Caged agosto 2026: emprego formal cresce e o que isso diz sobre contratação
30/09/2026 16:003 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
O Brasil fechou agosto de 2026 com saldo positivo de 165.827 empregos formais, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O número veio de 2.294.563 admissões contra 2.128.736 desligamentos, e representa um salto expressivo em relação a julho, quando o saldo havia sido de apenas 58.568 vagas. Para você que é empresário ou gestor, esse movimento é um termômetro importante: mostra em quais setores e regiões a contratação está mais aquecida, e pode ajudar a entender o cenário de concorrência por mão de obra e de custo salarial no seu segmento.
O que os números mostram
Com o resultado de agosto, o estoque total de empregos formais no país chegou a 48.244.696 vínculos. No acumulado de janeiro a agosto, foram abertos 1.134.033 postos de trabalho, um crescimento de 2,41% no ano. Comparado a agosto de 2025, quando haviam sido criadas 154.683 vagas, o resultado deste ano é 7,2% maior. Já nos últimos 12 meses, de setembro de 2025 a agosto de 2026, o emprego formal avançou 887.708 postos, alta de 1,87%.
Todos os cinco grandes setores da economia tiveram saldo positivo em agosto. O setor de Serviços liderou disparado, com 110.346 novas vagas, seguido por Construção (20.848), Indústria (16.613), Comércio (16.565) e Agropecuária (1.452). Dentro de Serviços, os destaques foram Educação (25.416 vagas), Saúde humana e serviços sociais (19.142) e Transporte, armazenagem e correio (16.819). Na Construção, os serviços especializados somaram 8.415 postos e as obras de infraestrutura, 7.396. Na Indústria, a fabricação de alimentos liderou com 10.171 vagas, seguida pela fabricação de veículos, reboques e carrocerias, com 3.311.
Quem foi afetado por estado
Na divisão por unidades da Federação, 24 estados tiveram saldo positivo em agosto. São Paulo liderou com folga, registrando 42.533 novas vagas, seguido pelo Rio de Janeiro (20.886) e Pernambuco (13.428). Se o seu negócio está nesses estados, vale observar se o aquecimento do mercado de trabalho local está pressionando a busca por profissionais na sua área.
Três estados tiveram saldo negativo no período: Rio Grande do Sul (-1.611), Rondônia (-923) e Espírito Santo (-287). Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, no Espírito Santo o resultado está ligado ao fim da safra de café, em Rondônia as perdas se concentraram na indústria alimentícia, e no Rio Grande do Sul os desligamentos vieram principalmente da indústria do fumo e do comércio. Esses são exemplos de como fatores sazonais e regionais específicos podem puxar o resultado para baixo mesmo num cenário nacional positivo.
O que isso significa para o salário de contratação
O salário médio real de admissão em agosto ficou em R$ 2.410,74, uma redução pequena de R$ 0,74 (0,03%) em relação a julho. Na comparação com agosto de 2025, porém, houve alta de R$ 24,31, ou 1,02%. Para quem contrata, esse é um dado relevante na hora de planejar orçamento de pessoal: o custo médio de admissão segue em trajetória de alta ao longo do ano, mesmo com oscilações mensais pequenas.
No acumulado do ano, o setor de Serviços também lidera em volume, com 697.859 vagas abertas e crescimento de 3,05%. Na sequência vêm Construção (200.431 vagas, alta de 6,79%), Indústria (170.442, alta de 1,90%), Agropecuária (56.024, alta de 3,09%) e Comércio (9.300 vagas, crescimento de apenas 0,09%). Esse descompasso entre setores mostra que a recuperação do emprego não é uniforme, e setores como o Comércio seguem com ritmo bem mais lento de contratação.
Na prática, os dados do Caged servem como bússola para o planejamento do seu negócio: se você atua em Serviços, Construção ou Indústria, o cenário nacional indica demanda aquecida por mão de obra, o que pode significar mais concorrência por profissionais qualificados e necessidade de rever políticas de retenção. Já quem está no Comércio pode usar o dado para entender que o crescimento do setor segue tímido, e ajustar expectativas de contratação para o restante do ano com mais cautela.
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