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Trump negocia comprar fertilizante de Belarus: entenda o impacto no agro

23/09/2026 04:593 min de leituraAtualizado há 7 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo está negociando um acordo para comprar potassa, um tipo de fertilizante, diretamente de Belarus. Segundo ele, o preço seria mais baixo do que o pago atualmente ao Canadá, principal fornecedor do produto para os agricultores americanos. Para quem acompanha o mercado de insumos agrícolas, o episódio é mais um capítulo de uma disputa comercial que já vem afetando preços e rotas de fornecimento entre EUA e Canadá.

O que está em jogo

A potassa é um grupo de sais minerais usado como fertilizante nas lavouras, essencial para a produtividade agrícola. Hoje, o Canadá responde por mais de 80% de toda a potassa usada nas propriedades rurais americanas, um volume que em 2025 somou C$ 4,2 bilhões, o equivalente a R$ 15,22 bilhões na cotação atual. Trump quer reduzir essa dependência buscando um fornecedor alternativo: Belarus, país aliado da Rússia e apontado como parceiro estratégico no conflito com a Ucrânia, embora não participe diretamente da guerra.

O detalhe que chama atenção é o momento escolhido para essa aproximação comercial. Enquanto Trump negocia com Belarus, líderes europeus alertam para o risco de novos ataques russos. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, disse que a Rússia pode estar planejando atacar países que apoiam a Ucrânia, com base em informações de inteligência da Otan. O presidente francês Emmanuel Macron também alertou sobre possíveis ataques cibernéticos e com drones, que poderiam ser disfarçados de acidentes.

Por que isso envolve o Canadá

A negociação com Belarus acontece justamente durante uma guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá. Em julho, Trump autorizou tarifas de 50% sobre uma série de importações canadenses, incluindo concreto, bebidas alcoólicas, laticínios e diversos metais. Em resposta, o Canadá aplicou tarifas retaliatórias sobre C$ 27,6 bilhões em produtos americanos, o que equivale a R$ 100,02 bilhões, atingindo setores como aço, laticínios, equipamentos agrícolas, eletrônicos, eletrodomésticos, papel e celulose.

Vale destacar que, apesar de toda essa disputa tarifária, a potassa canadense continua isenta das tarifas de importação dos Estados Unidos. Ou seja, mesmo com a guerra comercial em curso, o fertilizante seguiu entrando sem taxação extra, o que mostra a importância desse insumo específico para o abastecimento agrícola americano. Uma tentativa de negociação direta entre os dois países, realizada em agosto, fracassou por divergências sobre tarifas de automóveis, aço e regras internas ligadas a bebidas alcoólicas.

O peso do Canadá no fornecimento de potassa aos EUA
Mais de 80%da potassa usada nas fazendas americanasvem do Canadá, segundo dados oficiais.
R$ 15,22 biimportados em 2025valor da potassa canadense comprada pelos EUA neste ano.
R$ 100,02 biem tarifas retaliatórias canadensesaplicadas sobre produtos dos EUA após a disputa comercial.

Para empresários do agronegócio brasileiro, esse movimento merece atenção mesmo à distância. O mercado global de fertilizantes é interligado: mudanças na origem e no preço da potassa comprada pelos Estados Unidos podem influenciar a oferta e os preços praticados em outros mercados, incluindo o brasileiro, que também depende fortemente de fertilizantes importados. Qualquer realinhamento de rotas comerciais em escala global tende a repercutir nos custos de produção agrícola em diversos países.

Por enquanto, o acordo entre Estados Unidos e Belarus ainda está em fase de negociação, sem detalhes definitivos sobre volumes, prazos ou condições finais. O cenário segue sensível, dado o contexto de tensão geopolítica na Europa e a guerra comercial ainda ativa entre EUA e Canadá. Empresários e gestores ligados ao agronegócio devem acompanhar os próximos desdobramentos, já que qualquer definição sobre esse acordo pode impactar a disponibilidade e o custo de fertilizantes no mercado internacional nos próximos meses.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.