Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você talvez já tenha ouvido falar que o câncer colorretal, conhecido popularmente como câncer de intestino, vem crescendo entre pessoas mais jovens. Isso não é só uma questão de saúde pública distante da sua empresa: envolve diretamente o bem-estar da sua equipe, os custos com planos de saúde e a produtividade do negócio. Dados internacionais mostram que o número de diagnósticos antes dos 50 anos vem subindo de forma consistente nas últimas duas décadas, e a América Latina, incluindo o Brasil, não está fora dessa tendência.
Na Inglaterra, por exemplo, a proporção de diagnósticos em pessoas com menos de 50 anos dobrou entre 2001 e 2023. Um estudo mais recente, que analisou dados de 50 países até 2017, identificou aumento de casos precoces em 27 regiões, incluindo Chile, Argentina, Equador, Costa Rica e Porto Rico. O Chile, inclusive, teve uma das altas mais expressivas, com crescimento anual próximo de 4%. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer estima 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, com destaque para os tumores de colo do útero e colorretal, que têm alto potencial de prevenção.
Por que isso importa para o seu negócio
Mesmo sendo uma doença ainda relativamente rara entre jovens, o aumento identificado pelos pesquisadores chama atenção porque pode impactar diretamente a força de trabalho das empresas. Colaboradores mais jovens, que normalmente não são o foco de campanhas de prevenção ao câncer, também estão entre o público que apresenta esse crescimento nos diagnósticos. Isso reforça a importância de programas de saúde ocupacional que não se limitem a faixas etárias mais avançadas.
Os especialistas consultados no material original explicam que parte do aumento pode ser explicada pela maior conscientização e pelo diagnóstico mais precoce, o que é positivo. Mas no caso específico do câncer colorretal, pesquisas nos Estados Unidos também mostram aumento em diagnósticos de estágio avançado, o que sugere que o crescimento real da doença, e não apenas a detecção mais cedo, pode estar acontecendo.
O que está por trás do aumento
Entre os fatores associados ao crescimento dos casos estão a obesidade, o sedentarismo e mudanças nos hábitos alimentares, com maior consumo de ultraprocessados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as taxas de obesidade entre adultos dobraram desde a década de 1990, e entre adolescentes quadruplicaram. Uma revisão de estudos de 2021 apontou que adultos jovens com obesidade têm quase o dobro de chance de desenvolver câncer colorretal antes dos 50 anos.
Inclua informações sobre câncer colorretal em programas de saúde ocupacional, mesmo voltados a colaboradores jovens.
Promova alimentação equilibrada em refeitórios ou convênios, com mais fibras e menos carnes processadas.
Apoie pausas ativas, incentivos a caminhadas ou parcerias com academias para reduzir o sedentarismo da equipe.
Verifique se exames preventivos estão incluídos e acessíveis para colaboradores de diferentes faixas etárias.
Vale destacar que, segundo a pesquisadora Amy Berrington de Gonzalez, do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres, mesmo com o aumento relativo nos diagnósticos, o câncer colorretal ainda é incomum entre pessoas jovens. Ou seja, não é motivo para alarme, mas sim um sinal de que a prevenção deve começar mais cedo, inclusive dentro das empresas.
Para o professor Marc Gunter, do Imperial College London, a responsabilidade não deve recair apenas sobre o indivíduo, já que muitas rotinas de trabalho são sedentárias e a alimentação conveniente nem sempre é a mais saudável. Isso reforça que as empresas também têm papel ativo nesse cenário, seja promovendo pausas, incentivando exercícios ou oferecendo opções alimentares melhores nos ambientes corporativos.
Na prática, para o empresário ou gestor, o recado é claro: investir em prevenção à saúde da equipe, especialmente dos mais jovens, deixa de ser apenas um benefício de imagem e passa a ser também uma forma de reduzir custos futuros com afastamentos, tratamentos e perda de produtividade. Pequenas mudanças no ambiente de trabalho podem fazer diferença real na saúde de longo prazo dos colaboradores.
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