflexos indiretos até para produtores e empresas ligadas à cadeia de oleaginosas fora desses dois países.
O que estava travando esse comércio
Desde 2020, a canola australiana estava praticamente fora do mercado chinês por conta de restrições fitossanitárias impostas por Pequim, com o objetivo declarado de evitar a propagação de doenças fúngicas nas plantas. Essa barreira interrompeu um fluxo comercial relevante entre os dois países por cinco anos.
A reabertura começou de forma gradual em meados de 2025, ainda em um contexto de disputa comercial entre China e Canadá. Nesse cenário, Pequim passou a fazer compras experimentais de canola australiana, mas inicialmente apenas por meio da Cofco, empresa estatal chinesa. As processadoras privadas continuaram fora do jogo até julho, quando a China ampliou o acesso e permitiu que outras empresas também comprassem o produto australiano.
É justamente esse novo passo, a entrada de compradores privados, que torna os negócios recentes relevantes: eles mostram que a abertura deixou de ser só estatal e começou a incluir o setor privado chinês, ainda que de forma pontual até agora.
O que isso indica para o mercado
Segundo um trader baseado na Ásia citado no material que embasa esta reportagem, o comércio da safra anterior foi dominado pela Cofco, mas já existe algum interesse do setor privado chinês na canola australiana da nova safra. Isso sugere que o movimento pode não ficar restrito a essas duas cargas, especialmente com a colheita australiana prevista para começar em outubro e se estender até dezembro, o que deve aumentar a oferta disponível para exportação nos próximos meses.
Para empresas brasileiras que atuam com oleaginosas, óleos vegetais ou rações animais, esse tipo de movimento no mercado internacional de canola serve como termômetro. A canola é processada em duas frentes principais: o farelo, usado como ingrediente em rações animais, e o óleo, amplamente utilizado na culinária. Mudanças na demanda chinesa por canola podem influenciar indiretamente a competitividade e os preços de outras oleaginosas concorrentes, como a soja, em que o Brasil tem papel central.
Até o momento, o Ministério da Agricultura da Austrália não se manifestou sobre o assunto, o que reforça que a reabertura ainda está em fase inicial e sem confirmação oficial mais ampla por parte das autoridades envolvidas.
Na prática, o que se pode afirmar com base nos fatos conhecidos é que a China está testando, aos poucos, a volta do comércio privado de canola com a Austrália. Para gestores e empresas que dependem de insumos agrícolas importados ou que concorrem com esse mercado, vale acompanhar se esses dois negócios são o início de um fluxo maior ou permanecem como movimentos isolados, já que isso pode afetar preços de matérias-primas ligadas à alimentação animal e à produção de óleos nos próximos meses.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
