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Vale a pena investir no exterior mesmo com a Selic em 13,75%?

17/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você tem a maior parte (ou todo) o seu dinheiro aplicado em investimentos brasileiros atrelados à Selic ou ao CDI, talvez esteja mais exposto a riscos do que imagina. É essa a principal conclusão de um estudo recente da Fundação Getulio Vargas (FGV), que reacende uma discussão importante para quem administra recursos próprios ou de uma empresa: mesmo com juros elevados, o Brasil continua sendo um país de risco, e isso tem preço.

Na quarta-feira (16), o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. É uma queda pequena, mas que reacende a pergunta de sempre: ainda vale a pena diversificar parte do patrimônio no exterior quando a renda fixa brasileira paga tanto? Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a resposta é sim, e o motivo vai além da rentabilidade.

Por que a Selic alta não é garantia de segurança

Para William Eid Junior, professor da FGV, a lógica é simples: juros altos remuneram o risco do país, mas não o eliminam. Ou seja, quando você aplica todo o seu dinheiro em CDI ou Selic, está sendo pago para correr o risco de ficar 100% exposto à economia brasileira, e não deixando de correr esse risco. Isso inclui risco de inflação, de crédito e de concentração em uma única moeda: o real.

O estudo da FGV, conduzido também pelos professores Claudia Yoshinaga, Francisco de Castro Junior e Ricardo Rochman, reforça esse ponto usando dados históricos. Cem reais aplicados no CDI em janeiro de 2000 teriam virado cerca de R$ 2.108 em julho de 2026, um retorno nominal de mais de 2.000%. Parece um ótimo resultado, mas, descontada a inflação do período (382%), o ganho real cai para cerca de 337%, ou seja, mais de três quartos do retorno "nominal" foi consumido pela alta de preços. Quando o valor é convertido para dólar, o resultado é ainda mais modesto: o equivalente a US$ 743.

O comportamento do investidor brasileiro

Apesar dos alertas, os brasileiros seguem concentrados em ativos domésticos. Dados da CVM mostram que, quando a Selic sobe, o dinheiro sai dos fundos que investem no exterior. Entre 2020 e 2021, com juros baixos, esses fundos captaram R$ 31,6 bilhões líquidos. Já entre 2022 e maio de 2026, com a Selic acima de 10% ao ano, houve saque líquido de R$ 33,3 bilhões. Isso mostra que, na prática, muita gente usa a taxa de juros como termômetro para decidir se manda dinheiro para fora, o que pode ser um erro de estratégia.

Quanto do patrimônio brasileiro está fora do país
6,3%do total declarado ao IRestá fora do Brasil.
2,2%considerando imóveis e fundosa fatia cai ainda mais.
59%em renda fixa no Brasildos R$ 8,5 trilhões de pessoas físicas em 2025.

Esse cenário contrasta com o dos Estados Unidos, onde ações representam 45,8% dos ativos financeiros das famílias, mais de três vezes a proporção observada entre investidores brasileiros. Segundo o professor da FGV, essa diferença tem explicação: com juros reais elevados, a renda fixa brasileira é difícil de superar em risco e retorno, o que reduz o interesse por outras classes de ativos, inclusive dentro do próprio país. O problema é que ações, fundos multimercados e outros ativos brasileiros costumam ter correlação positiva entre si, ou seja, tendem a subir ou cair juntos diante de uma crise. O dólar é, segundo o estudo, o único ativo que historicamente se move na direção contrária, funcionando como proteção real para quem quer reduzir risco sem abrir mão de retorno.

Como pensar a diversificação na prática

Um ponto de atenção do estudo é sobre o momento de enviar dinheiro para o exterior. A tentação de esperar o dólar cair para "aproveitar" o câmbio mais barato, segundo os pesquisadores, tende a sair caro: quem espera geralmente perde os melhores momentos de valorização lá fora. As simulações feitas pela FGV mostram que investidores disciplinados, que enviam recursos regularmente (todo mês ou a cada três meses), obtêm melhores resultados do que quem tenta acertar o timing ideal.

O que fazer
01
Revise a concentração em reais

Verifique quanto do seu patrimônio pessoal e da empresa está exposto exclusivamente à economia brasileira.

02
Não espere o "momento ideal" do dólar

Aportes regulares e disciplinados tendem a superar tentativas de acertar o câmbio mais barato.

03
Avalie o CDI com espírito crítico

Use a renda fixa para liquidez, mas não trate o CDI como sinônimo de proteção patrimonial de longo prazo.

04
Busque orientação especializada

Considere apoio contábil e financeiro para estruturar a diversificação de forma organizada e dentro das regras fiscais.

Para empresários e gestores, o recado prático é direto: a Selic alta pode

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.