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Argentina projeta safra recorde de grãos: veja impacto para o Brasil

22/09/2026 16:543 min de leituraAtualizado há 10 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A Argentina, um dos maiores players do agronegócio mundial, pode colher um volume recorde de grãos na safra 2026/27. A projeção é da Bolsa de Cereais de Buenos Aires e aponta crescimento na produção de soja e milho, embora o trigo deva recuar. Para quem trabalha com produção, exportação ou comercialização de grãos no Brasil, esse movimento do vizinho merece atenção, já que a Argentina é concorrente direta em diversos mercados internacionais.

O que muda

Segundo a projeção divulgada, a produção de soja argentina deve chegar a 53,6 milhões de toneladas na safra 2026/27, um salto em relação às 50,1 milhões de toneladas da temporada 2025/26. Já o milho deve avançar para 66 milhões de toneladas, ante 64 milhões no ciclo anterior. Somando todos os grãos, a bolsa argentina estima um potencial recorde de 157,9 milhões de toneladas no país.

O gerente-geral da entidade, Ramiro Costa, destacou que a Argentina vem de sua maior safra histórica e enxerga condições para repetir esse patamar. Mas ele também fez uma ressalva importante: a confirmação desses números depende do clima e das decisões que os produtores argentinos tomarem nos próximos meses, ou seja, ainda é uma projeção, não um resultado fechado.

Nem tudo é alta, porém. A produção de trigo deve cair para 23,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, ante 27,8 milhões na temporada anterior. Como a Argentina também é uma fornecedora relevante de trigo no mercado internacional, essa redução pode ter efeitos sobre a oferta global do cereal.

Projeção de grãos na Argentina (2026/27)
53,6 mi tsojaalta frente às 50,1 milhões de toneladas da safra 2025/26.
66 mi tmilhoacima das 64 milhões de toneladas do ciclo anterior.
23,4 mi ttrigoqueda em relação aos 27,8 milhões de toneladas anteriores.

Quem é afetado

O impacto principal recai sobre produtores rurais, tradings e exportadores brasileiros de soja e milho, que competem com a Argentina nos principais mercados compradores, como China e países da Ásia e da Europa. Uma safra recorde argentina de soja e milho pode pressionar preços internacionais, já que aumenta a oferta global desses grãos justamente quando o Brasil também está no ciclo de comercialização de sua própria safra.

Por outro lado, empresas ligadas ao trigo, sejam produtores, moinhos ou importadores, devem observar com atenção a queda projetada na produção argentina. Menos oferta de trigo vindo da Argentina pode significar preços mais firmes para quem depende desse cereal, seja para compra de matéria-prima ou para negócios de exportação.

Vale reforçar que existe divergência entre instituições sobre os números. A Bolsa de Comércio de Rosário, por exemplo, estimou no início deste mês a soja argentina em 47,8 milhões de toneladas, número mais conservador que o da Bolsa de Buenos Aires, e o milho em até 70,5 milhões de toneladas, patamar até superior. Isso mostra que ainda há bastante incerteza sobre os números finais da safra.

Como se preparar

Para empresários do agronegócio, o recado prático é: acompanhar de perto a evolução dessas projeções ao longo dos próximos meses, já que elas influenciam diretamente as expectativas de preço da soja, do milho e do trigo no mercado internacional. Quem trabalha com comercialização, hedge ou planejamento de vendas da safra brasileira pode usar essas informações como um dos fatores para decidir o momento certo de negociar sua produção, considerando que a concorrência externa tende a aumentar caso as projeções argentinas se confirmem.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.