Bolsa sobe, dólar fica estável: o que explica o mercado hoje
22/09/2026 17:423 min de leituraAtualizado há 8 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O Ibovespa fechou em alta de 0,44% nesta terça-feira, aos 187.422,92 pontos, enquanto o dólar terminou o dia praticamente estável, cotado a R$ 5,1040. O movimento discreto no mercado financeiro reflete um momento de cautela: investidores estão de olho na proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, e também na análise da ata da última reunião de juros do Banco Central. Para você, empresário, esse cenário de "espera" tem efeito direto no custo do crédito, no câmbio usado em importações e exportações, e na confiança geral para investir ou expandir o negócio.
O que aconteceu no mercado
Apesar da alta da bolsa, o pregão foi descrito por especialistas como um dia "de lado", sem grandes movimentos. Ainda assim, setembro já acumula valorização de 5,64% no Ibovespa, puxada em parte pelo retorno de investidores estrangeiros, que injetaram R$ 9,23 bilhões no mês até o dia 18. Esse dinheiro de fora ajuda a valorizar as ações brasileiras e também contribui para segurar o dólar em patamares mais baixos, o que é positivo para quem compra insumos ou produtos importados.
Entre as empresas que mais se destacaram, a Petrobras teve alta nas ações mesmo com a queda do petróleo no exterior, favorecida por notícias sobre o envio de uma sonda para novos poços na Bacia da Foz do Amazonas a partir de janeiro. Já a Suzano subiu quase 3% após anunciar reajuste nos preços da celulose para outubro, alta que pode repercutir em cadeias que dependem de papel e embalagens. No lado negativo, bancos como Banco do Brasil e Santander Brasil recuaram, esse último influenciado por uma oferta de compra feita pelo controlador espanhol.
Por que a Selic e o dólar importam para o seu negócio
O Banco Central divulgou a ata da reunião que decidiu reduzir a Selic para 13,75% ao ano, e o texto reforçou que a taxa deve continuar em nível alto por enquanto, mesmo com sinais de que a economia, o crédito e a inflação estão desacelerando. Na prática, isso significa que o crédito para empresas continua caro, mas há sinalização de que novos cortes podem vir nas próximas reuniões, o que tende a aliviar aos poucos o custo de financiamentos e empréstimos.
Outro ponto de atenção é o cenário eleitoral, que segue sendo tratado pelo mercado como fator de instabilidade. Uma nova pesquisa mostrou empate técnico entre os principais candidatos na simulação de segundo turno, o que fez o dólar chegar a subir logo no início do pregão, antes de perder força ao longo do dia. Esse tipo de oscilação tende a se repetir nas próximas semanas, à medida que novas pesquisas forem divulgadas, e pode afetar diretamente o planejamento de quem lida com compras ou pagamentos em moeda estrangeira.
No campo internacional, as expectativas em torno de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, para encerrar a guerra no Oriente Médio, também mexeram com o petróleo e com o dólar global. Notícias sobre a possível reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada de exportações da Arábia Saudita ajudaram a reduzir o preço do petróleo Brent, que caiu 1,09%, para US$ 99,25. Como o Brasil é grande produtor de petróleo através da Petrobras, esse tipo de notícia influencia diretamente o valor das ações da estatal e, indiretamente, o desempenho de toda a bolsa.
Para o empresário que acompanha esses indicadores no dia a dia, o recado prático é: o custo do crédito ainda está alto, mas há sinais de alívio gradual pela frente; o dólar segue sensível ao noticiário político e pode ter picos de volatilidade até outubro; e setores ligados a commodities, como celulose e petróleo, mostram movimentos que valem a pena monitorar de perto, principalmente se sua empresa compra ou vende produtos atrelados a esses preços internacionais.
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