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12 livros para entender a economia contados como personagens de um romance

12/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Você já parou para pensar que dinheiro, mercado e até a ideia de "empresa" são, de certa forma, invenções humanas que decidimos coletivamente acreditar que funcionam? É essa a provocação da economista Antara Haldar, autora do romance "Everyman", que reconta 250 anos de história econômica usando personagens em vez de gráficos e teorias frias. Embora o tema pareça distante da rotina de quem administra um negócio, a proposta interessa diretamente a empresários e gestores: entender como as engrenagens da economia realmente funcionam ajuda a tomar decisões mais conscientes, principalmente em tempos de incerteza.

O que o livro propõe

Em vez de explicar a economia por meio de fórmulas e estatísticas, Haldar deu características humanas, quase mitológicas, aos grandes conceitos que moldaram o capitalismo global. Personagens como Neo, Finn, Tek e Gini representam, respectivamente, o "homem econômico" racional, o mundo das finanças, o poder das big techs e a desigualdade social. A ideia é simples: se a economia é, em parte, uma narrativa construída por pessoas, ela também pode ser recontada, e até reescrita, de outra forma.

Para quem lida com negócios, essa perspectiva é útil porque lembra que decisões econômicas não são fenômenos naturais e inevitáveis, mas resultado de escolhas humanas, sejam elas de governos, mercados financeiros ou grandes corporações. Entender essa lógica ajuda a interpretar melhor cenários de crise, mudanças regulatórias ou movimentos do mercado que impactam diretamente o dia a dia da sua empresa.

A lista de leituras por trás de cada personagem

Para aprofundar a compreensão da obra, Haldar organizou uma lista de 12 livros que teriam lugar na estante de cada um de seus personagens. Cada título ajuda a entender uma faceta diferente da economia: desde a obsessão pelo crescimento do PIB, com "The Growth Delusion", de David Pilling, até a ascensão das big techs, retratada em "Technofeudalism", de Yanis Varoufakis. A lista também traz clássicos como "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald, usado para explicar a ilusão de que "não há alternativa" ao sistema vigente, e "A Grande Transformação", de Karl Polanyi, que ajuda a entender por que sociedades se rebelam contra sistemas econômicos apresentados como inevitáveis.

Alguns personagens e os livros que os inspiraram
01
Neo, o ator racional

Inspirado em "The Growth Delusion", de David Pilling, questiona a obsessão pelo PIB como medida de sucesso.

02
Tek, a personificação das big techs

Baseado em "Technofeudalism", de Yanis Varoufakis, mostra como plataformas e algoritmos mudaram o capitalismo.

03
Gini, a encarnação da desigualdade

Ligada a "Empire of Cotton", de Sven Beckert, representa como fortunas foram construídas por meio de desigualdade histórica.

04
Average Joe, o protagonista do populismo

Inspirado em "The Great Transformation", de Karl Polanyi, explica revoltas contra sistemas econômicos tidos como inevitáveis.

Outros personagens completam esse panorama. Davos, batizado em referência ao fórum de elites globais, é inspirado em "Davos Man", de Peter S. Goodman, e representa a promessa, nem sempre cumprida, de que a globalização beneficiaria a todos. Já Asabiya, uma cooperativa dentro da narrativa, se baseia em ideias do pensador medieval Ibn Khaldun sobre os laços sociais que permitem às pessoas agirem em conjunto, o oposto do individualismo que move personagens como Neo.

Por que isso importa para quem empreende

Segundo dados citados por Haldar, pesquisas de instituições como o Bureau of Labor Statistics e o Departamento de Educação dos Estados Unidos apontam uma queda gradual no número de pessoas que leem por prazer. Nesse cenário, encontrar formas mais acessíveis de compreender temas econômicos complexos passa a ter valor prático: gestores que entendem melhor as forças que movem mercados, desigualdade e tecnologia tendem a antecipar tendências e tomar decisões mais informadas sobre investimentos, contratações e estratégias de longo prazo.

No fim das contas, o convite de "Everyman" e da lista de leituras organizada por Haldar é reconhecer que conceitos como mercado, valor e propriedade não são leis da natureza, mas construções que podem ser repensadas. Para o empresário, essa reflexão serve como lembrete de que entender o contexto econômico mais amplo, além dos números do próprio negócio, é parte essencial de uma gestão consciente e preparada para mudanças.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.