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Biocombustíveis: por que a produção deve crescer 70% até 2030

22/09/2026 16:284 min de leituraAtualizado há 7 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um novo estudo internacional prevê que a produção global de biocombustíveis deve crescer quase 70% até 2030, comparada aos níveis de 2025. O motivo é a corrida de vários países para aumentar as metas de mistura de biocombustíveis à gasolina e ao diesel, em resposta à crise energética provocada pela guerra no Irã. Para empresários brasileiros, especialmente do agronegócio, indústria de combustíveis e setores que dependem de matérias-primas agrícolas, essa tendência pode significar tanto oportunidades de negócio quanto pressão de custos em cadeias produtivas ligadas a alimentos.

O que muda

O levantamento foi feito pelo think tank Chatham House, de Londres, em parceria com o Forest Stewardship Council (FSC), organização sem fins lucrativos de certificação ambiental. Segundo o estudo, países como Brasil, China, Índia, Indonésia e Estados Unidos, além da União Europeia, já propuseram ou adotaram metas mais ambiciosas de mistura de biocombustíveis desde o início do conflito no Irã. Isso acontece porque biocombustíveis, feitos a partir de cana-de-açúcar, milho e outros grãos, ficam mais competitivos quando o preço do petróleo sobe, o que tem ocorrido de forma expressiva nos últimos meses.

Na prática, isso quer dizer mais demanda por matérias-primas agrícolas destinadas à produção de energia, o que pode abrir espaço para produtores rurais e usinas que trabalham com etanol e outros combustíveis renováveis. Se você atua nesse setor, o cenário é de expansão de mercado. Por outro lado, o estudo alerta que essa corrida por metas mais altas está avançando mais rápido do que a capacidade de criar regras ambientais, sistemas de certificação e fiscalização adequados, o que pode gerar problemas no médio prazo.

Quem é afetado

O impacto não fica restrito a quem produz biocombustível. O estudo chama atenção para um efeito colateral importante: a disputa por terras. Segundo os autores, se todas as metas propostas pelos países forem colocadas em prática, a área necessária para produzir matérias-primas de biocombustíveis pode mais que dobrar até 2030, em relação aos níveis de 2023. Seriam necessários 36 milhões de hectares adicionais, área equivalente ao tamanho da Alemanha.

Esse aumento de área plantada para energia compete diretamente com terras que poderiam ser usadas para produção de alimentos. Os pesquisadores alertam que, ao priorizar a segurança energética agora, alguns governos podem estar colocando em risco a segurança alimentar no futuro próximo. Qualquer evento climático extremo, segundo o estudo, poderia agravar ainda mais os preços dos alimentos nesse cenário. Isso é relevante para você que atua na indústria de alimentos, varejo alimentício ou distribuição, já que oscilações de preço de insumos agrícolas afetam diretamente custos e margens.

O cenário em números
70%crescimento previstoAumento estimado na produção global de biocombustíveis até 2030.
36 milhões de hectaresárea adicional necessáriaEquivalente ao tamanho da Alemanha, para atender às novas metas.
40%alta no petróleoAumento do preço do petróleo desde o início da guerra no Irã.
20%alta em açúcar e milhoValorização registrada nessas commodities no mesmo período.

Os próprios preços de mercado já refletem esse movimento. Desde o início da guerra no Irã, no final de fevereiro, o petróleo acumulou alta de quase 40%. Açúcar e milho, duas das principais matérias-primas usadas na produção de biocombustíveis no Brasil e no mundo, subiram cerca de 20% no mesmo período. Para negócios que dependem desses insumos, seja na alimentação, na bebida ou na indústria, é um sinal de que o custo da matéria-prima pode continuar pressionado enquanto durar esse cenário de metas crescentes de biocombustível.

Como se preparar

O estudo também traz um ponto de atenção técnico importante: nem todo biocombustível tem o mesmo impacto ambiental. Segundo os autores, matérias-primas cultivadas em terras degradadas ou como segunda safra podem até ajudar a recuperar o solo. Já os biocombustíveis convencionais, chamados de primeira geração, normalmente não seguem essa lógica e tendem a exigir mais expansão de área plantada. Essa distinção pode se tornar relevante para empresas que buscam certificações ambientais ou que vendem para mercados mais exigentes em critérios de sustentabilidade.

Para você, gestor ou empresário, o recado prático é ficar atento a dois movimentos que devem se intensificar: por um lado, a possível expansão de oportunidades para quem já está ou pretende entrar na cadeia de biocombustíveis, aproveitando o aumento das metas de mistura em diversos países, incluindo o Brasil. Por outro lado, a pressão de custos sobre insumos agrícolas usados tanto na alimentação quanto na produção de energia, o que exige acompanhamento mais próximo de contratos, preços de fornecedores e planejamento orçamentário para os próximos anos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.