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Ações da Allos (ALSO3): por que o BTG ainda recomenda compra

14/09/2026 13:344 min de leituraAtualizado há 44 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Mesmo com o varejo brasileiro enfrentando juros altos e famílias endividadas, a Allos, dona de uma das maiores redes de shoppings do país, segue sendo vista como uma aposta segura por analistas do mercado financeiro. O BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimento do Brasil, reiterou recomendação de compra para as ações da empresa (ALSO3) após reunião com o CEO Rafael Sales e o diretor de Relações com Investidores, Diego Canuto. Para quem acompanha o setor de shoppings ou depende dele, seja como lojista, fornecedor ou investidor, entender por que essa avaliação positiva se mantém pode ajudar a enxergar sinais importantes sobre a saúde do consumo e do mercado imobiliário de varejo.

O que o BTG viu de positivo na Allos

Segundo o relatório assinado pelos analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, o preço-alvo definido pelo banco para as ações é de R$ 39, bem acima da cotação atual, na faixa dos R$ 28. Essa diferença indica que o BTG considera as ações da empresa ainda baratas diante do potencial de valorização. O motivo principal apontado é que a Allos consegue performar melhor que a média do setor, mesmo em um momento ruim para o varejo em geral.

De acordo com o CEO da empresa, essa resiliência vem de um trabalho constante de ajustes: o portfólio de shoppings é mais qualificado, o mix de lojistas é revisado com frequência, a vacância (espaços vazios nos shoppings) está baixa e a inadimplência dos lojistas segue sob controle. Ou seja, mesmo com o consumidor mais cauteloso, a Allos consegue manter os shoppings ocupados e os aluguéis em dia, o que sustenta a receita da companhia.

Dividendos e eficiência de custos como diferencial

Um dos pontos que chamam atenção de quem investe em ações é o retorno em dividendos pago pela Allos. Segundo dados do Status Invest, o dividend yield de ALSO3 está em 11%, com R$ 3,1289 pagos por ação nos últimos 12 meses. Esse é um número relevante para quem busca renda passiva através de investimentos em bolsa, e o BTG avalia que a empresa deve conseguir manter essa remuneração generosa aos acionistas nos próximos anos, sem colocar em risco seu nível de endividamento, que deve continuar controlado em torno de 2 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.

Outro fator citado pelos analistas é o ganho de eficiência nas despesas administrativas da empresa, impulsionado pelo programa interno batizado de Simplifica Allos. Esse tipo de ajuste interno, embora não apareça diretamente para o consumidor final, impacta diretamente a lucratividade da companhia e ajuda a explicar por que o mercado segue otimista mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.

Allos em números
R$ 39preço-alvo do BTGante cotação atual na faixa de R$ 28.
11%dividend yieldR$ 3,1289 pagos por ação nos últimos 12 meses.
15%valorização em 12 mesesacumulada pelas ações na bolsa de valores.

Reforma tributária e Helloo entram na conta

Outro ponto destacado pelo relatório é o impacto da reforma tributária sobre o setor de shoppings. Segundo o BTG, a mudança nas regras deve favorecer especialmente os shoppings mais consolidados e com boa localização, chamados de ativos dominantes. O cenário-base considerado pela empresa prevê que o repasse integral da nova alíquota do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) será feito conforme já está previsto nos contratos de aluguel firmados com os lojistas, o que reduz a incerteza sobre esse impacto para a companhia.

A Helloo, subsidiária de mídia digital da Allos, também foi citada como um vetor positivo. O segmento de publicidade em aeroportos está em bom ritmo de crescimento, e a empresa pretende intensificar a atuação em edifícios residenciais, o que deve manter as receitas dessa área crescendo de forma consistente nos próximos períodos.

Para 2026, as projeções do BTG apontam receita líquida de R$ 2,962 bilhões e lucro líquido de R$ 802 milhões para a Allos. Apesar desse cenário considerado favorável pelos analistas, as ações caíram 1,5% no pregão da última segunda-feira (14), por volta das 13h, embora acumulem alta de 15% em 12 meses.

Para empresários e gestores que atuam como lojistas em shoppings, o recado prático é que a resiliência do setor está diretamente ligada à seletividade dos shoppings mais bem administrados: baixa vacância e mix de lojistas bem ajustado tendem a significar fluxo de clientes mais estável, mesmo em momentos de retração do consumo. Já para quem avalia investir na bolsa, o caso da Allos mostra como dividendos consistentes e ganhos estruturais de eficiência podem sustentar uma recomendação positiva mesmo em um cenário macroeconômico mais apertado.

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