Test Track: como a GM usa a Disney para mostrar o futuro dos carros
21/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você já deve ter ouvido falar de parcerias entre marcas e parques temáticos, mas dificilmente vai encontrar um caso como o da General Motors com a Disney. No EPCOT, em Orlando, a montadora mantém a única atração de todo o complexo assinada por uma empresa do setor automotivo: a Test Track. Depois de passar 13 meses fechada para reforma, ela reabriu em 22 de julho de 2026 com uma proposta que vai muito além de entretenimento, funciona como uma vitrine da própria estratégia de mobilidade da GM.
Para você que empreende ou administra um negócio, esse caso vale como estudo. Ele mostra como uma empresa pode transformar sua história institucional, seus produtos e até seus planos futuros em uma experiência que engaja o público e reforça marca, sem parecer propaganda. E revela também para onde caminha um dos setores mais relevantes da economia: o automotivo.
Uma parceria com décadas de história
A relação entre GM e Disney não começou agora. Em 1982, quando o EPCOT foi inaugurado, as duas empresas já haviam criado juntas a World of Motion, atração que contava a história dos transportes de forma lúdica. No fim dos anos 1990, com o público mais interessado em tecnologia e desempenho, essa atração deu lugar à primeira Test Track, inaugurada em 1999, onde o visitante passava a viver a experiência de um piloto de testes, com frenagens, avaliações de segurança e um trecho final a 105 km/h. Até hoje, é a atração mais rápida de todo o Walt Disney World.
Em 2012, a atração passou por nova reformulação, permitindo que o visitante criasse digitalmente seu próprio veículo antes do percurso, um reflexo da indústria automotiva que já incorporava mais software e personalização. Agora, em 2026, o foco muda novamente: a experiência deixa de ser só sobre testar carros e passa a contar uma narrativa completa, do passado da mobilidade até um futuro ainda em construção.
O que mudou na nova versão
A fila de espera agora é parte da experiência. São seis exposições que mostram projetos e veículos-conceito desenvolvidos pela GM ao longo de décadas, incluindo modelos como o Astro III, que já antecipavam ideias de autonomia e arquiteturas elétricas. A intenção é mostrar que tecnologias hoje comuns em carros de produção começaram como experimentos de engenharia.
Um dos pontos altos é a chamada "Garage of the Future", onde Disney e GM usam projeções para colocar o visitante dentro de veículos imaginados para quatro usos diferentes: estrada, competição, trabalho e aventura. Esses conceitos foram criados pela equipe de design da GM, mas não representam modelos que necessariamente serão fabricados, são projeções de como a tecnologia atual pode evoluir. Para viabilizar essa cena, a Disney recuperou um efeito visual antigo, o Pepper's Ghost, já usado em atrações como a Haunted Mansion, combinando-o com sistemas modernos de projeção.
No trecho final, a experiência avança ainda mais no tempo, com uma cidade projetada em grande escala apresentando diferentes formas de transporte, incluindo um veículo voador baseado em conceitos de mobilidade aérea estudados pela Cadillac, marca de luxo do grupo GM que também passou a operar no Brasil.
Ao final do percurso, o visitante passa por uma sala dedicada ao Corvette e chega a um showroom da General Motors, onde a narrativa da atração encontra produtos reais, carros elétricos e a combustão das marcas do grupo, incluindo as novidades elétricas da Cadillac.
Um detalhe reforça o poder desse tipo de experiência como ferramenta de formação de talentos e cultura de marca: John McDougall visitou a Test Track aos 10 anos e, a partir dali, passou a desenhar carros e imaginar veículos do futuro. Anos depois, ele entrou na GM e hoje, como gerente de produto e mobilidade, participou do desenvolvimento exatamente da nova versão da atração que conheceu quando criança. Para você que lidera um negócio, é um lembrete de como experiências bem construídas podem gerar conexões duradouras com clientes, futuros funcionários e até parceiros comerciais.
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