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Trump usa campos de golfe para reduzir impostos: entenda a manobra

19/10/2026 14:254 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.

Uma reportagem da Forbes revela que o presidente americano Donald Trump está usando um mecanismo legal do sistema tributário dos Estados Unidos, conhecido como servidão de conservação, para tentar reduzir sua conta de impostos em cerca de US$ 825 milhões. A estratégia envolve doar o direito de construir sobre áreas de seus campos de golfe a organizações ambientais, sem abrir mão da propriedade nem do uso comercial do empreendimento.

O caso chama atenção porque mostra, na prática, como regras tributárias criadas para incentivar a preservação ambiental podem ser usadas de forma criativa por grandes contribuintes. Mesmo não sendo uma situação brasileira, o episódio é um bom lembrete de como planejamento tributário agressivo pode gerar questionamentos do fisco, disputas judiciais longas e riscos reputacionais, algo que vale para qualquer empresário que avalie estratégias de redução de impostos fora dos padrões convencionais.

O que é essa manobra fiscal

A regra usada por Trump permite que o dono de um imóvel reduza seus impostos ao abrir mão formalmente do direito de construir em determinada área, mesmo continuando dono da propriedade. A lógica original é incentivar a preservação de habitats naturais: ao desistir de um projeto imobiliário, o proprietário faria uma espécie de doação de benefício público, compensada com uma dedução fiscal.

No caso de Trump, uma organização ambiental avaliou um de seus campos de golfe, na Flórida, como se fosse um habitat natural relevante. Depois, a Trump Organization doou a essa entidade o direito de desenvolver a área, sem deixar de ser dona do clube nem de operá-lo normalmente. Na prática, para efeitos fiscais, o campo de golfe passa a ser tratado como reserva ambiental, enquanto continua funcionando como negócio voltado a clientes pagantes.

Esse tipo de acordo já havia sido usado por Trump há cerca de 20 anos, em uma propriedade no estado de Nova Jersey. Na época, uma avaliação atribuiu à área um valor de US$ 39 milhões, permitindo uma dedução de cerca de US$ 14 milhões, mesmo a propriedade inteira tendo sido comprada por apenas US$ 8 milhões. O IRS, equivalente à Receita Federal americana, chegou a contestar o valor da dedução, considerando que operar um campo de golfe não configura atividade de conservação ambiental.

Por que o caso atual é mais delicado

A reportagem destaca um ponto sensível: a nova doação ambiental foi feita em dezembro de 2025, e, um mês depois, Trump entrou com uma ação contra o próprio IRS, alegando falhas na proteção de suas informações fiscais durante seu mandato anterior. Ou seja, o presidente processou uma agência federal que, ao mesmo tempo, está sob o comando do governo que ele próprio chefia.

O desfecho desse processo resultou em um acordo judicial que impede o governo de abrir qualquer questionamento contra Trump e seus negócios relacionado a temas já pendentes, ou que possam vir a ficar pendentes. Apesar de autoridades afirmarem que esse acordo não cobre a declaração de impostos de 2025, especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o texto pode, na prática, blindar o presidente de futuras contestações do fisco sobre essa estratégia específica.

A manobra em números
US$ 825 milhõesabatimento estimadovalor que a Forbes projeta que Trump pode deduzir com a nova servidão de conservação.
US$ 500 milhõesconta de impostos projetadavalor estimado que Trump deveria pagar antes de considerar a estratégia.
US$ 14 milhõesprecedente de 2005dedução conseguida em manobra semelhante feita há cerca de 20 anos em Nova Jersey.

Para o empresário brasileiro, o episódio serve como alerta sobre os limites entre planejamento tributário legítimo e estratégias que, embora formalmente dentro da lei, podem gerar anos de disputa com o fisco. No Brasil, a Receita Federal também tem intensificado a fiscalização sobre operações consideradas elisão fiscal agressiva, especialmente aquelas que envolvem avaliações patrimoniais questionáveis ou estruturas societárias complexas criadas apenas para reduzir impostos.

A lição prática é simples: qualquer estratégia de redução tributária precisa ter substância econômica real, não apenas forma jurídica. Avaliações superestimadas, doações sem efeito prático no dia a dia do negócio e estruturas que existem apenas no papel tendem a chamar atenção do fisco, gerar autuações e, em casos extremos, resultar em processos judiciais longos e custosos. Antes de adotar qualquer planejamento tributário fora do padrão, vale buscar orientação contábil especializada para avaliar riscos e garantir que a operação resista a uma eventual fiscalização.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.