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Bolsa sobe, mas por que o mercado ainda está nervoso com o governo?

04/11/2026 15:154 min de leituraAtualizado há 55 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você acompanha o noticiário econômico mesmo sem ser do mercado financeiro, talvez tenha notado: a Bolsa brasileira vinha caindo havia seis pregões seguidos, acumulando perdas superiores a 19%. Nesta quarta-feira, 4, houve uma trégua: o principal índice da Bolsa subia 1,38% no meio da tarde. Mas, segundo economistas ouvidos pela Forbes, essa melhora pontual não significa que o mercado tenha ficado mais confiante nos planos econômicos para o próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para você, empresário ou gestor, entender esse movimento importa porque ele afeta diretamente o custo do crédito, o câmbio e o planejamento de investimentos da sua empresa.

O que está pressionando o mercado

Na véspera da trégua, o índice da Bolsa caiu 1,42% e o dólar futuro subiu cerca de 0,65%, chegando a R$ 5,524. A curva de juros também seguiu pressionada. Parte dessa tensão tem nome: o chamado "efeito ALR", em referência ao economista André Lara Resende, autor de uma proposta que sugere reduzir fortemente a taxa básica de juros (a Selic) e mudar a forma como o governo e o Banco Central definem suas metas. Mesmo sem confirmação oficial de que essa ideia será adotada, a simples possibilidade já é suficiente para deixar investidores inseguros.

De acordo com Jason Vieira, economista-chefe da Lev, as negativas do ministro da Fazenda, Dario Durigan, não foram suficientes para encerrar o assunto. Na visão dele, sem um posicionamento mais claro e concreto do governo, a proposta de Lara Resende continua funcionando como uma dúvida constante para quem decide onde investir. Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, reforça esse ponto: para ele, o problema maior não é exatamente a proposta em si, mas a falta de outras propostas do governo e a indefinição sobre quem vai assumir o comando do Ministério da Fazenda.

Marcatti foi direto ao avaliar a ideia de Lara Resende, chamando-a de pouco viável na prática. Mas destacou que, diante da ausência de sinais positivos por parte do governo, qualquer proposta fora do padrão ganha força demais no debate e aumenta a instabilidade. Segundo ele, isso cria um ciclo em que o mercado "testa a paciência" do governo, pedindo clareza e compromisso com as contas públicas.

Números que explicam a tensão no mercado
19%queda acumulada da Bolsaem seis pregões seguidos de perdas, antes da trégua desta quarta-feira.
R$ 5,524cotação do dólar futuroalta de cerca de 0,65% na véspera da trégua.
83,7% do PIBprojeção da dívida pública para 2026segundo estimativa divulgada pelo Tesouro Nacional.

Outra economista ouvida pela Forbes, Cristiane Quartaroli, do Ouribank, pondera que é difícil separar com precisão o quanto da pressão sobre o mercado vem especificamente da proposta de Lara Resende e o quanto é reflexo da incerteza fiscal de modo geral. Ela lembra que a autonomia do Banco Central é garantida por lei e que o papel da política monetária é manter a estabilidade de preços, mas reconhece que a falta de clareza sobre como o governo pretende estabilizar a dívida pública alimenta esse clima de dúvida. Na avaliação dela, os dois fatores (a proposta polêmica e a incerteza fiscal) podem se reforçar mutuamente.

Por que isso afeta sua empresa

Esse tipo de instabilidade no mercado financeiro não fica restrito às telas de operadores de Bolsa. Juros pressionados, dólar mais caro e incerteza sobre o rumo fiscal do país tendem a encarecer o crédito, afetar o planejamento de investimentos e trazer mais volatilidade para custos de insumos importados. O próprio Tesouro Nacional, em relatório recente, projetou que a dívida bruta do governo deve fechar 2026 em 83,7% do PIB. Em um cenário mais pessimista, com piora gradual do resultado primário, essa dívida poderia chegar a 91,5% do PIB em 2036; já em um cenário de melhora, cairia para 81,1%. Isso mostra que as decisões fiscais tomadas (ou adiadas) agora têm efeito direto sobre o ambiente econômico em que sua empresa vai operar nos próximos anos.

Vale destacar que, nesta terça-feira, o ministro Durigan afirmou publicamente que a proposta de Lara Resende não está sendo considerada por Lula e que não há reunião marcada entre os dois. Ele classificou a ideia como tendo "várias deficiências" e disse que o governo segue discutindo um ajuste fiscal de forma gradual. Ainda assim, segundo os economistas ouvidos, essa declaração não foi suficiente para acalmar de vez o mercado, que continua cobrando medidas concretas e definição de nomes para a equipe econômica.

Para o empresário e gestor, o recado prático é: mesmo com dias de alívio pontual na Bolsa, o cenário de instabilidade fiscal e cambial não está resolvido. Vale manter atenção redobrada a decisões que envolvam câmbio, financiamentos e taxas de juros nos próximos meses, além de acompanhar de perto sinais mais claros do governo sobre o comando da Fazenda e sobre o compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Decisões de investimento e de endividamento da sua empresa podem ser diretamente impactadas por esse cenário ainda incerto.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.