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Balanços do 3º trimestre: quem lucrou mais e quem perdeu na Bolsa

05/11/2026 15:014 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 mostrou um retrato bastante desigual entre as grandes empresas da Bolsa brasileira. Enquanto algumas companhias bateram recordes de lucro, outras sentiram o peso de custos mais altos, menor demanda ou mudanças contábeis pontuais. Se você acompanha o mercado para entender tendências de consumo, crédito ou investimento, esses números ajudam a enxergar para onde a economia está caminhando.

Foram analisadas dez companhias com participação relevante no Ibovespa, o principal índice da Bolsa, incluindo nomes como Itaú, BB Seguridade, PRIO, Vibra, AXIA, ISA Energia, Raia Drogasil, TOTVS, Smart Fit e Marcopolo. A comparação foi feita com o mesmo trimestre de 2025, com base nos resultados divulgados nos primeiros dias de novembro.

O que muda

O Itaú manteve a liderança em solidez, com lucro recorrente de R$ 12,6 bilhões, alta de 6,2%, puxado pelo crescimento da carteira de crédito e pelo controle da inadimplência. Já PRIO e Vibra foram os destaques de crescimento: a petroleira teve salto de 707% no lucro contábil, impulsionado pela maior produção e pela entrada em operação de novos poços, enquanto a distribuidora de combustíveis viu o lucro crescer 504%, beneficiada por um mercado com menos irregularidades e oferta mais controlada.

No setor elétrico, os números pedem atenção redobrada. Tanto a ISA Energia quanto a AXIA (antiga Eletrobras) tiveram resultados influenciados por mudanças na estrutura societária e efeitos contábeis que não representam caixa de fato. No caso da ISA Energia, uma operação de reorganização com a AXIA gerou um ganho contábil de cerca de R$ 1,9 bilhão no Ebitda, sem impacto financeiro real. Já a AXIA teve queda de 19% no lucro ajustado do trimestre, mas aumentou os investimentos em 6%, com destaque para o avanço de 28% nos aportes acumulados no ano.

No consumo e serviços, o cenário também foi misto. Raia Drogasil e Smart Fit seguiram em expansão, com crescimento de vendas, lucro e número de unidades. Já a TOTVS manteve crescimento de dois dígitos na receita, mas viu a margem líquida pressionada por despesas financeiras ligadas à aquisição da Linx. Do lado oposto, a Marcopolo enfrentou um trimestre fraco, com queda de 43,4% no lucro, reflexo de menos entregas de ônibus no Brasil e no exterior, câmbio desfavorável e custos mais altos de matéria-prima.

Quem é afetado

Esses resultados interessam diretamente a quem investe na Bolsa, mas também servem de termômetro para empresários de outros setores. O desempenho do Itaú, por exemplo, indica que o crédito segue em expansão, o que pode facilitar o acesso a financiamento para empresas. Já o crescimento de Vibra e PRIO reflete um mercado de combustíveis mais organizado e aquecido, algo que pode impactar custos logísticos. No varejo, o avanço da Raia Drogasil e da Smart Fit mostra que o consumo em determinados segmentos, como saúde e bem-estar, segue resiliente, enquanto a retração da Marcopolo sinaliza cautela em setores ligados a transporte e exportação.

Destaques do trimestre
707%alta no lucro da PRIOimpulsionada pela produção recorde e pelo Brent valorizado.
504%alta no lucro da Vibrafavorecida por menor oferta e mais combate a irregularidades no setor.
43,4%queda no lucro da Marcopoloreflexo de menos entregas no Brasil e no exterior.
6,2%alta no lucro recorrente do Itaúapoiada na expansão da carteira de crédito.

Como interpretar esses números

Se você administra uma empresa, vale olhar para esses balanços como um mapa de riscos e oportunidades. Setores com forte geração de caixa e crescimento consistente, como bancos e combustíveis, tendem a manter condições de crédito e negociação mais favoráveis. Já setores pressionados por câmbio e custos, como o de equipamentos de transporte, podem repassar aumentos de preço ou reduzir investimentos, o que afeta fornecedores e parceiros comerciais.

Outro ponto de atenção é separar o que é resultado operacional real do que é efeito contábil pontual, como ocorreu no setor elétrico. Antes de tomar decisões baseadas em notícias sobre lucros bilionários, é importante checar se o número reflete o negócio em si ou um evento isolado, como uma reorganização societária. Essa leitura mais criteriosa evita conclusões precipitadas sobre a saúde financeira de fornecedores, clientes ou do mercado em geral.

Para o seu planejamento, o recado prático é: observe os setores que impactam diretamente sua cadeia, seja crédito, combustíveis, consumo ou tecnologia, e acompanhe não apenas o lucro divulgado, mas o que explica esse resultado. Isso ajuda a antecipar tendências de custo, demanda e condições de financiamento para os próximos meses.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.