Calor recorde muda regras de roupa no trabalho: o que isso significa para empresas
24/08/2026 12:104 min de leituraAtualizado há 10 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O calor extremo está fazendo o que campanhas de flexibilização não conseguiram em décadas: mudar de vez o código de vestimenta em escritórios ao redor do mundo. No Japão, a campanha "Cool Biz" do governo de Tóquio, que já incentivava roupas sem gravata e paletó, foi ampliada este ano para liberar até bermudas, camisetas e tênis entre os funcionários públicos. Na Europa, onde as ondas de calor têm se tornado mais frequentes e intensas, trabalhadores de bancos, seguradoras e empresas de diversos setores passaram a adotar roupas mais leves, com ou sem autorização formal das empresas.
Para você que gerencia um negócio, o episódio é mais do que uma curiosidade sazonal: ele mostra como o clima está forçando empresas a repensar regras internas que pareciam imutáveis. Se sua empresa tem escritório físico, funcionários que enfrentam deslocamentos longos ou ambientes sem climatização adequada, o tema pode chegar à sua realidade mais cedo do que você imagina.
O que está mudando
Grandes varejistas do Reino Unido relataram alta expressiva na venda de roupas leves voltadas ao ambiente de trabalho. A rede Marks and Spencer registrou aumento de 183% nas vendas de calças masculinas de linho entre junho e julho, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A H&M informou que está antecipando o lançamento de peças mais leves e adiando as coleções de outono. Já a Hugo Boss ampliou sua linha de bermudas de alfaiataria, incluindo uma coleção em parceria com o jogador David Beckham.
Segundo Martha Hibberd, compradora de roupas masculinas da loja de departamentos britânica John Lewis, a fronteira entre o que se veste para trabalhar e o que se veste no dia de folga está cada vez mais tênue. Isso indica uma mudança de comportamento que não deve ser tratada como moda passageira, mas como sinal de que o código de vestimenta tradicional está sendo repensado por causa do clima.
Nem tudo está liberado
Apesar da flexibilização, ainda existem limites bem definidos em muitas empresas. No DNB, maior banco da Noruega, funcionários podem usar shorts e saias, mas dentro de um padrão mais discreto e elegante, conforme explicou o porta-voz Vidar Korsberg Dalsbo. Já na Swiss Re, na Suíça, o diretor Gianfranco Lot enviou orientações aos funcionários sobre como se manter frescos durante o calor, mas fez questão de lembrar que "shorts são para os finais de semana".
O que está sendo liberado
- Bermudas e shorts de alfaiataria
- Camisetas e tênis em ambientes públicos no Japão
- Calças e ternos de linho
- Saias em alguns bancos, com padrão discreto
O que ainda gera resistência
- Shorts informais ou esportivos
- Saias curtas ou com corte muito casual
- Abandono total do código de vestimenta
- Falta de padronização entre setores
Esse equilíbrio entre liberar mais conforto e manter uma imagem profissional é o principal desafio para quem pensa em revisar as regras de vestimenta da própria empresa. A ideia não é abandonar o dress code, mas adaptá-lo à realidade do calor sem perder a seriedade que muitos negócios ainda exigem, especialmente em áreas de atendimento ao público ou setores mais formais, como o financeiro.
O papel dos sindicatos e da saúde ocupacional
O tema também começou a ganhar força entre representantes de trabalhadores. Na Alemanha, o sindicato IG Metall, um dos maiores do país, e o Verdi, que representa o setor de serviços, defenderam que os códigos de vestimenta sejam flexibilizados ou até suspensos em períodos de temperaturas mais altas. Moriz Tiedemann, especialista em saúde ocupacional do IG Metall, afirmou que os verões estão ficando mais quentes, as ondas de calor mais frequentes, e que isso aumenta visivelmente a pressão sobre os trabalhadores.
Esse ponto chama atenção para um aspecto que vai além da estética: o calor excessivo pode afetar diretamente a produtividade, o bem-estar e até a saúde dos funcionários. Para empresas brasileiras, que enfrentam temperaturas altas em boa parte do ano em diversas regiões, essa discussão pode servir de referência para revisar políticas internas, pensando não apenas na aparência da equipe, mas também na qualidade do ambiente de trabalho.
Se você é gestor, vale avaliar se o código de vestimenta da sua empresa já contempla alguma flexibilidade em dias de calor extremo, e se há espaço para ajustes que tragam mais conforto sem comprometer a imagem que o negócio quer transmitir. Pequenas mudanças, como permitir tecidos mais leves ou dispensar itens formais em determinadas épocas do ano, podem fazer diferença tanto para a satisfação da equipe quanto para a percepção de que a empresa acompanha as transformações do mundo do trabalho.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
