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Bioinsumos no agro: por que esse mercado ainda cresce tanto no Brasil

19/08/2026 04:594 min de leituraAtualizado há 16 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você tem negócio ligado ao agro, seja como produtor, fornecedor ou prestador de serviço, vale prestar atenção a um movimento que já é o maior do mundo em volume, mas que ainda está longe de esgotar seu potencial: o mercado de bioinsumos. Na safra 2025/2026, esses produtos movimentaram cerca de R$ 5,3 bilhões só em biodefensivos no Brasil, cobrindo 107 milhões de hectares. Ainda assim, representam apenas algo em torno de 6% do total gasto com defensivos e inoculantes no país. Ou seja: o espaço para crescer é enorme, e isso pode impactar diretamente quem compra, vende ou assessora empresas do setor.

O que está mudando no campo

Nos últimos cinco anos, a área agrícola brasileira cresceu entre 3% e 4% ao ano. Mas a área tratada com defensivos químicos avançou 11% ao ano, e a área tratada com produtos biológicos cresceu mais de 30% ao ano no mesmo período. Isso mostra que os bioinsumos estão ganhando espaço num ritmo muito mais acelerado do que a expansão do próprio agro.

A soja é o exemplo mais claro: já responde por metade do mercado de bioinsumos analisado, e mais da metade da área plantada (58 milhões de hectares) usa algum tipo de tratamento biológico. No controle de nematoides, mais de 80% da área tratada já usa produtos biológicos. No algodão, a adoção também chega a 80%. Já no milho segunda safra, o salto foi rápido: em 2020, apenas 6% da área tinha manejo biológico; hoje esse número é bem maior, impulsionado pelo avanço de pragas como a cigarrinha.

O tamanho do mercado de bioinsumos
R$ 5,3 bimovimentados em biodefensivosna safra 2025/2026, em 107 milhões de hectares tratados.
6%do mercado totalé a fatia dos bioinsumos frente a defensivos e inoculantes químicos.
+30%crescimento anualda área tratada com biológicos nas últimas cinco safras.

Apesar do crescimento acelerado, os bioinsumos ainda não substituem os produtos químicos, e a expectativa não é que isso aconteça tão cedo. Especialistas do setor apontam que o cenário de anos mais quentes, ciclos mais curtos de pragas e o avanço de problemas como mosca-branca e mancha-alvo mantêm a necessidade de controle químico. O que se espera é uma combinação cada vez maior entre as duas ferramentas, não a eliminação de uma pelas outras.

Por que isso importa para o seu negócio

Se você é produtor, a adoção de bioinsumos exige mais do que comprar um produto novo: ela pede acompanhamento técnico, ajuste de manejo e paciência para entender resultados dentro do conjunto de práticas da propriedade, como rotação de culturas, irrigação e uso de defensivos químicos. Cooperativas como a Copercitrus, que reúne 41 mil agricultores, relatam crescimento de 37,5% nas vendas de bioinsumos no último ano, mas esses produtos ainda representam apenas 3% do total de insumos negociados. A demanda também está mudando de perfil: antes concentrada em usinas de cana e grandes produtores, agora cresce entre pequenos e médios agricultores, que precisam de mais suporte prático no dia a dia da lavoura.

Para empresas fornecedoras e distribuidoras, o desafio é dobrado: além de vender o produto, é preciso ensinar como misturar, aplicar e armazenar corretamente, e mostrar resultados concretos. Modelos cooperativos, que mantêm equipes de campo, têm assumido parte desse trabalho de introdução da tecnologia até que ela ganhe escala suficiente para atrair outros investidores.

Outro ponto de atenção é a diversidade de produtos disponíveis. Mesmo com crescimento de 25% a 30% ao ano há vários ciclos, o setor ainda trabalha com um conjunto restrito de micro-organismos e formulações. Para conquistar espaço que hoje é dos químicos, especialmente contra pragas como ferrugem, manchas, percevejos e lagartas na soja, será preciso desenvolver novas cepas, formulações e capacidade industrial para produzir em escala.

O que fica no radar

Há ainda uma discussão regulatória que pode afetar diretamente quem produz ou industrializa bioinsumos: até onde o produtor pode fabricar esses insumos na própria fazenda, e como garantir qualidade, segurança e respeito à propriedade intelectual sobre as cepas usadas. A forma como essas regras forem definidas vai determinar o ritmo de investimento em novas tecnologias e a velocidade com que a pesquisa feita no Brasil chega de fato ao campo.

Na prática, para quem está no agronegócio, o recado é claro: os bioinsumos deixaram de ser um nicho experimental e se tornaram uma tendência consolidada, com espaço grande para crescer nos próximos anos. Quem se antecipar, seja investindo em capacitação técnica, seja ajustando o manejo da propriedade ou acompanhando as mudanças regulatórias, tende a estar em posição melhor para aproveitar esse movimento.

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