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Varejo desacelera com juros altos: o que isso significa para sua empresa

15/10/2026 14:444 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O comércio brasileiro deu sinais claros de cansaço em agosto. As vendas cresceram bem menos do que o mercado esperava, e os setores mais dependentes de financiamento, como móveis, eletrodomésticos e veículos, tiveram quedas expressivas. Isso não significa que o consumo parou, mas mostra que o brasileiro está mais seletivo na hora de gastar, principalmente quando precisa recorrer a crédito. Para você, empresário, entender essa dinâmica é essencial para ajustar preços, estoque e estratégia comercial nos próximos meses.

O que os números mostram

Segundo o IBGE, o varejo restrito (que não inclui veículos e materiais de construção) cresceu apenas 0,1% em agosto na comparação com julho, bem abaixo da expectativa de alta de 0,7% do mercado. Já o varejo ampliado, que soma veículos, construção e atacado de alimentos, teve queda de 0,2%. Os piores desempenhos vieram justamente dos produtos que dependem de financiamento: móveis e eletrodomésticos caíram 4,2%, veículos recuaram 1% e materiais de construção, 2%. Isso confirma que o crédito caro está pesando mais sobre compras de maior valor, que podem ser adiadas sem grandes prejuízos para o consumidor.

Vale lembrar que esse resultado fraco de agosto nem compensou a queda de 0,8% registrada em julho. Olhando pela média móvel trimestral, que suaviza oscilações pontuais, as vendas recuaram 0,1% no varejo restrito e 0,3% no ampliado. Ou seja, não é um tropeço isolado, mas uma tendência de perda de ritmo que já se espalha também para indústria e serviços.

Como o crédito caro afeta cada segmento
-4,2%Móveis e eletrodomésticosMaior queda entre os segmentos que dependem de financiamento.
-1%VeículosCompras de alto valor seguem sendo adiadas pelos consumidores.
-2%Materiais de construçãoReformas e obras perdem força com o custo do crédito elevado.
0,1%Varejo restrito em agostoCrescimento bem abaixo da expectativa de mercado, de 0,7%.

Por que o consumo não despenca de vez

Apesar da fraqueza em setores sensíveis ao crédito, a economia não está em queda livre. O mercado de trabalho aquecido e a expansão dos gastos públicos, com transferências e benefícios que crescem acima da inflação, continuam colocando dinheiro no bolso das famílias. Esse é o ponto central para entender o momento: de um lado, o crédito caro e o alto comprometimento da renda das famílias com dívidas freiam o consumo; de outro, emprego e benefícios sociais sustentam a demanda. É esse equilíbrio de forças que explica por que a atividade perde força aos poucos, sem um colapso repentino.

Há ainda um detalhe importante para quem acompanha o faturamento do próprio negócio: o valor em reais vendido pelo varejo cresceu mais do que a quantidade de produtos vendidos. Isso quer dizer que o faturamento pode estar subindo por causa de preços mais altos, e não porque as pessoas estão comprando mais. Na hora de avaliar a saúde das suas vendas, é importante olhar não só para o valor faturado, mas para o volume real de produtos ou serviços entregues.

O que esperar dos juros e como se preparar

O C6 Bank projeta crescimento de 1,7% para o PIB em 2026 e espera que o varejo ampliado avance cerca de 2% no ano. A Selic, mesmo após cortes recentes, deve terminar o ano em 13,75%, segundo a instituição, que não descarta novos cortes. Já outros analistas, como Rafael Minotto, da Ciano Investimentos, veem nos dados fracos de agosto um argumento para que o Banco Central continue cortando juros em novembro. Mas atenção: mesmo que a Selic caia, isso não deve se refletir de imediato no custo do crédito ao consumidor, e famílias muito endividadas vão precisar de tempo para recuperar espaço no orçamento antes de voltar a gastar mais.

Como ajustar sua estratégia comercial
01
Reveja a dependência de crédito nas vendas

Se seu negócio vende produtos de maior valor, avalie condições de pagamento mais flexíveis e compatíveis com a renda do cliente.

02
Evite depender só de descontos

Promoções agressivas podem comprometer sua margem sem garantir aumento duradouro da demanda.

03
Invista em experiência de compra e dados

Entender melhor o comportamento do cliente ajuda a vender com mais eficiência, mesmo com o mercado mais cauteloso.

04
Acompanhe volume vendido, não só faturamento

Preços mais altos podem mascarar queda real nas quantidades vendidas; monitore os dois indicadores separadamente.

Para quem administra uma empresa, o cenário pede atenção redobrada ao fluxo de caixa e ao planejamento de estoque, especialmente se você trabalha com produtos de maior valor ou que dependem de financ

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.