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Verticalização de negócio: a lição da destilaria escocesa para pequenas empresas

09/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 24 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Você já parou para pensar no que uma destilaria de uísque escocesa pode ensinar sobre gestão de negócios? A Loch Lomond, localizada nas Highlands da Escócia, é um exemplo prático de como controlar toda a cadeia produtiva pode virar vantagem competitiva. A empresa não abre as portas para visitas guiadas e não investe em construir um ar de mistério de propósito, mas sua estrutura interna é tão completa que funciona quase como uma fábrica autossuficiente, capaz de produzir praticamente todos os estilos de uísque escocês em um único lugar.

A história da Loch Lomond começou na década de 1960, fruto de uma parceria entre duas empresas do setor. Depois de passar por dificuldades e um fechamento temporário em 1984, a destilaria foi comprada em 1985 por um grupo empresarial que decidiu apostar em algo diferente: em vez de depender de fornecedores externos para compor seus produtos finais, a empresa passou a produzir internamente quase todos os tipos de destilado necessários para suas bebidas. Essa decisão estratégica é o que explica boa parte do sucesso da marca hoje.

O que torna o modelo da Loch Lomond inovador

O grande diferencial da empresa está na verticalização. Em vez de comprar diferentes tipos de uísque de outras destilarias para compor suas misturas (os chamados blends), a Loch Lomond decidiu produzir tudo internamente. Para isso, adquiriu outras duas destilarias e investiu em equipamentos capazes de reproduzir estilos regionais distintos de uísque. O resultado é uma estrutura que funciona quase como um polo industrial completo, reduzindo a dependência de terceiros e dando à empresa controle total sobre qualidade, prazo e custo.

Esse tipo de decisão tem um paralelo direto com qualquer negócio brasileiro: quando você internaliza etapas da produção que antes dependiam de fornecedores externos, ganha previsibilidade e agilidade. Um exemplo citado pela própria destilaria é a tanoaria própria, instalada em 1994. Ter uma estrutura interna para fabricar e restaurar os barris significa que a empresa pode atender pedidos específicos do responsável pela mistura das bebidas quase imediatamente, em vez de esperar meses por um fornecedor externo. Isso reduz custos, evita gargalos e permite ajustes rápidos conforme a demanda do mercado.

Diversificação como estratégia de crescimento

Outro ponto que chama atenção na operação da Loch Lomond é a diversificação de produtos a partir da mesma estrutura. A destilaria opera com 11 alambiques diferentes, o que permite fabricar 11 estilos distintos de destilado, sendo a maioria de uísque de malte e um de grãos. Essa variedade não é acidental: reflete uma estratégia de atender diferentes públicos e canais de venda com o mínimo de investimento adicional em infraestrutura, aproveitando a mesma base produtiva para gerar receitas em segmentos diferentes.

Um exemplo interessante é a linha Grainstorm, um destilado que tecnicamente não pode ser chamado de "single malt" por causa de uma mudança regulatória no Reino Unido em 2009, mas que encontrou espaço em mercados como a África do Sul e caminha para expandir para outras regiões. Isso mostra como uma empresa pode transformar uma limitação regulatória em uma oportunidade de posicionamento diferenciado, criando uma marca própria para um produto que não se encaixa nas categorias tradicionais.

ItemDetalhe
Total de alambiques11 (6 de coluna reta, 2 tradicionais, 3 de single grain)
Estilos de destilado produzidos11 (10 de malte, 1 de grãos)
Produção anual de malte3 a 5 milhões de litros
Produção anual de single grain tradicionalAproximadamente 20 milhões de litros
Barris administradosCerca de 500 mil, em 28 armazéns
Restauração de barris por ano20 mil a 30 mil
Reaproveitamento de cada barrilAté 9 ciclos (média do setor é 3)
Preço da linha GrainstormUS$ 30 a US$ 35 (R$ 153 a R$ 178,50)

Gestão de ativos e redução de desperdício

A forma como a Loch Lomond administra seus barris também merece atenção. A empresa conta com nove tanoeiros dedicados exclusivamente à restauração de barris, o que permite reutilizar cada peça por até nove ciclos, quase o triplo da média do setor, que costuma ser de três usos. Esse tipo de gestão de ativos reduz significativamente o custo de reposição e prolonga a vida útil de um insumo caro, um princípio que vale para qualquer empresa que dependa de equipamentos ou materiais duráveis em sua produção.

Para o empresário brasileiro, o case da Loch Lomond serve como lembrete de que inovação nem sempre significa criar algo do zero. Muitas vezes, está em revisar processos internos, testar variações de matéria-prima (como a empresa faz ao usar diferentes tipos de levedura na fermentação) e investir em capacidade própria para etapas críticas da produção. São decisões que, no curto prazo, exigem invest

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