Tarifa dos EUA sobre produtos do Brasil: quem foi afetado e quem escapou
30/07/2026 16:173 min de leituraAtualizado há 34 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se a sua empresa exporta, produz ou depende de cadeias ligadas ao comércio exterior, preste atenção: o Brasil recebeu, em 15 de julho, a confirmação de uma tarifa adicional de 25% sobre aproximadamente três mil produtos vendidos aos Estados Unidos, com início em 22 de julho. Isso torna o país o mais afetado pelas tarifas americanas desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Mas antes de entrar em pânico ou, pelo contrário, relaxar demais, você precisa entender três camadas dessa história: o que foi de fato atingido, o que ficou de fora e qual movimento o Brasil já vinha fazendo para reduzir essa dependência.
O que muda na prática para quem exporta
A tarifa de 25% recai sobre produtos como etanol, máquinas agrícolas e industriais, calçados, produtos de madeira e açúcar orgânico. Se sua empresa atua em algum desses segmentos e tem os EUA como mercado relevante, o efeito é direto sobre a margem: ou você absorve o custo extra, ou repassa ao comprador americano, correndo o risco de perder competitividade frente a concorrentes de outros países. Vale lembrar também que aço, alumínio e cobre já enfrentam tarifa de 50% desde 2025, por razões de segurança nacional dos EUA, e continuam nesse patamar. Como cerca de metade das exportações brasileiras desses três metais tinha os Estados Unidos como destino principal, o problema aqui não é passageiro: é estrutural, e empresas desses setores precisam repensar rotas comerciais com urgência.
Quem ficou de fora da lista
A boa notícia é que mais de 2.100 produtos foram retirados da lista original durante a revisão, e ficaram de fora justamente setores que sustentam boa parte da economia brasileira: carne bovina, café, suco de laranja, petróleo bruto e aeronaves civis. Isso significa que empresas ligadas ao agronegócio de exportação e à cadeia aeroespacial não sentem o impacto direto dessa tarifa específica. Essa seletividade explica também por que a reação do mercado financeiro foi mais contida do que se esperava: o cenário mais pessimista chegava a projetar tarifas de até 50%, e o resultado final veio abaixo disso, o que já havia sido parcialmente antecipado por investidores e empresas.
| Situação | Setores | Tarifa aplicada |
|---|---|---|
| Atingidos pela nova tarifa | Etanol, máquinas agrícolas e industriais, calçados, madeira, açúcar orgânico | 25% adicional |
| Já sob tarifa mais alta | Aço, alumínio e cobre | 50% desde 2025 |
| Isentos da nova tarifa | Carne bovina, café, suco de laranja, petróleo bruto, aeronaves civis | Sem tarifa adicional |
A virada que já estava em curso: o acordo com a Europa
Enquanto o tarifaço americano ocupava as manchetes, o Brasil já vinha construindo uma alternativa. O acordo Mercosul-União Europeia entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio de 2026, meses antes do anúncio americano, criando uma zona de livre comércio com 700 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22,4 trilhões. Mais de 5 mil produtos brasileiros passaram a ter tarifa zero imediata no mercado europeu, e hoje mais de 80% das exportações brasileiras para a UE circulam sem tarifa. Os setores mais beneficiados são justamente os que o agronegócio brasileiro domina: carnes, grãos, café e sucos. Se sua empresa está nesse grupo, este é o momento de avaliar seriamente a expansão comercial para a Europa, já que a barreira tarifária que antes limitava esse mercado praticamente deixou de existir para uma ampla gama de produtos.
Um exemplo prático dessa reorganização é o setor de etanol: mesmo sendo um dos mais afetados pela nova tarifa dos EUA, a associação que representa o setor sucroenergético (UNICA) já sinaliza que está recalculando rotas de exportação. Ou seja, empresas atingidas pela tarifa americana não precisam esperar passivamente: o movimento natural é buscar mercados alternativos, e o acordo com a Europa oferece uma porta concreta para isso.
Um alerta que todo gestor precisa levar em conta
Existe um ponto de atenção que vai além da tarifa em si. Ao perder espaço no mercado americano, o Brasil tende a intensificar as trocas comerciais com a China, que já é o maior parceiro comercial do país. O risco para as empresas brasileiras é trocar uma dependência por outra, ain
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