WEG: lucro cresce no 3º tri, mas fica abaixo do esperado pelo mercado
21/10/2026 11:193 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A WEG, uma das maiores fabricantes brasileiras de motores elétricos e equipamentos de automação e geração de energia, divulgou nesta quarta-feira (21) o balanço do terceiro trimestre. O lucro líquido somou R$ 1,67 bilhão, um avanço de 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número, porém, ficou abaixo da expectativa dos analistas, que projetavam R$ 1,71 bilhão, segundo dados da LSEG.
Para quem acompanha o setor industrial ou negocia com grandes fabricantes, esse tipo de resultado funciona como um termômetro: mostra como estão o custo das matérias-primas, o câmbio e a demanda externa, fatores que afetam toda a cadeia de fornecedores e parceiros comerciais ligados à indústria de bens de capital.
O que explica o resultado
O Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 2,35 bilhões, com crescimento de 3,1% na comparação anual, mas também abaixo da previsão de mercado, que era de R$ 2,40 bilhões. Já a margem Ebitda, que mostra quanto da receita vira resultado operacional, recuou 0,6 ponto percentual, para 21,6%.
Esse recuo de margem tem explicação direta: aumento nos custos de matérias-primas, especialmente o cobre, câmbio desfavorável e o impacto das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. Ou seja, mesmo vendendo mais, a empresa teve que lidar com pressões de custo que comeram parte do lucro adicional.
A receita líquida total foi de R$ 10,86 bilhões, alta de 5,7% sobre o ano anterior, também abaixo da expectativa média do mercado, de R$ 10,92 bilhões. Olhando para dentro dessa receita, fica claro de onde veio o crescimento: o mercado interno cresceu apenas 1,8%, enquanto o mercado externo avançou 8,3%.
Peso do mercado externo
Hoje, o faturamento obtido fora do Brasil já representa 62,5% da receita total da WEG, contra 37,5% gerados internamente. Essa proporção mostra uma empresa cada vez mais dependente das vendas internacionais para sustentar seu crescimento, o que também a deixa mais exposta a variações cambiais e a políticas comerciais de outros países, como as tarifas americanas mencionadas no balanço.
A própria empresa reconheceu esse movimento em comunicado, atribuindo o crescimento da receita e a manutenção de margens saudáveis ao bom desempenho no mercado externo, mesmo com a valorização do real pressionando os números.
Outro ponto relevante do balanço é o volume de investimentos. A WEG aplicou R$ 905,4 milhões em modernização e expansão da capacidade produtiva no trimestre, valor bem acima dos R$ 672,6 milhões investidos no mesmo período do ano passado. Desse total, 39,8% foram para unidades no Brasil e 60,2% para unidades no exterior, reforçando a estratégia de crescimento fora do país. Para 2026, a empresa já sinalizou um investimento ainda maior, de cerca de R$ 3,54 bilhões em ativos imobilizados, além de R$ 22,4 milhões em ativos intangíveis.
Para empresários e gestores que fornecem insumos, serviços ou peças para grandes indústrias, esse movimento de investimento crescente é um sinal a observar: mostra que companhias como a WEG continuam expandindo capacidade produtiva, o que pode significar novas oportunidades de contrato, especialmente para fornecedores ligados às operações no exterior, que hoje concentram a maior parte dos recursos destinados à expansão.
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