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Sucessão e IA: o que empresários podem aprender com Cosentino

18/10/2026 05:044 min de leituraAtualizado há 58 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Durante o evento Universo Totvs 2026, em São Paulo, o fundador e presidente do conselho da Totvs, Laércio Cosentino, trouxe um tema que interessa diretamente a quem comanda uma empresa: como se preparar para um mundo em que as pessoas vivem mais, mas a tecnologia muda cada vez mais rápido. Para ele, esse descompasso entre os dois ritmos é o grande desafio de gestão da atualidade, tanto para profissionais quanto para negócios.

O que muda

Cosentino resumiu a questão de forma simples: a vida ficou mais longa, mas a tecnologia ficou mais veloz. Isso significa que a ideia de "transição de carreira" como um evento único, que acontecia uma vez na vida, não existe mais. Hoje, quem trabalha precisa se reinventar várias vezes ao longo da trajetória profissional, porque o conhecimento se torna obsoleto num intervalo de tempo muito menor do que antes.

Essa lógica também vale para as empresas. Segundo ele, mudanças que antes levavam cerca de 50 anos para acontecer em um setor agora ocorrem a cada cinco anos. É um alerta direto para gestores: o que funcionou até ontem pode não servir mais amanhã, e a velocidade de adaptação virou um fator competitivo.

Quem é afetado

A reflexão atinge principalmente dois grupos dentro das empresas: os profissionais que precisam se manter atualizados para continuar relevantes no mercado, e os donos de negócios familiares que estão pensando em sucessão. Sobre o primeiro ponto, Cosentino foi direto ao criticar quem usa a experiência passada como argumento de autoridade, afirmando que apegar-se só ao que já se sabe pode ser o início do declínio profissional.

Já sobre sucessão, o executivo destacou que, com a expectativa de vida maior, um herdeiro pode assumir o comando de uma empresa familiar apenas aos 70 anos, o que pode levar famílias a considerar pular uma geração na linha sucessória. Ele reconheceu que abrir mão do controle é difícil para quem fundou o negócio, mas defendeu que o verdadeiro legado não é só financeiro: é também passar adiante os critérios e valores usados para tomar decisões.

Quatro perguntas para o gestor
01
Conhecimento

Que conhecimento você precisa atualizar agora para não ficar para trás?

02
Decisão

Qual decisão você já pode começar a compartilhar com sua equipe ou sucessor?

03
Plano de futuro

Qual é o seu plano de futuro, pessoal e para o negócio?

04
Conversa adiada

Que conversa difícil, sobre sucessão ou mudança, você está adiando?

Em relação à inteligência artificial, Cosentino evitou o tom alarmista e tratou o assunto como algo que já faz parte da realidade das empresas, não como uma ameaça futura. Para ele, a pergunta não é mais se a IA vai mudar os negócios, porque isso já aconteceu. O ponto central, segundo o executivo, é como cada empresa e cada profissional vão se preparar para conviver com essa tecnologia no dia a dia.

Ele sugeriu encarar a IA como um "colega de time" mais bem preparado, em vez de um concorrente a ser temido. Na prática, isso significa que empresas que treinam seus times e seus sistemas de forma parecida tendem a chegar a resultados semelhantes usando inteligência artificial. O que vai diferenciar um negócio do outro, segundo ele, continuará sendo o fator humano: a capacidade das pessoas de tomar decisões, criar relações e agregar critério ao que a tecnologia entrega.

Como se preparar

Para o empresário, a mensagem prática de Cosentino pode ser resumida em alguns pontos: investir continuamente em atualização profissional, tanto própria quanto da equipe; planejar a sucessão com antecedência, pensando além da transferência de patrimônio; e tratar a adoção de inteligência artificial como parte da rotina do negócio, não como um projeto isolado ou futuro distante.

Ele também chamou atenção para o impacto financeiro da longevidade: quem se aposenta por volta dos 65 anos e vive até os 100 tem mais três décadas de vida pela frente, o que exige mais planejamento financeiro, tanto pessoal quanto para quem pensa em transmitir patrimônio e negócio para as próximas gerações. A recomendação é poupar mais e se manter ativo por mais tempo, tanto na vida profissional quanto na gestão da empresa.

No fim, o recado de Cosentino para quem lidera um negócio é prático: não dá para esperar a sucessão ou a adaptação à nova tecnologia "acontecerem sozinhas". Reservar tempo para responder às quatro perguntas que ele deixou à plateia pode ser um primeiro passo concreto para organizar tanto o futuro pessoal quanto o da empresa.

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