Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você trabalha com agronegócio, direta ou indiretamente, vale prestar atenção nos números que acabaram de ser divulgados: as 100 maiores empresas do setor faturaram, juntas, R$ 2,1 trilhões em 2025. É um crescimento de 13,45% em relação a 2024 e, descontada a inflação do período, representa uma alta real de 8,8%. Foi o segundo melhor resultado da série histórica da pesquisa, atrás apenas de 2022. Ou seja: mesmo com juros altos, disputas comerciais internacionais e riscos climáticos, o agro brasileiro continuou crescendo.
O que impulsionou esse resultado
O crescimento não foi uniforme entre os setores da cadeia produtiva. Das sete áreas analisadas, seis cresceram acima da inflação. O destaque ficou com o comércio e as tradings, empresas que compram, vendem e exportam grãos, com alta de 23,51% no faturamento. A proteína animal também teve bom desempenho, com crescimento de 16,37%, seguida pela agroenergia (etanol de cana, de milho e outros biocombustíveis), que avançou 13,37%. Alimentos e bebidas cresceram 7,2%.
A exceção negativa ficou por conta da celulose. O setor sofreu com a queda nos preços internacionais, que no início de 2025 chegaram a ficar abaixo de US$ 500 por tonelada, um nível considerado crítico para a saúde financeira das empresas desse segmento. Esse contraste mostra algo importante para quem está no agro: mesmo dentro da mesma cadeia produtiva, cada elo enfrenta uma realidade diferente, dependendo de preços, custo de insumos e demanda pelo seu produto específico.
Custos em alta exigem atenção
Se o resultado de 2025 foi positivo, o cenário que se desenha para a safra 2026/27 pede cautela. A alta dos preços internacionais do petróleo já começou a pressionar o custo de combustíveis e fertilizantes, dois insumos essenciais para quem produz. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta aumento de 9,8% nos gastos com insumos na próxima safra, com os fertilizantes subindo pelo menos 15%. Isso pesa ainda mais porque o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que usa nas lavouras, ficando bastante exposto a oscilações do mercado externo.
Esse aperto nos custos já está mudando o comportamento de quem produz. Uma pesquisa da consultoria McKinsey, feita com 5,5 mil agricultores em dez países, mostrou uma queda de 24 pontos percentuais na intenção de ampliar investimentos em comparação com 2024. No Brasil, a redução foi ainda maior: 25 pontos percentuais. Entre os entrevistados no mundo, 35% disseram que cortariam primeiro os gastos com nutrientes, e 36% condicionaram a compra de novos equipamentos à recuperação da lucratividade. Para quem gerencia um negócio no agro, esse é um sinal de que o planejamento financeiro e o controle de custos vão pesar ainda mais nos próximos meses.
Tecnologia como resposta ao aperto
Diante desse cenário mais apertado, a tecnologia tem ganhado espaço como ferramenta de eficiência. A pesquisa da Forbes com empresas do Agro100 mostrou que 92,7% das participantes já investem em algum uso de inteligência artificial, seja em tarefas administrativas, seja em processos de produção no campo. O movimento aparece também entre produtores menores: segundo a McKinsey, metade dos entrevistados já usa alguma tecnologia de agtech, um avanço de quatro pontos percentuais em relação a 2024.
A inteligência artificial generativa, incluída pela primeira vez nesse levantamento internacional, já é usada por 17% dos agricultores, embora apenas 4% paguem por algum serviço desse tipo. Entre quem usa, o planejamento de atividades é a aplicação mais comum, citada por 43%, seguida pelo manejo das lavouras, com 33%. Vale observar que 72% dos agricultores ouvidos pela McKinsey acreditam que a inteligência artificial vai impactar de fato suas operações dentro de três a cinco anos, o que sugere que ainda há espaço de crescimento nessa área.
Para o empresário do agro, a lição prática é dupla: de um lado, o setor segue mostrando capacidade de crescer mesmo em ambiente desafiador; de outro, o aumento de custos com insumos e combustíveis exige planejamento financeiro mais rígido e avaliação cuidadosa de novos investimentos. Acompanhar de perto a gestão de custos, buscar eficiência operacional e considerar o uso de tecnologia, mesmo em escala menor, pode ser o diferencial para atravessar bem os próximos ciclos de safra.
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