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Shein pode intensificar avanço no Brasil, aponta BTG; entenda o risco

25/08/2026 17:093 min de leituraAtualizado há 8 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um relatório do BTG Pactual acende um sinal de atenção para quem vende moda ou produtos importados no Brasil. Segundo o banco, a Shein está enfrentando mais custos, mais fiscalização e menos crescimento nos Estados Unidos e na Europa, o que pode levar a empresa chinesa a concentrar ainda mais investimentos e esforços de marketing no mercado brasileiro. Para empresários do varejo, especialmente do setor de vestuário, isso significa ficar de olho em um concorrente que já é forte e pode ficar mais agressivo.

O que está pressionando a Shein lá fora

Nos Estados Unidos, o fim de uma isenção fiscal para encomendas chinesas de baixo valor encareceu os produtos da Shein enviados ao país. O resultado apareceu nos números: a receita da empresa no mercado americano caiu 14,3% no primeiro trimestre, e a companhia teve prejuízo de US$ 99 milhões no período. Na Europa, a Shein enfrenta investigações ligadas a regras de proteção de dados e de serviços digitais, além de fiscalização mais rígida sobre suas operações.

Esse cenário fez a velocidade de crescimento da empresa desabar: em 2023, a receita da Shein cresceu 41%; no primeiro trimestre de 2026, o avanço foi de apenas 1,1%. A avaliação da companhia também caiu bastante. No IPO em Hong Kong, a Shein deve ser avaliada em cerca de US$ 27 bilhões, quase 70% a menos do que os US$ 100 bilhões alcançados em 2022. Ainda assim, a escala da empresa segue enorme: são 281 milhões de clientes ativos e mais de 1 bilhão de pedidos registrados até março.

Por que o Brasil vira alvo prioritário

Com o modelo de crescimento nos EUA e na Europa mais caro e mais fiscalizado, o BTG avalia que a Shein tem motivos para redirecionar recursos para grandes mercados emergentes onde seus preços baixos ainda são competitivos. O Brasil está no topo dessa lista, e não por acaso: dados citados pelo banco mostram que os usuários ativos mensais da Shein no país cresceram cerca de 34% entre abril e maio de 2026, ritmo superior ao de concorrentes digitais no mesmo período.

Crescimento de usuários ativos no Brasil (abril e maio de 2026)
34%Sheinmaior crescimento entre as plataformas citadas.
17%Mercado Livrecrescimento no mesmo período.
16%Amazoncrescimento no mesmo período.
9%Shopeecrescimento no mesmo período.

A força da marca também aparece fora das vendas diretas. Um levantamento da ModoData, citado pelo BTG, analisou 127 mil menções a marcas de moda no Brasil em julho e constatou que a Shein concentrou 52% das citações entre as oito empresas avaliadas. Para o banco, isso mostra uma conexão muito forte da plataforma com o consumidor brasileiro, especialmente nas redes sociais.

Outro fator que pode facilitar a expansão da Shein por aqui é a tributação. O BTG lembra que o Brasil eliminou temporariamente, em maio, o imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 dentro do programa Remessa Conforme, medida que ainda depende de aprovação do Congresso para valer de forma definitiva. Se confirmada, essa mudança reduz o custo de operação de plataformas estrangeiras que vendem produtos de baixo valor diretamente ao consumidor brasileiro.

O que isso significa para o varejo brasileiro

A boa notícia, segundo o BTG, é que varejistas brasileiras como Renner, C&A e Riachuelo estão mais preparadas do que estavam na primeira onda de expansão da Shein no país. Nos últimos anos, essas empresas investiram em vendas online integradas às lojas físicas, lançamento mais rápido de coleções, programas de fidelidade e ajustes de preço e fornecimento para competir com as plataformas asiáticas.

Mesmo assim, o risco não desapareceu. Se a Shein realmente decidir disputar o Brasil de forma mais agressiva, como resposta às dificuldades nos EUA e na Europa, a briga por consumidores pode voltar a girar em torno de preço baixo, promoções pesadas e gastos elevados em marketing. Nesse cenário, mesmo lojas brasileiras bem geridas podem ter dificuldade para manter margens saudáveis ou repassar aumentos de custo aos preços. Para quem atua no varejo de moda ou vende produtos concorrentes aos importados, vale acompanhar de perto os próximos movimentos da Shein no país e revisar estratégias de preço, diferenciação e relacionamento com o cliente.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.