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Uso de IA no trabalho: por que os jovens estão mais preocupados que animados

23/08/2026 05:034 min de leituraAtualizado há 10 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Uma pesquisa do Pew Research Center revelou um dado que interessa diretamente a quem gerencia equipes: os adultos americanos com menos de 30 anos estão cada vez mais desconfiados da inteligência artificial, mesmo sendo o grupo que mais usa a tecnologia no dia a dia. Embora a pesquisa tenha sido feita nos Estados Unidos, o cenário ajuda a entender uma tensão que já aparece também em empresas brasileiras: colaboradores usam ferramentas de IA no trabalho, mas nem sempre confiam nelas ou se sentem confortáveis com o assunto.

O que os números mostram

Segundo o levantamento, 55% dos adultos com menos de 30 anos disseram estar mais preocupados do que entusiasmados com a IA, um salto em relação aos 39% registrados apenas dois anos antes. Entre todas as faixas etárias, 52% dos adultos americanos afirmam sentir mais receio do que empolgação, um patamar bem acima dos 38% observados em 2022. O entusiasmo, por outro lado, vem caindo em todos os grupos desde 2021, com a queda mais forte justamente entre os mais jovens: hoje apenas 11% deles dizem estar mais animados do que preocupados, uma retração de 25 pontos percentuais em cinco anos.

Esse receio está diretamente ligado ao medo de perder o emprego. A pesquisa aponta que 71% das pessoas acreditam que a IA vai reduzir as oportunidades de trabalho nas próximas duas décadas, contra 64% no ano anterior. Entre os jovens, essa preocupação é ainda mais evidente: passou de 61% para 73% em apenas um ano. Para empresários, isso é um sinal claro de que a ansiedade em torno da automação não é passageira e tende a influenciar diretamente o clima organizacional e a forma como os times reagem a novas ferramentas.

O paradoxo da geração jovem com a IA
55%estão mais preocupados que animadosentre adultos com menos de 30 anos, ante 39% há dois anos.
66%usam chatbots de IAmaior taxa de uso entre todas as faixas etárias.
73%temem perder oportunidades de empregoalta em relação aos 61% registrados no ano anterior.

Por que isso importa para o seu negócio

Outras pesquisas do Pew reforçam esse quadro. Um levantamento de junho mostrou que 48% dos jovens acreditam que o impacto da IA na sociedade será negativo nos próximos 20 anos, o maior percentual entre todas as faixas etárias, contra apenas 14% que veem um efeito positivo. Uma pesquisa mais recente, de setembro, encontrou que 61% dos jovens acham que a IA vai piorar a capacidade das pessoas de pensar de forma criativa, e 58% acreditam que ela também vai prejudicar a formação de relacionamentos. Ainda assim, esse mesmo grupo é o que mais usa chatbots: 66% dos jovens americanos afirmam utilizar essas ferramentas, um salto de 11 pontos em dois anos, contra 49% da população em geral.

O uso prático também chama atenção: 54% dos jovens usam chatbots para pesquisar informações, 27% para buscar conselhos médicos e 20% para apoio emocional. Ou seja, a tecnologia já faz parte da rotina, mesmo com a desconfiança crescendo. Para empresas que estão implementando IA em processos internos, atendimento ou produtividade, esse é um ponto de atenção: colaboradores mais jovens podem adotar as ferramentas rapidamente, mas isso não significa que estejam confortáveis ou confiantes com os rumos da tecnologia.

Essa desconfiança também aparece em relação às lideranças do setor. Uma pesquisa da CNBC, divulgada na semana passada, mostrou que a maioria dos americanos entre 18 e 34 anos não confia nos principais executivos de empresas de IA para agir de forma responsável. Os números de desconfiança variam de 69% a 81%, dependendo do executivo avaliado. Isso reforça que o receio não é apenas com a tecnologia em si, mas também com quem está por trás dela, um fator que pode influenciar a forma como equipes recebem comunicados sobre novas ferramentas de IA dentro da empresa.

Como se preparar

Para gestores e empresários, o recado prático é que a adoção de IA no ambiente de trabalho precisa vir acompanhada de comunicação clara e transparente, especialmente com equipes mais jovens. Explicar como a ferramenta será usada, quais dados envolve e como ela impacta (ou não) a segurança do emprego pode reduzir resistências e ansiedade. Ignorar esse sentimento pode gerar desconfiança silenciosa, queda de engajamento ou até resistência velada na adoção de novas tecnologias, mesmo quando elas trazem ganhos reais de produtividade para o negócio.

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