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Ibovespa fecha em alta, dólar cai: entenda o que moveu o mercado hoje

17/09/2026 17:504 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Ibovespa fechou esta quinta-feira em alta de 0,3%, aos 186.104,75 pontos, enquanto o dólar recuou 0,25%, encerrando o dia cotado a R$ 5,1392. Para você, empresário ou gestor, esses números importam porque sinalizam como o mercado está lendo o cenário fiscal e político do país, algo que afeta diretamente o custo do crédito, o câmbio usado em importações e exportações, e a confiança para investimentos.

O dia foi de forte oscilação. Pela manhã, a bolsa chegou a cair mais de 1%, tocando 183.242,37 pontos, após o governo anunciar um reajuste de 15% no Bolsa Família. À tarde, o índice se recuperou puxado pelo desempenho da Vale, uma das maiores empresas da bolsa brasileira, e ainda chegou a marcar 186.740,72 pontos na máxima do dia. O volume negociado somou R$ 24,1 bilhões.

O que explica a virada do mercado

O gatilho da instabilidade foi o anúncio do governo de aumentar em cerca de 15% os benefícios do Bolsa Família a partir de outubro, elevando o piso do programa de R$ 600 para R$ 691 por família. Segundo a equipe econômica, o objetivo é repor a inflação no valor do benefício. O custo estimado da medida é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027, totalizando R$ 27,8 bilhões nos dois anos.

A reação imediata do mercado foi negativa: o dólar chegou a subir 0,52%, tocando R$ 5,1785, por volta das 10h41. O motivo é simples de entender: mais gastos públicos, especialmente perto das eleições e fora do orçamento já previsto para 2027, reforçam a preocupação de investidores com o equilíbrio das contas do governo e com a trajetória da dívida pública. Segundo analistas ouvidos pela reportagem original, o mercado enxerga com desconfiança medidas fiscais anunciadas próximas ao pleito.

Ao longo da tarde, porém, o clima mudou. Uma nova pesquisa eleitoral mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) ampliando vantagem sobre o presidente Lula (PT) em um possível segundo turno, ainda que os dois continuem em empate técnico. Parte do mercado associa a possibilidade de troca de governo a uma política fiscal mais rígida, o que ajudou a aliviar a pressão sobre o dólar e a bolsa ao longo do dia.

Selic também pesou na decisão dos investidores

Na véspera, o Banco Central cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 13,75% ao ano. O corte já era esperado pelo mercado e, por isso, teve pouco efeito imediato sobre os preços dos ativos. Mais relevante para as decisões de investimento, segundo especialistas citados na matéria original, é a falta de sinalização clara sobre os próximos passos da política monetária: o Banco Central optou por manter cautela diante do cenário eleitoral, sem indicar se voltará a cortar juros nas próximas reuniões.

Na prática, isso significa que o custo do crédito para empresas deve continuar elevado por mais tempo, já que a renda fixa ainda paga bem e compete diretamente com investimentos de risco, como ações. Enquanto não houver mais clareza sobre o rumo fiscal e sobre um ciclo mais longo de queda de juros, a tendência é de cautela tanto na bolsa quanto nas decisões de investimento produtivo.

O dia do mercado em números
R$ 27,8 bilhõescusto do reajuste do Bolsa Famíliasoma dos impactos estimados em 2026 e 2027.
13,75% ao anonova Seliccorte de 0,25 ponto percentual, sem sinal claro dos próximos passos.
R$ 7,25 bilhõesentrada de estrangeiros na bolsa em setembrosaldo positivo acumulado até a última terça-feira, segundo a B3.

Vale destacar que o cenário externo também ajudou o Brasil nesta sessão. Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 subiu 1,14%, enquanto os preços do petróleo recuaram no mercado internacional. Esse conjunto de fatores globais, somado à volta de capital estrangeiro para a bolsa brasileira em setembro, criou um ambiente mais favorável para o fechamento positivo do Ibovespa, mesmo em meio às incertezas domésticas.

Para o seu negócio, o recado prático é de cautela e acompanhamento. Enquanto o mercado não tiver mais segurança sobre o rumo das contas públicas e sobre a duração do ciclo de juros, é esperado que o dólar e a bolsa continuem reagindo fortemente a notícias políticas e fiscais, incluindo pesquisas eleitorais e decisões de gasto público. Se sua empresa depende de câmbio para operações ou de crédito para capital de giro, vale redobrar a atenção aos próximos desdobramentos, especialmente às vésperas do primeiro turno das eleições.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.