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Bolsa cai 8ª vez seguida e Hapvida desaba 33%: o que empresários devem entender

13/08/2026 18:334 min de leituraAtualizado há 21 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

O mercado financeiro brasileiro segue em um momento de instabilidade que merece atenção de quem administra um negócio. Nesta quinta-feira (13), o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou em queda pelo oitavo pregão consecutivo, recuando 0,23% e encerrando o dia aos 167.100,95 pontos. O destaque negativo ficou por conta da Hapvida, empresa de planos de saúde, cujas ações desabaram 33% após um resultado financeiro bem pior do que o mercado esperava. Para você, empresário, esse movimento é um termômetro importante: ele reflete incertezas que também podem afetar o custo do crédito, o câmbio e a confiança de investidores no país.

O que está pressionando o mercado

Além dos resultados fracos de várias empresas na atual temporada de divulgação de balanços, a bolsa brasileira enfrenta um conjunto de preocupações que vem afastando investidores estrangeiros: a política de juros altos no Brasil, o risco de desaceleração da economia, dúvidas sobre as contas públicas do governo e incertezas ligadas ao cenário eleitoral e geopolítico. Segundo o economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri, os resultados corporativos abaixo do esperado nesta temporada de balanços também contribuíram para pressionar o índice.

Os números mostram a intensidade dessa saída de capital estrangeiro: somente na terça-feira, dia em que o Ibovespa teve sua pior queda diária desde março, saíram do país R$ 4,7 bilhões em investimentos estrangeiros. Isso elevou para R$ 11,9 bilhões o total de saída líquida apenas neste mês. Ainda assim, no acumulado do ano, o saldo de capital estrangeiro continua positivo, em R$ 24,5 bilhões, mas esse número já foi bem maior: em meados de abril, chegava a quase R$ 68 bilhões. Ou seja, o interesse do investidor estrangeiro pelo Brasil está diminuindo de forma consistente.

Os balanços que mexeram com o mercado

Entre as empresas que mais impactaram o pregão, a Hapvida foi a que sofreu o golpe mais forte: lucro do segundo trimestre despencou 95,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, e o resultado operacional (Ebitda ajustado) caiu 44,3%. Analistas do Itaú BBA apontaram que a piora nesse indicador, somada ao aumento de processos judiciais contra a empresa, torna difícil prever uma recuperação de rentabilidade no curto prazo.

Outras companhias também sentiram o peso de resultados decepcionantes: a Minerva, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, teve queda de 57% no lucro e viu suas ações caírem 7,6%. A Sabesp, companhia de saneamento, teve retração de 7% mesmo com lucro dentro do esperado pelo mercado. Já o Banco do Brasil, apesar de lucro acima do previsto, viu suas ações caírem 4,16% por causa da inadimplência ainda elevada, especialmente no agronegócio e entre pessoas físicas. Por outro lado, houve também boas notícias: MRV&CO, Cogna e Rede D'Or registraram valorização em suas ações, puxadas por resultados considerados sólidos pelo mercado.

O dia nos números
R$ 5,19valor do dólaralta de 0,23% no dia e 2,07% na semana.
R$ 11,9 bisaída de capital estrangeiro no mêssaldo no ano ainda positivo, mas em queda.
US$ 87,07preço do barril de petróleo Brentqueda de 2,15% após seis pregões seguidos de alta.

O que isso significa para o seu negócio

O dólar fechou em alta pela quarta sessão seguida, cotado a R$ 5,1896, acumulando avanço de 2,07% na semana, embora ainda apresente queda de 5,45% no ano. Segundo Bruno Perri, essa valorização da moeda americana tem motivação mais doméstica do que internacional, refletindo aversão ao risco ligada ao cenário eleitoral e aos balanços corporativos fracos. Para empresas que importam insumos, pagam dívidas em dólar ou dependem de produtos importados, esse movimento de alta merece atenção, pois encarece custos e pode pressionar preços.

Já no mercado internacional de petróleo, o cenário foi de queda: os preços do barril recuaram mais de 2%, influenciados por sinais de enfraquecimento da demanda global e por um aumento expressivo nos estoques de petróleo nos Estados Unidos. Essa queda pode representar um alívio, ainda que indireto, em custos de combustíveis e logística para empresas que dependem de transporte e frete. Por outro lado, o consumo interno brasileiro segue mostrando sinais de resiliência: o varejo cresceu 0,45% em junho na comparação com maio, e 2,9% frente ao mesmo mês do ano passado, segundo o IBGE, um dado que pode ser positivo para quem vende diretamente ao consumidor final.

Diante desse cenário de volatilidade, vale ficar atento a como esses movimentos podem afetar o planejamento financeiro do seu negócio, especialmente se você tem dívidas atreladas ao dólar, depende de importações ou trabalha com margens sensíveis a variações cambiais. Acompanhar de perto a evolução desses indicadores, e buscar orientação especializada para ajustar decisões de investimento, precificação e fluxo de caixa, pode ajudar a proteger sua empresa em um momento de instabilidade nos mercados financeiros.

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