Transição energética: 5 tendências que já afetam custos e negócios
21/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um novo relatório da gestora britânica Generation Investment Management, que tem o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore como chairman, mapeou cinco tendências que estão mudando a forma como energia, transporte e produção de alimentos funcionam no mundo. O documento, chamado The Sustainability Trends Report 2026, é publicado todo ano desde 2016 e virou referência para quem acompanha a chamada economia de baixas emissões. Para você que é empresário, o ponto principal é simples: essas mudanças já afetam custos de energia, insumos agrícolas e até a competitividade de setores inteiros, então vale entender onde elas podem tocar o seu negócio.
O que muda
A primeira tendência mostra que o problema da energia limpa deixou de ser produzir mais eletricidade renovável e passou a ser conseguir transportar, armazenar e distribuir essa energia. Em 2025, a geração de energia limpa cresceu tanto que deu para cobrir todo o aumento mundial na demanda de eletricidade, e ainda sobrou. A energia solar cresceu 30% no ano e a capacidade de armazenamento em baterias avançou mais de 40%. Na prática, isso significa que redes de transmissão, sistemas digitais de gestão de energia e baterias passam a ser tão importantes quanto a própria geração, algo que pode impactar o custo e a disponibilidade de energia para empresas de diversos setores.
A segunda tendência é a aceleração dos carros elétricos. Em 2025, um em cada quatro carros novos vendidos no mundo tinha algum tipo de motor elétrico, e as vendas de carros movidos só a gasolina continuam abaixo do pico de 2017. A China aparece na frente desse movimento, liderando a produção de carros elétricos, baterias e painéis solares, e ampliando vendas para outros mercados: as exportações chinesas de tecnologia solar para países africanos cresceram 120% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na Europa, as vendas de elétricos subiram 30% em 2025. Isso indica uma disputa mais dura entre fabricantes tradicionais e empresas chinesas, o que pode influenciar preços e disponibilidade de veículos e peças no Brasil também.
A terceira tendência é menos falada, mas pode chegar à sua indústria: as bombas de calor, equipamentas que substituem sistemas movidos a combustíveis fósseis para gerar calor e vapor em processos industriais. Projetos na Finlândia, Alemanha e Estados Unidos já usam essa tecnologia para reduzir o consumo de gás natural na produção. As vendas de bombas de calor cresceram cerca de 17% em 11 países europeus, e na Índia as vendas de fogões de indução aumentaram dez vezes. Segundo o relatório, o avanço desse mercado depende menos de tecnologia e mais de políticas públicas que incentivem o investimento, o que é um ponto de atenção para empresas que dependem de energia térmica em seus processos produtivos.
A quarta tendência conecta energia e agricultura, um tema direto para quem trabalha com produção ou distribuição de alimentos. O relatório aponta que a agricultura ainda depende fortemente de combustíveis fósseis, principalmente por causa da produção e transporte de fertilizantes nitrogenados sintéticos, insumos que sustentam a alimentação de quase metade da população mundial. Como boa parte do comércio internacional desses fertilizantes passa por rotas estratégicas, qualquer problema logístico pode encarecer rapidamente a produção agrícola. O relatório cita que restrições no Estreito de Ormuz comprometeram cerca de um terço do comércio marítimo global de fertilizantes, o que, somado a eventos climáticos extremos e à possibilidade de um forte El Niño, aumenta o risco de instabilidade nos preços de alimentos.
Por que isso interessa ao seu negócio
Mesmo que sua empresa não esteja nos setores de energia, automóveis ou agro diretamente, essas tendências afetam custos que chegam a quase todos os negócios: preço da energia elétrica, combustíveis, transporte e alimentos. Al Gore resume a lógica do relatório dizendo que segurança energética, estabilidade econômica e ação climática deixaram de ser temas separados e passaram a fazer parte de uma mesma questão. Segundo ele, os preços altos de petróleo e gás geram lucros extraordinários para o setor, enquanto consumidores em todo o mundo pagam mais por combustíveis e alimentos, um efeito que se espalha pela cadeia de custos de qualquer empresa.
Para o empresário, o recado prático é acompanhar de perto como essas mudanças podem afetar seus custos fixos e sua cadeia de suprimentos, especialmente se seu negócio depende de energia intensiva, transporte de mercadorias ou insumos agrícolas importados. Empresas que já começam a avaliar alternativas, como eficiência energética, fontes renováveis ou fornecedores menos expostos a rotas logísticas sensíveis, tendem a estar mais preparadas para enfrentar oscilações de preços nos próximos anos.
Na GL Inteligência Contábil, entendemos que decisões de investimento e planejamento financeiro precisam considerar esse cenário de transição energética em curso. Se sua empresa quer entender como essas mudanças podem impactar custos, tributos ou estratégias de investimento, nossa equipe pode ajudar a avaliar os próximos passos com mais segurança.
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