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Vício em apostas online sobrecarrega o SUS e já custa R$ 30,6 bi por ano

21/09/2026 17:234 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um problema que muitas empresas já sentem no dia a dia, funcionários endividados, queda de produtividade e afastamentos por ansiedade e depressão, tem uma origem que ganhou tamanho de crise de saúde pública: as apostas online. Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) calculou que os danos causados pelas bets custam R$ 30,6 bilhões por ano ao Sistema Único de Saúde (SUS), somando gastos com tratamento de depressão, ansiedade e mortes por suicídio ligadas ao vício em apostas.

Para você que administra um negócio, esse dado importa além da estatística. Se a sua empresa já percebeu aumento de faltas, queda de rendimento ou pedidos de adiantamento salarial fora do padrão, pode haver relação com o endividamento por apostas, um fenômeno que cresce rápido e atinge trabalhadores de todas as faixas de renda.

O tamanho do problema

Segundo o diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati, a procura por atendimento no SUS relacionada a jogos e apostas subiu 140% nos últimos cinco anos, com aumento registrado em toda a rede de saúde mental do país. Diante disso, o governo criou um teleatendimento específico para esse público: só entre fevereiro e agora, 20 mil pessoas se cadastraram após fazer um teste inicial de triagem.

A procura foi tão grande que a capacidade de atendimento precisou ser ampliada de 600 para até 100 mil teleatendimentos mensais, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). Outro termômetro da gravidade da situação é a plataforma de autoexclusão de apostas, criada pelo Ministério da Fazenda: mais de 5 milhões de CPFs já foram bloqueados em sites autorizados a operar no país, incluindo beneficiários do Bolsa Família, do BPC e pessoas em programas de renegociação de dívidas. Mais de 1 milhão de usuários pediram autoexclusão por conta própria, e quase metade deles apontou problemas de saúde mental como motivo.

O peso das apostas no SUS
R$ 30,6 bicusto anual ao SUSgasto estimado com tratamentos de saúde mental ligados a apostas.
140%aumento na busca por ajudacrescimento da procura por atendimento em 5 anos.
5 milhõesCPFs bloqueadosautoexclusão em sites de apostas autorizados.
1%repasse à saúdeparcela do valor arrecadado das operadoras destinada ao Ministério da Saúde.

Chama atenção o descompasso: apenas 1% do valor arrecadado pelas operadoras de apostas é destinado ao Ministério da Saúde para tentar minimizar os danos causados. Ou seja, o setor que lucra com as apostas contribui muito pouco para custear o tratamento dos problemas que ele próprio ajuda a gerar, deixando a conta majoritariamente com o SUS, financiado por todos os contribuintes.

Como isso chega até o seu negócio

Relatos reunidos na reportagem mostram o tamanho do estrago individual: um jovem de 24 anos perdeu meio milhão de reais em seis anos de apostas, começando ainda aos 18. Uma jogadora compulsiva de 41 anos descreveu perda total de controle sobre rotina, trabalho e sono. São histórias que, multiplicadas, explicam parte do absenteísmo, da baixa produtividade e até de fraudes internas que empresas enfrentam sem saber a causa raiz.

Especialistas ouvidos na reportagem reforçam que a dependência em jogos é uma doença, não falta de força de vontade, e que sinais como isolamento, mudança de humor e gastos elevados merecem atenção rápida, seja em casa, seja no ambiente de trabalho. A psicóloga Mariana Kehl destaca que buscar ajuda qualificada sem julgamento é o caminho mais eficaz, já que a vergonha tende a manter o problema escondido até que ele se agrave.

Onde buscar apoio

O SUS oferece teleatendimento psicológico gratuito pelo portal Meu SUS Digital, além de atendimento presencial nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), incluindo suporte para familiares. Também existem grupos de apoio como a irmandade Jogadores Anônimos, com reuniões presenciais e online, o JOG-Anon (voltado a familiares e amigos de jogadores) e o Centro de Valorização da Vida (CVV), pela internet ou pelo telefone 188. A plataforma de autoexclusão do Ministério da Fazenda também é uma ferramenta prática para quem quer se afastar das apostas.

Se você é gestor, vale considerar orientar sua equipe sobre esses canais gratuitos como parte de um cuidado básico com saúde mental no trabalho. Não é preciso montar programas caros: divulgar internamente que existem esses serviços do SUS e das irmandades de apoio já pode ajudar um funcionário a buscar ajuda antes que o problema afete a rotina, a produtividade e as finanças da própria empresa.

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